sábado, 7 de setembro de 2019

O Patriotismo Teórico

Para os conservadores, o Brasil são dois países: O real, que eles ignoram, que tem o povo, seus problemas e injustiças e também as riquezas que não podem ser cedidas a outrem. E outro, o dos símbolos cívicos e do futebol, cujos únicos problemas são de ordem moral e que devem ser resolvidos com a adesão maciça à religiões consideradas cristãs.

O patriotismo defendido pelos conservadores é puramente teórico. É um patriotismo de fachada, limitado a cultuar símbolos, cantar o hino e achar que a vitória de um time de futebol (a "seleção" nunca passou de um mero time de futebol) vai trazer dignidade aos brasileiros.

Os patriotas teóricos não estão nem aí com soberania. Exigem que todos cantem o hino e declarem seu amor à bandeira, mas não se incomodam em ver a Petrobrás e Eletrobrás falindo e a Floresta Amazônica sendo entregue a estrangeiros. 

Aliás, os conservadores nem se importam se a nossa soberania está sendo violada, permitindo a invasão, mesmo secreta de estrangeiros a vigiar o que estamos fazendo para servir de motivo para usurpação e saques. Ignorar a soberania nacional é permitir que piratas modernos, fantasiados de "responsáveis investidores" entrem aqui para pegar o que quiserem e lavar para as suas nações-natais.

Mas aí nós perguntamos: de que adianta cantar o hino e cultuar a bandeira? Em quê isso irá trazer a nossa soberania de volta? Em quê isso acabará com as injustiças e problemas do país? Como as vidas dos brasileiros vão melhorar pelo simples fato de se enrolar em um pedaço de pano com as cores da bandeira?

Não estou aqui criticando os símbolos cívicos. Se todos os países têm os seus, o Brasil também deveria. Mas eles não foram feitos para serem cultuados o tempo todo. A vida exige ação e há muito o que fazer além de ficar parados diante da bandeira cantando uma música, mesmo que seja o hino. 

É fato comprovado em inúmeras oportunidades de que cultuar símbolos cívicos nunca ajudou a melhorar o país. E o fato dos conservadores desprezarem a soberania nacional, achando que amar a pátria é simplesmente amar os símbolos e ignorar os danos que gringos invasores fazem ao país é algo extremamente reprovável e mostra que os conservadores não são patriotas coisa nenhuma.

Pois o patriotismo exige prática, exige agir para proteger o país e dar qualidade de vida ao povo. Patriotas distribuem renda, lutam pelo fim das desigualdades, pelo fim dos preconceitos e enxerga o futuro, sem a histeria de sonhar com uma volta ao passado, verdadeira meta dos conservadores.

O verdadeiro patriota luta pela soberania nacional e pelo bem estar do maior número de brasileiros. Não foge para o exterior quando as coisas vão mal em nosso país. Fica e luta por direitos dos habitantes, por soberania nacional e pela proteção de nossas riquezas e das empresas que fazem o país progredir.

Se os conservadores acham que cantar hinos antes de um dia de trabalho/estudo é sinônimo de defender a soberania nacional, os conservadores estão errados. Enquanto cantamos o hino diante de uma bandeira sendo sacudida pelo vento, os corsários de terno e gravata entram livremente para saquear os nosso bens. 

Quando a entoação do hino acabar, será tarde demais: deixaremos de ser um país, para sermos um mero território, um mero almoxarifado de reservas para os gringos usurpadores. É isso que os conservadores querem?

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