sexta-feira, 26 de julho de 2019

História dos “hackers” é completamente inconsistente, diz Sérgio Amadeu, especialista em informática

OBS: É risível o caso dos hackers assim como foi o suposto plano "denunciado" pela Veja. A imprensa capitalista está desesperada com os erros de Bolsonaro e com  possibilidade da volta dos progressistas - que atrapalham a ganancia capitalista - ao poder.

Por isso lança mão de mentiras para que as forças progressistas sejam desmoralizadas, fazendo com que cheguem ao poder apenas quem trabalha em prol da ganância dos mais ricos. Mas com isso, a imprensa oficial acaba cometendo graves gafes e destruindo a sua reputação, ainda respeitada por quem ainda não usa internet.

Amadeu ainda alerta sobre a diferença entre hacker e cracker. O senso comum, alheio a parte técnica da informática, classifica o hacker usando o conceito de cracker.

Veja abaixo a explicação de Sérgio Amadeu, especialista em informática e colaborador do site progressista Nocaute (administrado pelo famoso escritor Fernando Morais), sobre o risível caso dos hackers, comprovando a sua impossibilidade.

Sergio Amadeu, sobre Operação Spoofing: "História é completamente inconsistente"
Equipe Rede Brasil Atual

Em participação por vídeo no site Nocaute, o sociólogo Sergio Amadeu, ativista do movimento do software livre, falou a respeito da Operação Spoofing, que prendeu os supostos hackers que teriam invadido o celular o ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro. Ele diferenciou, inicialmente, os conceitos de crackers e de hackers. “Primeiro, a maioria dos hackers participa de comunidades de desenvolvimento de softwares compartilhados. O hacker não necessariamente é um criminoso, é uma pessoa que pode nem ter curso de computação mas tem grande habilidade para lidar com códigos, tem uma vocação, o que faz com que ele tenha paixão por desafios lógicos, por vencer esses desafios. Já o cracker, em geral, é individualista e usa suas habilidades para obter vantagens pessoais. É preciso fazer uma certa diferenciação.”

Amadeu lembra que, no mesmo período em que o ministro Sergio Moro alegou não ter como comprovar a autenticidade das mensagens, já que havia saído do Telegram em 2017, a revista IstoÉ “inventava” uma matéria afirmando “que existia uma conexão com a Rússia, passava por dentro do Telegram, uma coisa absolutamente sensacionalista, pirotécnica, que já abandonaram”, diz.

De lá pra cá, no entanto, a narrativa mudou. “Os hackers russos, altamente sofisticados, não passam de garotos de Araraquara. Agora, curiosamente, falam que não é bem um hacker, mas o que passou a circular é que seria um ataque de spoofing“, aponta. Amadeu explica que existem três tipos de ataque de spoofing, que significa mascarar, se fazer passar por outro: atacando o endereço de e-mail, IP ou DNS.

De acordo com o sociólogo, a explicação da PF sobre a metodologia da invasão é de que os celulares alvo recebiam ligações contínuas, com o aparelho ficando sem condições de receber a ligação e outra pessoa teria instalado o Telegram para se fazer passar pelo usuário original.Uma justificativa questionável.

“A instalação do Telegram em um computador é possível, mas o Telegram vai mandar ao celular registrado um código para validar a solicitação. Quando envia o código, o telefone está ocupado e o hacker conseguiria captar a mensagem na caixa postal”, explica Amadeu sobre a versão corrente na mídia tradicional. “Desculpe, isso é uma falácia. Mesmo com o celular estando ocupado, o Telegram não manda mensagem de voz, mas um SMS, que não compete com a voz. Essa narrativa é muito esquisita”, pontua.

“Essa história é completamente inconsistente e tem como objetivo anular denúncias gravíssimas que o The Intercept fez. Mesmo pegando quem eles queiram pegar, não se anula a denúncia nem a obrigação do jornalista de ter que divulgar aquilo que ele checou como verdadeiro. E as mensagens são verdadeiras”, diz Amadeu, que em seu perfil no Twitter ainda questionou: “Hacker de Araraquara é DJ e não usa proxy. Equivale a um jogador de futebol sem chuteira“.

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