domingo, 23 de junho de 2019

O problema da Meritocracia

Muito se tem falado sobre Meritocracia. Para quem não sabe, Meritocracia, em tese, é quando alguém conquista uma posição social por base do esforço e do acúmulo de conhecimento. Até aí, nada demais. O problema é como essa Meritocracia é posta em prática.

Os defensores da Meritocracia acreditam que o sistema meritocrático é justo porque os "vencedores" (sei de razões que me obrigam a colocar aspas nessa palavra) são julgados de maneira objetiva, analisando suas aptidões e seu conhecimento. Mas os mesmos defensores se esquecem de algumas coisinhas. 

- As regras para essas conquistas são elaboradas subjetivamente pela classe dominante, composta por seres humanos tão falhos quanto os que eles pretendem julgar.

- Desconhecemos a trajetória de muitos "vencedores" e muitos deles podem ter "vencido" não pelos seus méritos, mas por satisfação subjetiva dos interesses de quem os julga, já que os "vencedores" fazem tem o privilégio de fazer as regras, que nem sempre são justas, já que há o desejo de não ferir os próprios interesses.

- Todos os seres humanos tem direitos básicos, que não costumam ser respeitados na Meritocracia.

- Competitividade é sinal de atraso, é coisa adequada ao Reino Animal. Se há competição, é porque um benefício não está sendo devidamente distribuído. A prática prova que sociedades mais atrasadas são mais competitivas, mesmo que essa competitividade seja praticada e defendida pela elite dessas sociedades atrasadas (e quem disse que elite não é ignorante?).

- E será que os critérios para a escolha dos vencedores são realmente justos? A grande ênfase dada ao comportamento durante as entrevistas de emprego (cujo entrevistador é um ser humano, com defeitos), em detrimento da observação das capacidades do candidato, tem contribuído muito para a queda na qualidade de produtos e serviços, praticados pro profissionais sem um mínimo de talento ou vocação. 

Esses fatores tem demonstrado que a Meritocracia exige um gigantesco senso de justiça para ser posta em prática. Um senso de justiça que nem os maiores juristas do Brasil possuem de fato. Algo que pode ser visto apenas em sociedades realmente  evoluídas, como a escandinava.

O Brasil está muito longe de por em prática qualquer tipo de melhoria, Políticos, empresários, celebridades, religiosos, esportistas e outros tipos de lideranças, vivem de oferecer promessas vazias respaldadas pelos seus prestígios sociais. Há muito tempo essas promessas tem se mostrado sem resultado. 

O que mostra que continuaremos com uma Meritocracia cada vez mais injusta e ineficiente, onde burros de gravata ditam regras para  que inteligentes obedeçam sem murmurar. 

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