domingo, 22 de setembro de 2019

Profissionais prestigiados se dão melhor na vida afetiva

Vamos amadurecer e reconhecer: o amor ainda não é desse mundo. O amor, para a maioria, virou uma palavra bonita que todos sentem prazer em pronunciar. Já o sentimento em si, ah, como está tão ausente...

Casais ainda se unem por interesses. Não só financeiros como sociais, já que solitários, mesmo quando voluntários, não costumam ser bem vistos. É preciso estar casado para agradar a uma sociedade que colocou na sua inerte cabecinha que "estar casado" é sinônimo de "ser valorizado", quando a lógica mostra que nem sempre isso é verdade.

E quanto mais prestígio social se tem, mas forte é a obrigação de estar sob um matrimônio. Há cobrança, mas há facilidades também, já que pessoas prestigiadas tem obstáculos à vida afetiva arrancados de seu caminho.

Os homens que são profissionais prestigiados que o digam. Profissionais liberais (advogados, engenheiros, médicos e similares), diretores de diversos tipos, empresários, executivos, etc., sempre se deram melhor socialmente e sobretudo, afetivamente. Classicamente são profissionais prestigiados que possuem o direito, para eles irrecusável, de escolherem as mulheres com quem vão se envolver. Normalmente pegam as melhores, as mais intelectualizadas, elegantes e, claro, lindas e de bom gosto. As outras ficam para o restos dos homens, menos prestigiados.

E sinceramente, nunca ouvi falar de profissional prestigiado que viva chorando rotineiramente porque não consegue conquistar uma mulher. Porque se ele é um profissional prestigiado ele CONSEGUE, SIM! Ao menos que a religião dele proíba de se casar ou que ele seja gay. Se bem que, no Brasil, há muitos gays enrustidos que acabam se casando com mulherões, só para agradar a sociedade, fazer o quê?

E graças a isso, observa-se duas coisas: profissionais prestigiados que não conseguem ficar sozinhos e profissionais comuns que tem que se contentar com as mulheres que aparecem.

Mas que tanta magia os profissionais prestigiados exercem nas mulheres? Se lembrarmos que vivemos numa humanidade atrasada, ainda bastante instintiva, perceberemos o fato de que as fêmeas ainda procuram um protetor/provedor. E ninguém melhor que um profissional prestigiado para exercer essa função.

A vida afetiva numa sociedade injusta, tem que ser igualmente injusta. Não importa se há homens apaixonados. Importa é que hajam homens dispostos a proteger e sustentar as suas mulheres, como nos velhos tempos de irracionalidade animal. Dispostos como os profissionais prestigiados, excelentes profissionais, seres humanos medíocres e maridos da pior qualidade.

Ainda temos que aprender muito. Até lá, continuaremos batendo cabeça por aí. Inclusive na vida afetiva.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

O Brasil ainda não percebeu que já tem a sua música de mercado

Para a maioria das pessoas, não interessa o que se passa nos bastidores de criação das músicas que gosta. O que importa é acreditar na lendária hipótese de que todo criador de música é poeta e cria de acordo com "inspirações divinas", músicas que, por mais medíocres que sejam, possam permanecer pela eternidade. Nem que essa "eternidade" dure apenas poucos meses, já que estas pessoas não conseguem enxergar o futuro, mas apenas o presente.

Esse desinteresse pelos bastidores da música facilita a má compreensão do que é música de verdade e música comercial, que nas palavras do estudioso da comunicação Umberto Eco é conhecida como canção de consumo.

A música de verdade é espontânea e mão segue padrões nem modismos. Mesmo que um criador desse tipo de música ganhe dinheiro com a sua venda, isso é apenas uma consequência e ele não condiciona a sua obra a uma garantia de lucro. Ele cria e grava o que realmente pensa não o que os outros - supostamente - querem.

O cantor/compositor comercial, mercenário, é o contrário. Ganhar dinheiro fazendo música é o seu objetivo. Segue literalmente a orientação de produtores e empresários, observa as "tendências" da moda e abusa de recursos tecnológicos e visuais para seduzir público, criando factoides para se manter em evidência.

A música comercial, ou canção de consumo, ou ainda música de mercado, surgiu provavelmente nos anos 40 e já vem sendo questionada por estudiosos estrangeiros desde então. É integrante da chamada mass culture, uma espécie de "cultura" estereotipada, voltada para o consumo, criada pelas empresas de comunicação e entretenimento para criar produtos supostamente culturais que possam garantir a renda dos envolvidos.

O Brasil já tem a sua música de mercado

O brasileiro é um povo ingênuo, que gosta de ser enganado sem saber que está. Acha que o mercenarismo só existe na política e que no entretenimento, sobretudo no esporte e na música, só existem "santos", "poetas" e "artistas". Gente que supostamente ama o que faz e tem o dom para aquilo quando na verdade deveria estar ganhando dinheiro de outra maneira (que diabos os brasileiros acham que as personalidades "bem sucedidas" só sabem fazer aquilo?).

Mas desde muitos tempos, discretamente tem se construído uma música de mercado para o Brasil. Impressionante, mas os empresários há muito não perceberam que a ingenuidade típica do povo brasileiro poderia facilmente fazer surgir consumidores em potencial da música de mercado.

Desde os anos 70, mesmo havendo tentativas anteriores - enfraquecidas pela cultura de verdade dos anos 60 - a música brasileira tem sofrido um declínio lento, que se acelerou nos anos 90, com o fortalecimento do Capitalismo com a queda do Muro de Berlin e do desenvolvimento tecnológico.

O popularesco, herdeiro da chamada música brega, caracterizada por um monte de ídolos sem vocação que entenderam que a música seria um modo fácil de ganhar dinheiro e sair da miséria financeira onde se encontravam, se fortaleceu justamente nos anos 90, com autênticos cantores de chuveiro e de churrascaria que acabavam se consagrando pela mídia, adquirindo uma espécie de "armadura moral" que os impede de serem criticados, passando a ser confundidos como "gênios da música" por um público sem o hábito de discernir as informações que recebe.

E os empresários de gravadoras, televisões, rádios e também os patrocinadores perceberam que, com a redemocratização do Brasil, precisavam, além de impedir o surgimento de novos subversivos, aproveitar o medo que a população tem - até hoje - das autoridades, que estimula uma passividade sem igual, para impor a "nova cultura", usando cantores e compositores medíocres e totalmente submissos aos meios em que trabalham.

Com a consagração da música de mercado e o enfraquecimento da música de verdade, o Brasil já começa a assimilar algo que já existe há tempos nos EUA, que há mais de 60 anos não possui uma cultura de verdade que seja típica e é totalmente refém da mass culture, produzindo uma música que sirva os interesses financeiros de quem as patrocina, visando chegar a posições privilegiadas nas paradas de sucesso que, embora para muitos sirva de "atestado de qualidade musical", na verdade é o diagnóstico de vendagem e popularidade de uma determinada música ou ídolo.

Os brasileiros agora tem que estar cientes de que a cultura está morrendo e que vemos surgir cada vez mais produtos e cada vez menos artistas. E que estes produtos, tentam, sob o disfarce de "artistas", convencer que a cultura brasileira sob as rédeas desses produtos e de seus tutores (empresários e patrocinadores), garantindo uma durabilidade de meros modismos fracos, ensinando errado a população, tão carente de heróis e de poetas, adotando como tais qualquer mercenário que lhes satisfaça os instintos.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Homens se casam só para sacanear os nerds

Para os machistas, a vida de casado não combina com a mentalidade e o estilo de vida deles. Porque diacho os babacas continuam se casando com as melhores mulheres se no cotidiano eles costumam traí-las com outras mulheres e com futebol, deixando-as em uma prateleira pegando poeira, feito troféus?

Para quê esses picaretas precisam de troféu? Eles fizeram alguma atitude honrosa? Pelo que sei gritar feito trogloditas pré-históricos durante jogos de futebol nada traz de honra para esses imbecis. Então porque se casam?

Simples: para sacanear a nós, os nerds. Porque os infelizes vão justamente naquelas mulheres que desejamos, que nos apaixonamos e que inspira romantismo e fidelidade. Os pilantras se casam justamente com mulheres que não combinam com o jeito truculento deles. Ah, mas aí vão dizer que as mulheres de trogloditas tem que ser meigas e femininas para criar um equilíbrio. Equilíbrio? O que resulta disso é briga, discussão e divórcio!

Tola é a mulher que escolhe um machista para se casar. Mas geralmente elas fazem isso por interesse, baseadas no decadente critério do protetor/provedor. Crêem que quanto mais rude ou rico for o homem, melhor marido será, tese que foi reprovada durante séculos, mas ainda serve de critério para a escolha de namorados/noivos/maridos.

E isso acontece não são só com os trogloditas tradicionais. Homens em cargos de liderança (empresários, executivos, diretores de tudo quanto é tipo e profissionais de status) também não deixam de ser "trogloditas polidos" pois a sua sisudez é na verdade uma forma macia de truculência. Mas dá no mesmo. Se não traem as esposas com futebol e gandaia, traem com "importantes" reuniões de negócio. para eles salvar a empresa é mais importante que salvar o casamento. Pior, mais importante que salvar a própria vida.

Portanto, eu peço para a maioria dos homens: NÃO CASEM! Trepem, transem, comam, pratiquem o coito, façam sexo, fodam-se, mas não casem. Não transformem as mulheres em suas propriedades privadas. Deixem-as para quem realmente as quer e tem condições de manter um relacionamento fiel, duradouro, romântico e respeitoso.

Porque quem não respeita a si mesmo, não respeita as mulheres. E merece ficar encalhado. Ao menos que prefira cheirar sovaco de outros machos, seja no futebol, seja nas reuniões de negócio.

sábado, 14 de setembro de 2019

Brega is not brega

No meu tempo de jovem, ser brega era ridicularizado. E com justiça, já que a "cultura" brega é tradicionalmente tosca, mercenária e burra. Merece mesmo ser tachada de ridícula.

Mas como é um tipo de "cultura" que estimula a estagnação intelectual, a mídia achou que tinha que criar um modo de fazer com que ela tivesse aceitação pela juventude e pelas elites. A solução: o "banho de loja" no visual e nos arranjos.

Colocam-se roupas modernas, consideradas elegantes, da moda em um jeca e constrói toda uma imagem de modernidade ao seu redor, incluindo cenários, posturas, gírias e até tatuagens. 

E não é somente no visual: melhora a articulação verbal, eliminando caipirismos e estimulando a boa pronúncia de palavras. Capricha-se na produção de músicas, com arranjos mais sofisticados (mesmo que toda a breguice esteja intacta, se disfarça com arranjos caprichados), vozes mais afinadas e tudo que para os leigos, possa soar como "melhoria".

Mas o que é realente importante: manter a essência brega, com letras e danças ridículas, defesa de valores decadentes e o apetite de ganhar dinheiro e ostentar riqueza, enganando plateias que iludidas com a origem supostamente miserável de seus ídolos, acreditam serem os mesmos o símbolo máximo da humildade, embora a prática vista nos ignorados bastidores mostre o contrário.

E é o entretenimento puro usando o nome de "arte" e "cultura" para destruir as mesmas através de ídolos fajutos do axé, "sertanejo", "funk", "pagode" brega e similares, "artistas" postiços de proveta que contribuem muito para que a nossa cultura nunca evolua, fazendo com oque ocorra o mesmo com toda a sociedade iludida com estas verdadeiras próteses musicais, disfarçadas de grandes gênios, graças às roupas de grife e os penteadinhos da moda.

sábado, 7 de setembro de 2019

O Patriotismo Teórico

Para os conservadores, o Brasil são dois países: O real, que eles ignoram, que tem o povo, seus problemas e injustiças e também as riquezas que não podem ser cedidas a outrem. E outro, o dos símbolos cívicos e do futebol, cujos únicos problemas são de ordem moral e que devem ser resolvidos com a adesão maciça à religiões consideradas cristãs.

O patriotismo defendido pelos conservadores é puramente teórico. É um patriotismo de fachada, limitado a cultuar símbolos, cantar o hino e achar que a vitória de um time de futebol (a "seleção" nunca passou de um mero time de futebol) vai trazer dignidade aos brasileiros.

Os patriotas teóricos não estão nem aí com soberania. Exigem que todos cantem o hino e declarem seu amor à bandeira, mas não se incomodam em ver a Petrobrás e Eletrobrás falindo e a Floresta Amazônica sendo entregue a estrangeiros. 

Aliás, os conservadores nem se importam se a nossa soberania está sendo violada, permitindo a invasão, mesmo secreta de estrangeiros a vigiar o que estamos fazendo para servir de motivo para usurpação e saques. Ignorar a soberania nacional é permitir que piratas modernos, fantasiados de "responsáveis investidores" entrem aqui para pegar o que quiserem e lavar para as suas nações-natais.

Mas aí nós perguntamos: de que adianta cantar o hino e cultuar a bandeira? Em quê isso irá trazer a nossa soberania de volta? Em quê isso acabará com as injustiças e problemas do país? Como as vidas dos brasileiros vão melhorar pelo simples fato de se enrolar em um pedaço de pano com as cores da bandeira?

Não estou aqui criticando os símbolos cívicos. Se todos os países têm os seus, o Brasil também deveria. Mas eles não foram feitos para serem cultuados o tempo todo. A vida exige ação e há muito o que fazer além de ficar parados diante da bandeira cantando uma música, mesmo que seja o hino. 

É fato comprovado em inúmeras oportunidades de que cultuar símbolos cívicos nunca ajudou a melhorar o país. E o fato dos conservadores desprezarem a soberania nacional, achando que amar a pátria é simplesmente amar os símbolos e ignorar os danos que gringos invasores fazem ao país é algo extremamente reprovável e mostra que os conservadores não são patriotas coisa nenhuma.

Pois o patriotismo exige prática, exige agir para proteger o país e dar qualidade de vida ao povo. Patriotas distribuem renda, lutam pelo fim das desigualdades, pelo fim dos preconceitos e enxerga o futuro, sem a histeria de sonhar com uma volta ao passado, verdadeira meta dos conservadores.

O verdadeiro patriota luta pela soberania nacional e pelo bem estar do maior número de brasileiros. Não foge para o exterior quando as coisas vão mal em nosso país. Fica e luta por direitos dos habitantes, por soberania nacional e pela proteção de nossas riquezas e das empresas que fazem o país progredir.

Se os conservadores acham que cantar hinos antes de um dia de trabalho/estudo é sinônimo de defender a soberania nacional, os conservadores estão errados. Enquanto cantamos o hino diante de uma bandeira sendo sacudida pelo vento, os corsários de terno e gravata entram livremente para saquear os nosso bens. 

Quando a entoação do hino acabar, será tarde demais: deixaremos de ser um país, para sermos um mero território, um mero almoxarifado de reservas para os gringos usurpadores. É isso que os conservadores querem?

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Sim, Bolsonaro é um mito

OBS: Este texto escrito antes desta abominação tomar posse mostra que pelo menos os progressistas já conheciam este responsável pela destruição do país. Não entendemos porque todos ainda ficam esperando para tirar este monstro do poder. Ele já deveria ter saído após o primeiro escândalo. Não dá mais para aguentar. FORA BOLSONARO!

Sim, Bolsonaro é um mito

Thomas de Toledo - Extraído do blog Esquerda Caviar

Sim, Bolsonaro é um mito. Ele é um mito do ódio a tudo o que significa civilização. Um mito dos sentimentos mais sombrios, violentos e ignorantes que foram represados pelo avanço dos valores iluministas e do Estado democrático de direito.

Bolsonaro é um mito para o empresário sonegador e explorador que sonha voltar a comprar escravos por arroba, mas que tem que se submeter à CLT e à Receita Federal.

Bolsonaro é um mito pro latifundiário que quer tomar terras de índios, grilar áreas públicas da União, usar agrotóxicos indiscriminadamente e empregar mão de obra escrava, mas que tem que se limitar pela legislação ambiental, social e trabalhista.

Bolsonaro é um mito para o homem que odeia a mulher e a subjuga pela violência, mas que agora tem que se conter pela Lei Maria da Penha.

Bolsonaro é um mito para as viúvas da ditadura que têm saudade de torturar, estuprar e matar aqueles que odiavam, mas que não podem mais fazer por causa dos tais direitos humanos.

Bolsonaro é um mito para aquele nazista que guarda relíquias da Alemanha de Hitler e faz musculação para agredir quem odeia, mas que é bloqueado por um tal código penal.

Bolsonaro é um mito para aquele pastor evangélico fundamentalista que pretende expandir seus negócios, mas que sempre encontra barreiras no fisco.

Bolsonaro é mito para aquele brasileiro com complexo de vira-latas que bate continência aos Estados Unidos, mas que estava indignado em ver o Brasil virar a 6a economia do mundo na Era Lula.

Sim, Bolsonaro é um mito para todo aquele que deseja expressar livremente seu ódio a comunistas, mulheres, negros, gays, muçulmanos, religiosos afro-brasileiros e imigrantes, mas que sempre são contidos em seus impulsos bestiais pelos valores e legislações do mundo civilizado.

Bolsonaro é, portanto, um mito que emerge das entranhas do intestino grosso daqueles que desejam odiar mas são proibidos. Dos que querem explorar, sonegar, grilar e roubar e dos que almejam ter armas para matar, mas não podem.

Bolsonaro é um mito da sombra de tudo aquilo que o Brasil não quis olhar, que foi empurrando para debaixo do tapete, mas que agora encontrou um porta-voz. Ele expressa a ignorância, o anti-intelectualismo e o que de pior o senso comum é capaz de produzir. Assim, seduz incautos e inconsequentes que classificam-se como "cidadãos de bem".

O Brasil está doente e Bolsonaro é apenas um sintoma visível. Mesmo que não seja eleito, os fantasmas que o "mito" ressuscitou, necessitarão de um bom tempo para serem exorcizados. Ele tem o papel de didaticamente mostrar aquilo que precisa ser curado, extirpado e banido. Quando este mito e tudo o que ele representa for derrotado, o Brasil estará curado. No seu lugar, um mito que representa a solidariedade, a paz e a harmonia deve ser instalado.

domingo, 25 de agosto de 2019

Faleceu Fernanda Young, autora de vários seriados inovadores

Soubemos no final da manhã de hoje que a escritora e criadora de séries Fernanda Young, uma das mulheres mais inteligentes do Brasil, morreu após um súbito ataque cardíaco após uma crise de asma. Lamentável a perda de alguém tão genial em um mundo onde a mediocridade reina, favorecendo inclusive um bando de zumbis neo-nazistas, que hoje mesmo saíram para desfiar a sua ignorância.

A equipe deste blogue era fã dos seriados que ela criou, junto com seu marido, Alexandre Machado. Como não se descontrair diante do humor inteligente e único de séries como Os Normais, Separação?!, e muitos outros? O estilo único fará muita falta.

Além de criadora destes seriados, escreveu vários livros  era uma intelectual atuante, chagando a participar do programa Saia Justa, na GNT, que debatia temas e notícias do dia de forma descontraída, mas inteligente.

Para homenagear, dois textos escritos pelo antigo dono deste blog (que também adorava os seriados) e publicados aqui cerca de dez anos atrás e não aproveitados nos novos blogs que ele criou. Vá em paz, Fernanda. E já estamos com saudades!

Divulgadas fotos da sessão com Fernanda Young e ex-BBB esnoba 

Planeta Laranja - 7 de novembro de 2009



Divulgadas as fotos da sessão da revista Playboy com a autora e escritora Fernanda Young, responsável, junto com seu marido Alexandre Machado, pelos excelentes seriandos Os NormaisOs AsponesMinha Nada Mole Vida e O Sistema, que inovaram o humor brasileiro com inteligência e pitadas de cinismo. Eu assisti a todos e amei.

Eu não me considero fã da Fernanda Young (a Fernanda que sou fã é a Souza, do mediano humorístico Toma Lá Dá Cá, que vai ser extinto, para provavelmente dar lugar ao retorno do excelente seriado A Diarista), mas admiro a sua beleza (ela realmente é uma gata) e seu trabalho. Eu tinha falado várias vezes como é bom uma musa não-vulgar posar para uma sessão sensual.

Mas um ex-BBB, que não me interessa dizer quem é, já que todos os BBBs são iguais (exceto a Grazielli Massafera, que demonstrou que não deveria e nem precisava entrar no tal reality, já que é classuda, simpática, talentosa e charmosa e tem rosto e voz lindos - uma flor no meio de espinhos), disse que não conhecia a Fernanda Young. Sabendo que o Zé-poveco não gosta de fichas-técnicas, não se interessa por bastidores de programas (preferem mitificar o que acontece por trás daquilo que gostam) e não gosta dos programas intelectualizados que só passam na TV por assinatura, claro que o tal ex-BBB não conhece a Fernanda Young. Para ele comédia deve ser as piadas-de-bordão do Zorra Total.

Liga não, Fernanda Young. Por enquanto os analfabetos artísticos estão no poder. Mas quando o mundo evoluir e mundo evoluído exige inteligência e elegância, os jecas ignorantes terão que se isolar para não serem ridicularizados em coro como no caso daquele episódio na Uniban.

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Uma intelectual na Playboy

Planeta Laranja - 19 de out de 2009


Finalmente tiveram a idéia de colocar uma mulher intelectualizada para estampar as páginas da Playboy. É a escritora Fernanda Young, que também é um dos responsáveis (o outro é o marido dela, Alexandre Machado, um nerd gordo e barbudo que é xará de meu irmão) pelos roteiros dos seriados mais legais já produzidos no Brasil, como Minha Nada Mole VidaOs Normais e Os Aspones (todos eu acompanhava e adorava!!!). Ela também tem um programa de entrevistas no canal Multishow.

Não sou muito chegado a mulheres muito tatuadas (só uma tauagenzinha ou outra, embora eu de preferências a mulheres sem nenhuma tatuagem), mas vamos reconhecer: ela é uma gata.

Fernanda citou uma lista de motivos que a fizeram aceitar o convite. Os motivos estão grifados e eu comento cada um com fonte de letra normal:

1) Salvar o erotismo das mãos da breguice
Estou cansado dessas musas vulgares como Melancias, Popozudas, ex-BBBs e o que lá vai. Estava na hora de mostrar o que eu já sabia há tempos: que existe intelectual linda.

2) Não devo nada a ninguém
Claro. Uma mulher culta, criativa, bem-humorada e cheia de qualidades e claro, linda, não precisa melhorar em nada.

3) Em alguns lugares do mundo, mulheres ainda são obrigadas a tampar seus corpos
Malditos costumes ignorantes! O que é lindo é para ser mostrado (com decência, of course!).

4) Vingança pura e simples.
Fernanda, alguém te magoou?

5) Nos meus livros, eu me exponho mil vezes mais
Quem tem inteligência tem sempre mais a oferecer.

6) Vou fazer 40 anos ano que vem.
Que é isso, gatinha... você ainda é bem jovem...

7) Irritar a minha mãe
Sua mãe te magoou?

8) Estou me lixando para o que os idiotas vão achar
Idiota não sabe de nada. Não ligue para eles, Fernanda.

9) É a primeira vez na história que a coelhinha da Playboy tem 8 romances
publicados
Enfim, uma intelectual na Playboy.

10) Não existem ex-BBBs suficientes (aleluia)
Chega de musas Babacas, Bestas e Bobas. Never Mind Big Brothers (and sisters)!

INTELECTUAL AQUI, DESENHO ANIMADO LÁ FORA

É parece que tanto lá como aqui, a Playboy não é mais a mesma. Enquanto no Brasil, uma intelectual resolve mostrar que também é bonita, na versão americana, um personagem de desenho animado que nunca foi conhecido pelo apelo sexual resolve "tirar a roupa". É a personagem Marge Simpson, da série Os Simpsons. Como Marge é meio sem graça, não poderiam ter convidado a Jessica Simpson, de carne-e-osso para posar em homenagem à família. Jéssica é muito mais deliciosa.

Se bem que tenho as minhas musas criadas à lápis: Velma, da turma do Scooby-Doo, a Penélope Charmosa, a Betty Atômica, a versão adolescente da Mônica e da Magali, além da Tina: essas são as que me lembro. Mas em matéria de desenhos eróticos, gosto mais de mangá.
(19/10/2009)

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A solução do Brasil está na cadeia


Ontem aconteceu mais uma entrevista com o Lula. Mas o diferencial é que foi feita pela equipe da TV 247, representada pelos veteranos jornalistas Paulo Moreira Leite, Mauro Lopes e Pepe Escobar , escolhidos a dedo por causa da especialidade de cada um.

Legal ver Pepe Escobar participando da entrevista. Pepe é ídolo da equipe deste blog desde os tempos da revista BIZZ, na qual ele participava e que comprávamos com regularidade.

Pepe hoje não escreve mais sobre cultura (embora nunca esconda seu excelente gosto musical), mas é considerado o melhor jornalista brasileiro especializado em Geopolítica e um dos melhores do mundo, colaborando para inúmeros jornais estrangeiros. E autor de importantes livros, incluindo o famoso e essencial  O Império do Caos.

Os três jornalistas optaram por fazer perguntas bem diferentes, estimulando o ex-presidente a falar sobre temas não discutidos nas entrevistas anteriores.

Um entrevistão histórico. Vale a pena ouvir a voz de um verdadeiro sábio, que representa muito bem a solução que o Brasil precisa para sair deste caos bolsonarista. 

Aqui está o relato dos bastidores e a íntegra da entrevista. Assista ambos até o fim.


terça-feira, 30 de julho de 2019

Como seria o Brasil de Bolsonaro (de acordo com suas próprias palavras)

.OBS: Este texto tem um tempo mas mostra como é esta figura abjeta que aos poucos mostra a sua verdadeira face e suas verdadeiras intenções.


Ninguém deu ouvidos ao #elenao, mas deveria. Bolsonaro tem intenções claras de destruir o país e sua humanidade, incluindo adeptos, que ingenuamente continuam a apoia-lo sem medir consequências. Fora, Bolsonaro!

Como seria o Brasil de Bolsonaro (de acordo com suas próprias palavras)

Cynara Menezes - Blog Socialista Morena

Um exercício futurístico sobre o destino que nos reserva se o candidato de extrema-direita for eleito no próximo domingo.

Com a Câmara Federal presidida por um dos filhos do presidente da República e o Senado pelo outro filho, o Brasil virou uma dinastia militar-civil-teocrática desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder. A expressão “estado policial” é a exata tradução do que vivemos: violência, repressão e banhos de sangue se tornaram parte do cotidiano do brasileiro.

Depois que o presidente Jair liberou as armas de fogo para toda a população, os atentados a bala, antes raros no país, tornaram-se frequentes. A exemplo do que acontecia nos Estados Unidos de Donald Trump, que não foi reeleito, pelo menos um massacre por mês é perpetrado. O número de pessoas, muitas delas crianças, atingidas por tiros acidentais dentro de casa se multiplicou em 3000%.

A lista de animais em extinção já tem mais de 100 espécies desde que o ex-militar ocupou o poder e extinguiu o ministério do Meio Ambiente. Com a caça “esportiva” liberada em todo o território nacional, animais da fauna brasileira estão desaparecendo com uma rapidez nunca vista desde a colonização do país pelos portugueses. Os órgãos de meio ambiente nada fazem, até porque uma das primeiras ações de governo de Bolsonaro foi transformá-los em órgãos sem nenhum poder de fiscalização e punição.

A polícia e as Forças Armadas têm mantido os moradores das comunidades carentes acuados, com medo de sair de casa. O toque de recolher foi instituído em todas as regiões pobres das grandes cidades. De acordo com pesquisas clandestinas, já que o governo controla os dados oficiais, o número de jovens negros inocentes mortos em “autos de resistência” subiu 500% desde que Bolsonaro concedeu excludente de ilicitude para os policiais, uma espécie de salvo-conduto para matar. Parte da população, porém, não parece se solidarizar com as mães de família pobres que perderam seus filhos. “Se morreu é porque alguma coisa fez”, defendem os bolsonaristas.

O número de jovens negros inocentes mortos em “autos de resistência” subiu 500% desde que Bolsonaro concedeu excludente de ilicitude para os policiais, uma espécie de salvo-conduto para matar.

Mesmo com os cidadãos armados e a polícia matando “suspeitos”, todos eles negros, a rodo, os índices de criminalidade não param de subir, impulsionados pelo aumento da desigualdade social e da miséria. Expulsos de suas terras, índios e quilombolas engrossam a multidão de brasileiros desabrigados e sem casa para morar, vivendo em barracos na periferia das grandes cidades. Tampouco há quem os defenda, já que os líderes dos sem-terra e dos sem-teto estão presos acusados de “terrorismo” e as ONGs foram proibidas de atuar em território nacional.

Até mesmo as lideranças do agronegócio, velhos aliados de Bolsonaro, têm mostrado insatisfação com os rumos do governo, já que o país perdeu vários mercados após o ex-deputado assumir a presidência. Ao tirar o Brasil do acordo de Paris, Bolsonaro viu as portas da União Europeia se fecharem para nossos produtos. E graças à atitude do presidente de apoiar Israel irrestritamente, os pecuaristas perderam também as exportações para os países islâmicos, principais importadores da carne e do frango brasileiros. A China também reduziu o comércio conosco devido às críticas de Bolsonaro às empresas chinesas.

Ao tirar o Brasil do acordo de Paris, Bolsonaro viu as portas da União Europeia se fecharem para os produtos brasileiros. E graças à atitude do presidente de apoiar Israel irrestritamente, os pecuaristas perderam as exportações para os países islâmicos.

Mas as entidades ruralistas não podem reclamar, porque apoiaram a iniciativa do PSL, partido do presidente, de enfraquecer os sindicatos, acabando com a unicidade sindical. As empregadas domésticas voltaram a ser trabalhadoras de segunda classe, porque Bolsonaro revogou a lei que as igualava aos demais trabalhadores, com direito a carteira assinada, férias remuneradas e 13º salário. Aliás, nenhum trabalhador tem férias e 13º, e tampouco conta com os sindicatos para pressionar o governo: a lei de greve também foi revogada e os protestos nas ruas só podem ocorrer com autorização da polícia. Com o fim do 13º salário, o comércio natalino foi destruído e muitas lojas que apostavam no movimento da época fecharam, aumentando o número de desempregados.

Nas escolas, policiais militares chegam a algemar crianças pequenas que “se comportam mal” como forma de castigo, parte da “repressão democrática” imaginada pelos assessores educacionais do presidente. Nos livros escolares, a ditadura é chamada de “movimento” e aspectos positivos da prática da tortura em seres humanos são apresentados aos alunos. À frente do Ministério da Educação, um general concretiza o que a direita acusava o PT de fazer: doutrina criancinhas.

Professores que não aceitam os novos parâmetros curriculares são perseguidos e demitidos, como aconteceu nos EUA na época do macarthismo, graças à obrigatoriedade da aplicação do “Escola Sem Partido” em toda a educação pública. Estudantes são estimulados a gravar e denunciar docentes que fogem da cartilha. Os alunos também são obrigados a orar antes das aulas, de acordo com a Bíblia protestante. Outras religiões não são aceitas. Nas aulas de ciências, ensina-se o criacionismo.

Nos livros escolares, a ditadura é chamada de “movimento” e aspectos positivos da prática de tortura em seres humanos são apresentados aos alunos. Os alunos são obrigados a orar antes das aulas e ensina-se o criacionismo nas aulas de ciências.

O desmatamento atinge níveis recordes. As previsões são de que a Amazônia, após a permissão da exploração do parque Nacional do Xingu por uma mineradora dos Estados Unidos, seja reduzida a um quarto do tamanho nos próximos dez anos. O presidente também estabeleceu, via decreto, áreas para “desmate legal” de madeira. Com isso, muitas árvores amazônicas também entraram para a lista de espécies em extinção.

LGBTs são caçados nas ruas por “esquadrões bolsonaristas” e obrigados a se vestir de acordo com as “normas de conduta” baixadas pela presidência da República: para manter a “moral e os bons costumes”, a polícia pode enquadrar em “atentado ao pudor” quem se vestir “em desacordo” com o gênero de seu registro civil. Homossexuais não podem manifestar afeto abertamente nas ruas e, ao se assumirem, ficam impedidos de ocupar cargos públicos. Se continuarem no armário, tudo bem. Bolsonaro revogou a lei que dá o direito aos transgêneros de ter um documento de identidade de acordo com seu nome social, marginalizando-os da sociedade.

O presidente também revogou a lei do feminicídio, que tipificou o crime que atinge mulheres por sua condição de gênero. Com isso, este tipo de crime está cada vez mais em ascensão, dando o Brasil o triste recorde de campeão mundial em feminicídios. O fato de o presidente ter defendido que apenas armar as mulheres seria suficiente para diminuir mostrou-se falso, já que os ex-maridos e companheiros também andam armados.

Com a venda da Petrobras para uma estatal norueguesa, os preços do combustível e do gás de cozinha triplicaram em relação ao governo Dilma Rousseff, do PT. O litro da gasolina já custa 10 reais e o botijão sai por até 200 reais em algumas regiões, maior preço de toda a história. O preço do diesel também explodiu, mas os caminhoneiros não podem protestar porque Bolsonaro sancionou um projeto de sua própria autoria que pune com até 4 anos de cadeia quem obstruir estradas.

A Globo e a Folha, perseguidas por Jair Bolsonaro desde o primeiro dia no cargo, estão à beira da falência. Os outros jornais, TVs e revistas que apoiaram abertamente sua campanha mostram apenas os aspectos favoráveis do governo, aprovadas por um “supervisor” da própria empresa de comunicação. “É preciso transmitir otimismo, isso é bom para o país”, justificam os donos da mídia. Os veículos alternativos foram proibidos, acusados de disseminar “fake news”.

O litro da gasolina já custa 10 reais e o botijão sai por até 200 reais. O diesel também explodiu, mas os caminhoneiros não podem protestar porque Bolsonaro sancionou um projeto de sua própria autoria que pune com até 4 anos de cadeia quem obstruir estradas.

A perseguição a pessoas de esquerda é cotidiana, como prometeu o candidato durante a campanha: “ou vão para fora ou vão para a cadeia”. Uma reforma política extinguiu o PT e o PCdoB foi proibido de usar a palavra “comunista” em sua sigla. Um projeto do filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, tornou crime o comunismo no país. Utilizar os símbolos da foice e do martelo já é motivo suficiente para ir para a prisão.

Líderes opositores e cidadãos comuns fazem fila diante das embaixadas de países europeus em busca de asilo, enquanto a propaganda governamental repete o slogan da ditadura, ops, do movimento militar: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Lá fora, o país já é conhecido pela alcunha de “as Filipinas da América do Sul”.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

História dos “hackers” é completamente inconsistente, diz Sérgio Amadeu, especialista em informática

OBS: É risível o caso dos hackers assim como foi o suposto plano "denunciado" pela Veja. A imprensa capitalista está desesperada com os erros de Bolsonaro e com  possibilidade da volta dos progressistas - que atrapalham a ganancia capitalista - ao poder.

Por isso lança mão de mentiras para que as forças progressistas sejam desmoralizadas, fazendo com que cheguem ao poder apenas quem trabalha em prol da ganância dos mais ricos. Mas com isso, a imprensa oficial acaba cometendo graves gafes e destruindo a sua reputação, ainda respeitada por quem ainda não usa internet.

Amadeu ainda alerta sobre a diferença entre hacker e cracker. O senso comum, alheio a parte técnica da informática, classifica o hacker usando o conceito de cracker.

Veja abaixo a explicação de Sérgio Amadeu, especialista em informática e colaborador do site progressista Nocaute (administrado pelo famoso escritor Fernando Morais), sobre o risível caso dos hackers, comprovando a sua impossibilidade.

Sergio Amadeu, sobre Operação Spoofing: "História é completamente inconsistente"
Equipe Rede Brasil Atual

Em participação por vídeo no site Nocaute, o sociólogo Sergio Amadeu, ativista do movimento do software livre, falou a respeito da Operação Spoofing, que prendeu os supostos hackers que teriam invadido o celular o ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro. Ele diferenciou, inicialmente, os conceitos de crackers e de hackers. “Primeiro, a maioria dos hackers participa de comunidades de desenvolvimento de softwares compartilhados. O hacker não necessariamente é um criminoso, é uma pessoa que pode nem ter curso de computação mas tem grande habilidade para lidar com códigos, tem uma vocação, o que faz com que ele tenha paixão por desafios lógicos, por vencer esses desafios. Já o cracker, em geral, é individualista e usa suas habilidades para obter vantagens pessoais. É preciso fazer uma certa diferenciação.”

Amadeu lembra que, no mesmo período em que o ministro Sergio Moro alegou não ter como comprovar a autenticidade das mensagens, já que havia saído do Telegram em 2017, a revista IstoÉ “inventava” uma matéria afirmando “que existia uma conexão com a Rússia, passava por dentro do Telegram, uma coisa absolutamente sensacionalista, pirotécnica, que já abandonaram”, diz.

De lá pra cá, no entanto, a narrativa mudou. “Os hackers russos, altamente sofisticados, não passam de garotos de Araraquara. Agora, curiosamente, falam que não é bem um hacker, mas o que passou a circular é que seria um ataque de spoofing“, aponta. Amadeu explica que existem três tipos de ataque de spoofing, que significa mascarar, se fazer passar por outro: atacando o endereço de e-mail, IP ou DNS.

De acordo com o sociólogo, a explicação da PF sobre a metodologia da invasão é de que os celulares alvo recebiam ligações contínuas, com o aparelho ficando sem condições de receber a ligação e outra pessoa teria instalado o Telegram para se fazer passar pelo usuário original.Uma justificativa questionável.

“A instalação do Telegram em um computador é possível, mas o Telegram vai mandar ao celular registrado um código para validar a solicitação. Quando envia o código, o telefone está ocupado e o hacker conseguiria captar a mensagem na caixa postal”, explica Amadeu sobre a versão corrente na mídia tradicional. “Desculpe, isso é uma falácia. Mesmo com o celular estando ocupado, o Telegram não manda mensagem de voz, mas um SMS, que não compete com a voz. Essa narrativa é muito esquisita”, pontua.

“Essa história é completamente inconsistente e tem como objetivo anular denúncias gravíssimas que o The Intercept fez. Mesmo pegando quem eles queiram pegar, não se anula a denúncia nem a obrigação do jornalista de ter que divulgar aquilo que ele checou como verdadeiro. E as mensagens são verdadeiras”, diz Amadeu, que em seu perfil no Twitter ainda questionou: “Hacker de Araraquara é DJ e não usa proxy. Equivale a um jogador de futebol sem chuteira“.

domingo, 7 de julho de 2019

Perdemos João Gilberto, pai da moderna música brasileira

Após estar muito doente e quase incapacitado, além de estar e condições financeiras ruins, o criador da Bossa Nova, estilo musical que colocou o Brasil no mapa musical mundial, João Gilberto, faleceu ontem, por causa ainda não informada.

Membros de nossa equipe são fãs de João Gilberto. Mas a morte não nos chocou porque sabíamos sua luta pela saúde inalcançada. Infelizmente, ele morreria, cedo ou tarde. Mas não foi apenas ele que morreu. A música brasileira havia morrido antes. 

Há tempos que não aparece o Brasil algum jovem músico capaz de fazer algo que superasse o mediano. João Gilberto representou o auge de produção da música brasileira. Seus primeiros álbuns são verdadeiras obras primas. 

Por isso não consideramos João apenas como o criador da Bossa Nova, mas também o pai da música brasileira moderna. Podemos separar a fase da música brasileira em Antes de João Gilberto e Depois de João Gilberto. Nada seria o mesmo após o lanamento de Chega de Saudade.

Além o destilo único que interferia até mesmo nas músicas em que não compunha (Gilberto compunha pouco, mas criava os arranjos para as música que gravava), o cantor tinha um ouvido apurado, exigindo ambiente e técnica que fossem sonoramente adequados às suas performances. 

Esta e outra qualidades fizeram de João Gilberto um artista único, a ponto de ser mundialmente conhecido e admirado. Bandas e cantores estrangeiros como Style Council, Matt Bianco, Sade, Dream Academy, Prefab Sprout, etc., já gravaram canções claramente influenciadas pelo estilo do cantor baiano, criando uma espécie de modismo de New Bossa na Inglaterra da segunda metade dos anos 80.

Isso só foi um exemplo, por nós aqui sermos da geração que curtiu a música inglesa dos anos 80, mas a influência de Gilberto na música mundial foi muito maior que isso, a ponto do disco com o jazzista Stan Getz ser um dos melhores discos já gravados em todos os tempos no mundo.

Mesmo aposentado e doente, ficamos tristes com a morte de João Gilberto. Mais tristes ainda em saber que um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos se encontrava em situação deplorável no fim da vida. Um verdadeiro sinal de ingratidão dos brasileiros diante de quem melhorou a qualidade de toda a música em nosso país, além de te-la tornado famosa em todo o mundo.

Por isso, fica aqui o nosso abraço eterno aquele que nos ajudou a sermos mais felizes com suas canções. Valeu João Gilberto. E chega de saudade! Você é eterno.

domingo, 30 de junho de 2019

O perigo dos homens medíocres como Jair Bolsonaro

OBS: Tem estrangeiros que entendem melhor o Brasil do que muitos brasileiros. Além do brilhante Glenn Greenald, a espanhola Esther Solano tem escrito textos e feito declarações que ultrapassam o brilhantismo e possuem uma impressionante sensatez que merece indispenaével atenção. Leiam o texto abaixo falando sobre a mediocridade explícita dos personagens que tomaram o poder desde 2016, incluindo os ultra-estimados Sérgio Moro e Jair Bolsonaro.

O perigo dos homens medíocres como Jair Bolsonaro

Esther Solano - Carta Capital

São sujeitos feridos, mas na alma, que é muito pior do que estar ferido no corpo. São uma fraquejada
Nada mais perigoso do que um homem medíocre e triste que odeia a inteligência e a felicidade alheias. Esta é a cara do governo Bolsonaro. Personagens de uma mediocridade tão ostensiva que disfarçá-la é tarefa impossível. Como me disse um dia um aluno, é a burrice ostentação. Juntam-se a essa mediocridade as paixões tristes que o movem.  
Há dois tipos de medíocre: o que é consciente de sua limitação e fica recolhido nela humildemente ou se esforça para crescer e o que, incapaz dessa humildade ou desse crescimento, tenta destruir, exterminar tudo aquilo ou todos aqueles que brilham mais que ele. Não é preciso dizer a qual dos dois tipos pertencem os patéticos personagens bolsonaristas. 

Também há dois tipos de infelizes: os que lutam em construir a própria felicidade e os que detestam a felicidade alheia e se empenham em arruiná-la. Os que lutam por viver seus desejos livremente e os que odeiam quem os vive. Os que amam em toda a plenitude do amor e os que odeiam quem ama. Tampouco desta vez é preciso dizer a qual dos dois tipos pertencem os patéticos personagens bolsonaristas. 

Acrescente-se uma masculinidade complexada, frágil, mas tão autocentrada que não consegue enxergar para além dela mesma. Homens que odeiam outros homens, que odeiam mulheres, talvez porque, no fundo, esses homens odeiem a si mesmos. Durante minhas entrevistas com eleitores de Bolsonaro, várias mulheres me confessaram que tinham medo de seus maridos, porque a agressividade deles tinha aumentado muito depois de começarem a seguir o “mito”. São os cidadãos de bem. Eu, quando vejo um cidadão de bem na rua, mudo de lado ou saio correndo. São aqueles que não enxergam contradição em ir à igreja aos domingos e apedrejar um homossexual ou agredir a própria companheira em casa. Não veem incoerência em citar a Bíblia e aplaudir Bolsonaro, quando ele faz o gesto de arma na Marcha para Jesus. Suspeito que os homens que sentem tanto tesão por armas não são capazes de sentir tesão por mais nada. De qualquer forma, Jesus não estava nessa marcha, estava na Parada LGBT+.

O curioso nesses cidadãos de bem é que eles pensam ter um canal direto com Deus, como num grupo de WhatsApp ou Telegram, que agora está na moda. Queridos, se Deus existe, deve estar desesperado, se perguntando onde errou para que de um barro supostamente inócuo surgissem seres como vocês. “Deu merda”, Ele deve pensar. São sujeitos feridos, mas na alma, que é muito pior do que estar ferido no corpo. São uma fraquejada.

Não por acaso, querem acabar com as universidades públicas. Para quem é tão medíocre, a inteligência alheia deve ser estarrecedora. Não por acaso, quiseram acabar com Lula em um processo arbitrário. Não por acaso, Bolsonaro recusou-se a ir aos debates eleitorais e a enfrentar um professor. Não por acaso, queiram dominar os corpos das mulheres, pois mulheres livres e fortes devem ser assustadoras para eles. Não por acaso, querem proibir as diversas formas de amor e de família. A vida que eles representam é tão cinza que as cores da bandeira LGBT+ devem ser insuportáveis.

Sujeitos pequenos, tacanhos, intelectualmente ínfimos, figuras que em tempos de normalidade democrática e institucional seriam irrisórias e desapareceriam, engolidas na própria irrelevância. Mas em tempos “desdemocráticos”, em tempos obscuros e autoritários, esses anões se fizeram gigantes e vomitaram sobre todos nós sua capacidade de destruição. Esses mesquinhos estão no poder. Encarnam o mito do homem medíocre. O medíocre que se apresenta como herói. Vejam que drama. Esses heróis iriam salvar o Brasil. Bolsonaro é o “mito”. Moro é o “herói”. 

Na manifestação verde-amarela da Avenida Paulista, em 16 de agosto de 2015, perguntei a vários manifestantes sobre o então juiz Sérgio Moro. A retórica heroica-salvacionista-messiânica era impressionante. Emergia a figura do juiz-Deus, o juiz-Messias, que tinha a tarefa de limpar o Brasil da corrupção, exterminar o câncer. “Moro é o nosso salvador. Moro tem uma missão, limpar o Brasil porque o câncer do Brasil são os políticos corruptos. É dever de todos os brasileiros apoiar a Lava Jato. Ele vai passar o Brasil a limpo. Ele é o homem que estávamos aguardando” (palavras de uma mulher branca de 45 anos). Para essa senhora, sentado à direita de Deus não está Jesus, mas o “conje”.

Estamos nas mãos de homens medíocres que nos odeiam e que se acham heróis. Homens que não têm nenhum problema em destruir as instituições e muito menos a democracia, pois a democracia não os representa. Eles despertaram os monstros e a escuridão. É nosso papel trazer a luz de volta.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

A lorota de que o Nazismo seria de esquerda tem intenção de criminalizar as forças progressivas

Com o fim do pensamento único causado pelo surgimento da internet, que favoreceu a liberdade de expressão - bastante limitada na mídia oficial (TVs, rádios, jornais, revistas) - que surgiu para o bem mas também para o mal. 

Todo mundo resolveu brincar de "revisionismo histórico" e a falta de noção do que é real ou não e o desprezo pela análise intelectual favoreceram o surgimento de um monte de lendas e boatos que desafiam a lógica e o bom senso.

As esquerdas, que representam as forças progressistas e que tem lutado com muito dificuldade pelos direitos da maior parte das pessoas, sempre incomodou as elites gananciosas que querem todos os direitos e benefícios exclusivos para si.

Por isso, eles não cansam de difamar as esquerdas colocando os defeitos tipicamente direitistas nas forças progressistas, criando uma inversão de valores que transforma magnatas gananciosos em "benfeitores altruístas", enganando a opinião pública, forçando-as a aderir às forças conservadoras que desejam manter os privilégios das elites.

A idiota tese de que o Nazismo era de esquerda, inventada pelos extremistas de direita brasileiros é um exemplo disso. A ideia é dar características de vilania às forças progressistas, além de isentar os fascistas brasileiros de qualquer cumplicidade com o Nazismo.

O Nazismo, com a finalidade de fortalecer o Capitalismo, praticou um enorme genocídio para diminuir a quantidade de pessoas e garantir a exclusividade de direitos e benefícios apenas para as grandes elites alemãs. Os extremistas brasileiros não querem ficar com a culpa e a jogam para cima das esquerdas, com a finalidade de criminalizá-las e tirar do cotidiano político.

Apesar da enorme semelhança entre o extremismo de direita brasileiro e o fascismo alemão conhecido como Nazismo, os brasileiros sabem que a comparação pega mal e pode punir os fascistas tupiniquins. É como recusar a segurar uma bomba prestes a estourar nas mãos de quem segura.

Inventar que o nazismo era de esquerda é uma excelente forma de criminalizar as forças progressistas e tranquilizar as elites de que a renda e direitos nunca serão repartidos, ficando retidos nas contas bancárias e nas mansões das grandes elites, favorecendo e aumentando a concentração de renda e de poder. Dá para os extremistas de direita se fingirem de democratas e atraírem para si a simpatia da opinião pública, favorecendo a satisfação de seus interesses.

Está mais do que na cara que a extrema direita brasileira é igual aos nazistas. A tentativa de diferenciar as duas ideologias pelo rótulo é na verdade uma oportunidade de se aproveitar da ignorância da maioria das pessoas e jogá-las contra adversários. Se o Nazismo não fosse malvisto, certamente os extremistas brasileiro teriam o maior orgulho de se rotularem neonazistas. Pois no fundo, eles nunca passam disso.

O nazismo é de extrema direita: igualzinho ao que pensam os admiradores e seguidores do "Coiso".

terça-feira, 25 de junho de 2019

Lula, Bolsonaro e os Estereótipos

Estereótipo é uma marca consagrada relacionada a pessoas ou a coisas em que um grupo de características aparentes serve para defini-las de forma superficial e não raramente equivocada. Para muita gente, as aparências é que contam, pois definir as coisas apenas com os olhos ou com o conhecimento de poucas informações não exige esforço e pode-se fazer um diagnóstico rápido, embora com grandes chances de se cometer uma injustiça.

Para muitos, um líder teria a obrigação de possuir u diploma de nível superior, pois ainda acreditamos que a inteligência plena só seria adquirida após um curso universitário, o que não é verdade. A inteligência é na verdade um processo resultante de uma combinação de fatores, como análise, crítica, verificação de informações, etc.. 

Outra coisa a saber: se é difícil entrar em uma faculdade, graças a provas que na verdade examinam não a inteligência, mas a memória - reparem que as pessoas que tiram melhores notas em qualquer tipo de provas são muito boas em memória - é muito fácil sair delas. Basta frequentar assiduamente aulas e assinar o nome em trabalhos de grupo que o caminho para o diploma é francamente facilitado.

A inteligência deve vir da capacidade cognitiva da pessoa e não adquirida por meios burocráticos como em uma aula acadêmica. Bobagem achar que um pedaço de papel chamado "diploma" seria uma forma segura de comprovar a inteligência de uma pessoa. Membros da equipe deste blog conhecem muitas pessoas portadoras de diploma que demonstram uma burrice surpreendente em muitos assuntos, inclusive nas áreas em que se formaram no nível superior.

Quem é o sábio? Quem é o Analfabeto?

Duas figuras da política brasileira são ótimos exemplos do equívoco resultante de nosso cacoete em definir as coisas através de estereótipos: o ex-sindicalista e ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-militar Jair Messias Bolsonaro.

Para quem se baseia em estereótipos, entre as duas figuras políticas citadas, certamente definiriam Bolsonaro como "sábio" e Lula como "analfabeto". Bolsonaro, por ser capitão, é oficial e para ser oficial militar, a graduação superior é mais do que obrigatória. Lula só possui o ensino médio, exigido pela profissão de metalúrgico que exerceu antes de entrar na política.

Mas se despirmos do estereótipo e analisarmos atitude e falas de cada um, vamos inverter o conceito. A entrevista dada por Bolsonaro no Roda Viva (programa de uma rede de TV que deveria ser pública e que foi devidamente sequestrada pelo PSDB) mostrou um troglodita ignorante cujo nível intelectual é inferior ao de um doente mental com cinco anos de idade. O ex-militar já começa a ser chacota mundial e só consegue ser defendido por gente tão ignorante quanto ele.

Do outro lado, ouça os discursos de Lula ou leia seus textos escritos. São de uma sabedoria ímpar. A própria gestão como presidente foi exemplar, sendo objeto de estudo em faculdades do mundo todo. Lula é definido por cientistas políticos como o melhor presidente brasileiro de todo os tempos e não cansa de demonstrar sua verdadeira inteligência quando fala. E quando mais fala, mais sábio se mostra. Impossível ser a mesma pessoa após ouvir Lula falar, pois sempre se aprende com ele.

Ou seja, enquanto um portador de diploma desfila besteiras quando abre a boca, numa exibição de total desprezo pelo mundo real e total falta de análise, o que não possui diploma dá lições de verdadeira sabedoria. Seria muito perigosa uma guerra comandada por Bolsonaro, um irresponsável desastrado sem noção do mundo real que certamente atiraria para todos os lados, matando muitos inocentes por falta de análise objetiva dos fatos.

Resta saber o que Bolsonaro fazia enquanto estava na universidade, pois estudar é o que ele não estava fazendo. Enquanto isso, o sindicalista "bronco" observava tudo ao seu redor e tirava grandes lições dos menores detalhes de tudo o que via. Lula estudou a vida, que é muito mais complexa do que qualquer coisa ensinada nas melhores faculdades. 

Em matéria de sabedoria natural, Lula já é Pós-PHD. Ou mais do que isto. Dando um banho no militar "letrado" Bolsonaro, que deve usar o diploma para se defender do mico em demonstrar total desconhecimento mínimo dos fatos reais. 

domingo, 23 de junho de 2019

O problema da Meritocracia

Muito se tem falado sobre Meritocracia. Para quem não sabe, Meritocracia, em tese, é quando alguém conquista uma posição social por base do esforço e do acúmulo de conhecimento. Até aí, nada demais. O problema é como essa Meritocracia é posta em prática.

Os defensores da Meritocracia acreditam que o sistema meritocrático é justo porque os "vencedores" (sei de razões que me obrigam a colocar aspas nessa palavra) são julgados de maneira objetiva, analisando suas aptidões e seu conhecimento. Mas os mesmos defensores se esquecem de algumas coisinhas. 

- As regras para essas conquistas são elaboradas subjetivamente pela classe dominante, composta por seres humanos tão falhos quanto os que eles pretendem julgar.

- Desconhecemos a trajetória de muitos "vencedores" e muitos deles podem ter "vencido" não pelos seus méritos, mas por satisfação subjetiva dos interesses de quem os julga, já que os "vencedores" fazem tem o privilégio de fazer as regras, que nem sempre são justas, já que há o desejo de não ferir os próprios interesses.

- Todos os seres humanos tem direitos básicos, que não costumam ser respeitados na Meritocracia.

- Competitividade é sinal de atraso, é coisa adequada ao Reino Animal. Se há competição, é porque um benefício não está sendo devidamente distribuído. A prática prova que sociedades mais atrasadas são mais competitivas, mesmo que essa competitividade seja praticada e defendida pela elite dessas sociedades atrasadas (e quem disse que elite não é ignorante?).

- E será que os critérios para a escolha dos vencedores são realmente justos? A grande ênfase dada ao comportamento durante as entrevistas de emprego (cujo entrevistador é um ser humano, com defeitos), em detrimento da observação das capacidades do candidato, tem contribuído muito para a queda na qualidade de produtos e serviços, praticados pro profissionais sem um mínimo de talento ou vocação. 

Esses fatores tem demonstrado que a Meritocracia exige um gigantesco senso de justiça para ser posta em prática. Um senso de justiça que nem os maiores juristas do Brasil possuem de fato. Algo que pode ser visto apenas em sociedades realmente  evoluídas, como a escandinava.

O Brasil está muito longe de por em prática qualquer tipo de melhoria, Políticos, empresários, celebridades, religiosos, esportistas e outros tipos de lideranças, vivem de oferecer promessas vazias respaldadas pelos seus prestígios sociais. Há muito tempo essas promessas tem se mostrado sem resultado. 

O que mostra que continuaremos com uma Meritocracia cada vez mais injusta e ineficiente, onde burros de gravata ditam regras para  que inteligentes obedeçam sem murmurar. 

terça-feira, 11 de junho de 2019

Dez pontos para entender a gravidade da relação entre Moro e Dallagnol

OBS: Talvez seja o maior escândalo já ocorrido no Brasil e revela que a Lava Jato não era uma operação contra a corrupção e sim para impedir que foras progressistas voltassem ao poder. 

Sabe-se que Moro e Dallagnol eram serviçais do capital internacional e sua missão era além de entregar as riquezas nacionais (como o petróleo, tipos de minério, etc., teria que reduzir salários e direitos dos trabalhadores que trabalharia para extrair estas riquezas que iria para as mãos de gananciosos magnatas estrangeiros. 

Esse é o resumo do objetivo dos golpistas que se aproveitaram da operação para proteger, aumentar e garantir a ganância capitalista internacional. Não admitir isso é estar muito mal informado.

Mas graças ao site The Intercept, do brilhante jornalista Glenn Greenwald, considerado por muitos o melhor jornalista do muno na atualidade, todos agora ficarão sabendo das verdadeiras intenções do golpe de 2016, que nada tinha de combate à corrupção e sim a de proteger intersses gananciosos de uma elite mesquinha e preconceituosa.

Dez pontos para entender a gravidade da relação entre Moro e Dallagnol

Dir.: Fernando Frazão - ABR

A troca de mensagens entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, responsável pela Lava Jato, e outros integrantes da operação ratificou suspeitas e críticas de que o ex-magistrado atuava também como investigador, além de julgador dos casos

11 DE JUNHO DE 2019 ÀS 07:16

Por Paulo Donizetti de Souza e Rodrigo Gomes, da RBA - A troca de mensagens entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, responsável pela Lava Jato, e outros integrantes da operação ratificou suspeitas e críticas de que o ex-magistrado atuava também como investigador, além de julgador dos casos. Entre as conversas reveladas pelo site The Intercept Brasil, estão a combinação de ações, cobranças sobre a demora em realizar novas operações, orientações e dicas de como a força-tarefa da Lava Jato deveria proceder.

O Intercept revelou que até o procurador tinha dúvida sobre as acusações de propina da Petrobras horas antes da denúncia do caso do tríplex no Guarujá. E que a equipe de Ministério Público Federal atuou para impedir a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes das eleições por medo de que ajudasse a eleger o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad. Cooperação ilegal, motivações políticas e sustentação de uma acusação frágil revelam os bastidores da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A RBA listou alguns aspectos importantes do que foi revelado até agora para tentar ajudar o leitor a traduzir o "juridiquês".

1. Separação de funções

No Brasil, o sistema de justiça funciona com partes separadas. A Constituição não considera o Ministério Público – estadual ou federal – como parte do Poder Judiciário. O MP representa a sociedade. A ele cabe reunir provas, formular a denúncia e sustentar a acusação – seus integrantes têm, então, procuração constitucional para advogar em nome da sociedade. Aos juízes e desembargadores, cabe julgar com base nas provas e argumentos, de acusação e de defesa.

Moro auxiliou procuradores do Ministério Público Federal (MPF) e até sugeriu a alteração de ordem das fases da Operação Lava Jato. Perguntava o motivo de alguns pedidos do MPF e orientava a melhor forma de encaminhar as petições. Em um mês que não houve novas operações, Moro cobrou Dallagnol se não era "muito tempo sem operação".

2. O que é um juiz imparcial?

O Código de Ética da Magistratura proíbe essa relação entre juiz e procuradores. Em seu artigo 8 diz claramente: "O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes (acusação e defesa), e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito".

Mas, além de opinar sobre as ações do MPF, Moro também chegou a propor uma resposta conjunta quando o PT emitiu notas criticando a atuação da Operação Lava Jato. "O que acha dessas notas malucas do diretório nacional do PT? Deveríamos rebater oficialmente? Ou pela Ajufe (Associação de Juízes Federais)?", questiona o ex-juiz a Dallagnol.

3. Juiz suspeito

O Código de Processo Penal também é muito claro sobre os limites da atuação do juiz. O artigo 254 define que o magistrado deve se declarar suspeito de julgar um processo, entre outros motivos, "se tiver aconselhado qualquer das partes".

Moro não só aconselhou como incentivou e ofereceu pessoas a serem ouvidas pelos procuradores, com o objetivo de garantir o andamento do processo de acordo com seu objetivo.

4. A lei deveria ser para todos

Moro e Dallagnol também discutiram sobre contra quem dirigir investigações ou não. Quando 77 executivos da empreiteira Odebrecht apresentaram seus relatos, estariam implicados mais 150 nomes do mundo político. Embora costumassem dizer publicamente que "a lei é para todos", ambos conversaram sobre quem recairia a aplicar a lei.

Quando recebeu uma lista um pouco mais detalhada sobre os envolvidos, Moro foi categórico em dizer que as investigações deveriam ter foco sobre o Poder Executivo – à época em que o país fora presidido pelo PT. "Opinião: melhor ficar com os 30 por cento iniciais. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e judiciário", escreveu o atual ministro da Justiça quando era juiz.

5. Processo capenga

Para garantir que o processo ficasse em Curitiba, nas mãos de Sergio Moro, Dallagnol fez uma manobra arriscada. Vinculou os supostos benefícios a Lula no caso do triplex de Guarujá ao esquema de corrupção na Petrobras. Para sustentar essa tese, o procurador não se fiou a provas robustas ou testemunhos inquestionáveis, mas a uma reportagem do jornal O Globo sobre o atraso nas obras do Edifício Solaris quando este ainda pertencia à Bancoop.

"A denúncia é baseada em muita prova indireta de autoria, mas não caberia dizer isso na denúncia e na comunicação evitamos esse ponto", avisou o procurador a Moro. Para dar mais força à denúncia, ele estava ciente que era preciso conquistar a induzir a opinião pública. E não o juiz com quem trocava mensagens quase diariamente. E o fez: construiu uma apresentação de slides em powerpoint e colocou Lula como "chefe" de um esquema de corrupção gigantesco, chamando-o de "líder máximo", mesmo sem ter prova alguma, apenas "convicções".

6. Agentes públicos x privacidade

"Ah, mas as conversas foram obtidas por um hacker. Foi um crime. As autoridades têm direito à privacidade", alegam alguns apoiadores do esquema Lava Jato. Ainda que a obtenção das informações tenham sido obra de um hacker, a divulgação não. Como se tratam de informações de interesse público, de ilegalidades cometidas por agentes públicos no exercício da função, os jornalistas do Intercept se consideraram na obrigação de divulgar (avisando que foi só início). E quando se trata de má conduta de servidores públicos não cabe evocar direito à privacidade, com escreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

É provável que Moro, Dallagnol e os demais procuradores da Lava Jato não possam ser punidos com base em uma prova obtida dessa forma. Por outro lado, a contaminação dos processo em que eles atuaram pelo que foi revelado pode levar a anulação de condenações e de processos que ainda estão em andamento.

7. Inflando protestos

As motivações políticas de Moro e Dallagnol ficam evidentes em uma conversa de 13 de março de 2016, quando as manifestações contra o governo da presidenta Dilma Rousseff atingiram o ápice. O ex-juiz diz querer "limpar o Congresso". O diálogo entre eles revela que as ações da Lava Jato buscavam influenciar a opinião pública contra o governo petista.

Dallagnol: E parabéns pelo imenso apoio público hoje. Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal.

Moro: Fiz uma manifestação oficial. Parabéns a todos nós.

8. Aos inimigos, nem a lei

Apesar de reclamar da divulgação de suas conversas, Moro e Dallagnol dialogaram sobre a revelação das conversas grampeadas ilegalmente entre Lula e Dilma, quando ela o indicou para o cargo de ministro da Casa Civil. No cargo, Lula empregaria de sua capacidade política para tentar conter a escalada da crise que derrubaria Dilma naquele mesmo ano. A ação era ilegal: um juiz de primeira instância não pode autorizar grampo telefônico contra a presidência da República e a gravação foi obtida após o prazo limite da decisão que permitiu o grampo nos aparelhos de Lula.

Moro chegou a pedir desculpas públicas, mas nas conversas com Dallagnol se dizia convicto de ter agido conforme seus objetivos. "Não me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim", escreveu o ex-juiz.

9. Operação anti-PT

Os procuradores da Lava Jato atuam de modo "técnico, imparcial e apartidário, buscando a responsabilização de quem quer que tenha praticado crimes no contexto do mega-esquema de corrupção na Petrobras", segundo escreveu Dallagnol nas redes sociais. Mas quando o STF autorizou uma entrevista de Lula ao jornal Folha de S. Paulo, o partidarismo da equipe ficou evidente. Tanto em lamentações quanto em ações para impedir a entrevista. O medo? Que Lula ajudasse Fernando Haddad a vencer a eleição.

Nas trocas de mensagens, os procuradores buscam formas de impedir a entrevista: descumprir a decisão judicial buscando brechas legais, alegar que a decisão valia para todos os condenados na Lava Jato, convidar outros veículos de comunicação à revelia da decisão judicial. Quando o STF acatou pedido do Partido Novo contra a entrevista, os procuradores deixaram qualquer profissionalismo de lado e comemoraram como final de campeonato: "Devemos agradecer à nossa PGR: Partido Novo!!!"

10. Quem investiga procurador e juiz

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) é o órgão encarregado de controlar e fiscalizar a atuação dos órgãos integrantes do Ministério Público nacional e de seus membros. Integrantes do CNMP já pediram que a conduta de Deltan Dallagnol seja investigada.

O conselho é presidido pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e composto por outros 13 membros: quatro provenientes do Ministério Público Federal; três dos MPs estaduais; dois juízes, indicados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ); dois advogados indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); e dois cidadãos de notório saber jurídico, indicados pela Câmara e pelo Senado.

Por sua, vez, condutas consideradas suspeitas por parte de magistrados são investigadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão é presidido pelo presidente do STF, e um ministro do STJ exerce a função de corregedor. Os outros 13 demais integrantes são: um ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST); um desembargador de Tribunal de Justiça (TJ, segunda instância da esfera estadual); um juiz estadual; um juiz do Tribunal Regional Federal (TRF, segunda instância na esfera federal); um juiz federal; um juiz de Tribunal Regional do Trabalho (TRT); um juiz do trabalho; um membro do MPF; um membro de MP estadual; dois advogados (OAB); e dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados por Câmara e Senado.

Muita gente critica o fato de se ter poucas notícias de punição a procuradores ou juízes porque eles são investigados por seus próprios pares. Portanto, o corporativismo acaba fazendo com que denúncias não sejam levadas adiante. Diante da gravidade das infrações cometidas por Sergio Moro e Deltan Dallagnol, entre outros cujos nomes estão por vir em novas reportagens, o meio especializado tem dito que não apenas o caráter desses dois está em cheque. A reputação do CNMP e do CNJ – enquanto instituições da República – também estará.