segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Os Estados Unidos não se importam com os venezuelanos, só querem saber do petróleo do país

OBS: Somente os mal-informados podem achar que os ataques dos EUA e a mando destes para tentar derrubar o governo de Nicolas Maduro, co siderado uma ditadura, apesar de ser uma das maiores democracias do planeta, existem para beneficiar o povo venezuelano. 

É fácil para qualquer um que tenha o cérebro funcionando normalmente que os EUA querem o petróleo e as riquezas naturais da Venezuela e por isso quer derrubar Maduro, que não está disposto a entregar essas riquezas a gringos.

Os EUA sempre querem os recursos naturais de outros países e com a crise de 2008, esta querência aumentou, forçando a potência em fase de decadência a derrubar governos de nações naturalmente ricas desses recursos para colocar governantes dispostos a entregar aos EUA tudo que fosse possível, além de escravizar a população para que ela trabalhe quase de graça para a extração destes recursos.

Com a mais absoluta certeza: Os EUA não incomodarão ditadores dispostos a lhes entregar recursos naturais e farão de tudo para derribar democratas que lutem para preservar recursos nas mãos do seu próprio povo. Os EUA são a pátria da ganância e ter mais e ser mais do que os outros sempre foi a sua meta. Ainda mais que os EUA estão aos poucos deixando de mandar no mundo.

Os Estados Unidos não se importam com os venezuelanos, só querem saber do petróleo do país

Por Chris Penha - Correio da Elite

POR QUE TIO SAM ESTÁ POUCO SE LIXANDO COM A DITADURA NA ARÁBIA SAUDITA MAS SE DIZ PREOCUPADO COM A VENEZUELA? 

Vamos pensar um pouco, deixar de ser marionete da mídia brasileira e dos americanos. Tio Sam nunca esteve preocupado com democracia em lugar nenhum do planeta. Sempre que foi conveniente aos seus interesses imperialistas, apoiaram os piores ditadores no Oriente Médio e na América Latina, como no Brasil pós 1964.

Arábia Saudita é um reino, dominado por uma família. É uma ditadura sanguinária onde até outro dia não era permitido às mulheres assistirem um jogo de futebol. Mas possuí a segunda maior reserva de petróleo do planeta: 265,9 bilhões de barris, sendo um dos maiores fornecedores dos Estados Unidos. A família de Osama bin Laden é uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita e tinha negócios com os americanos até pouco antes dos fatídicos atentados de 2001. Saddan Hussein também foi outro aliado importante, não só pela questão do petróleo mas por se opor ao regime iraniano dos Aitolás que tinha derrubado um ditador marionete de Tio Sam na Revolução Iraniana de 1979, o xá Reza Pahlavi no poder desde 1941. Na guerra Irã x Iraque nos anos 80, os americanos forneceram armas ao Iraque pra depois invadir o país, quando Saddan já não se comportava como Washignton queria.

E o que a Venezuela tem a ver com isso? Simples. A Venezuela possuí a maior reserva de petróleo do planeta: 297,7 bilhões de barris e a PDVSA tem negócios em solo americano como a rede de distribuição e postos CITGO. Apesar disso, antes do chavismo, mais de 80% da população vivia na miséria. A partir do momento em que Chavez direciona parte da riqueza do petróleo para a maioria da população, através de políticas de distribuição de renda, além de fortalecer e renovar as Forças Armadas comprando armamentos pesados da Rússia, a economia do país passa a ser sabotada, interna e externamente.

Não muito diferente do que vimos aqui após o pré-sal, com a diferença que na Venezuela o Exército não é capacho dos americanos e parte da população foi politizada, ao contrário daqui onde o povo assiste o desmonte do país na tela da Globo sem fazer nada. Não se pode analisar a questão da Venezuela sem ver os interesses por trás que envolvem o petróleo. Se fosse pela democracia, Tio Sam não teria se aliado aos piores ditadores e governantes em todos os cantos do planeta, inclusive na Venezuela antes de Chaves ou ao nosso projeto de ditador, Bolsonaro. Agora, vamos olhar a situação da “democracia” brasileira, com golpe disfarçado de impeachment e prisão sem provas do maior líder de oposição, antes de meter o nariz na situação venezuelana, numa operação que de ajuda humanitária não tem nada. Também é preciso entender que o pré-sal é uma das maiores reservas de petróleo descobertas neste século. Não fosse por isso talvez os americanos não estivessem tão “preocupados” com nossa “democracia”.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Os 4 erros que aparecem nos escândalos de corrupção

OBS: Jean Wyllys, um dos poucos políticos que se empenhou em um trabalho sério e humanitário e que se encontra exilado após sofrer ameças, postou anos atrás em seu Facebook interessantes observações sobre o que aparece nas cabeças das pessoas quando o assunto é corrupção. São observações que nós não havíamos percebido e são bastante coerentes.

Sinceramente as pessoas infelizmente não sabem o que é corrupção. Num misto de crença religiosa, torcida de futebol e plateia de novelas, as pessoas costumam ser bastante subjetivas ao tentar entender e julgar os casos de corrupção, ignorando que é algo muito complexo, difícil de ser resolvido e que uma simples retirada de "vilões escolhidos" nunca conseguirá encerrar esse tipo de prática.

Corrupção é algo que envolve uma corrente gigantesca e quase invisível, onde não apenas políticos se envolvem, mas quase todos que estão no poder, seja político, econômico e até cultural e social (setores que muita gente ainda acredita ser impossível aparecer casos de corrupção).

Wyllys escreveu os quatro pontos observados quando se toca no assunto de corrupção e os comentou. Leiam, pois é bem interessante e se entendermos bem o que ele escreveu, vamos parar com as asneiras ditas frequentemente quando tratamos cada caso de corrupção isoladamente, se esquecendo que a corrupção é uma pequena parte de uma rede monstruosamente complexa, que somente a educação e o fim da ganância financeira podem tentar exterminar.

Os 4 erros que aparecem nos escândalos de corrupção

Por Jean Wyllys, em seu perfil oficial no Facebook

Existem quatro erros comuns que se repetem cada vez que um caso de corrupção vem à tona e se transforma no “escândalo”, sobre os quais precisamos refletir:

1. O problema da corrupção não são os casos individuais, porém, cada vez que um caso de corrupção estoura na mídia, é tratado como se fosse um caso isolado. Assistimos, então, à construção de um “vilão”, sobre o qual recai a culpa por algo que não é mais do que um sintoma de um problema sistêmico. Nenhum partido (nem o PSOL) está isento de ter, em suas fileiras, um corrupto. Se o problema fosse apenas existirem pessoas corruptas, não seria tão grave: a solução seria apenas identificar e expulsá-las. Mas sabemos que o problema não é esse.

A corrupção é um componente inevitável de um sistema de governo em que as campanhas são financiadas por bancos, empreiteiras, empresários do agronegócio, igrejas fundamentalistas milionárias e todo tipo de lobistas; a governabilidade se garante comprando votos no Congresso (e o “mensalão”, seja petista ou tucano, não é a única maneira de se fazer isso; existem formas indiretas, como a distribuição, entre partidos aliados, de ministérios e órgãos públicos em função não do mérito, mas do orçamento) e governantes e parlamentares se preocupam mais em agradar empresários e corporações do que em manter o espírito republicano.

2. O problema da corrupção não é só moral. O “udenismo” costuma dominar o debate sobre a corrupção, e tudo é reduzido a desvios éticos individuais. A corrupção é também um problema econômico (porque são bilhões de reais que “somem” do orçamento da União, dos estados e dos municípios) e, sobretudo, um problema POLÍTICO. Não é por acaso que o PT, que antigamente era visto como o partido da ética, passou a se envolver cada vez mais casos de corrupção desde que chegou aos governos.

A corrupção acompanhou a aliança com o poder financeiro e o agronegócio; veio junto com submissão ao fundamentalismo religioso e com os acordos cada vez mais escandalosos com pilantras disfarçados de pastores que dominam o Congresso; acompanhou o uso da repressão contra o povo nas ruas e a adoção do discurso da “segurança nacional” que, no passado, foi usado para reprimir aqueles que hoje estão no governo. Ou seja, o que houve não foi uma degradação moral, mas uma renúncia ideológica e programática.

E, por isso, a grana e os privilégios do poder substituíram, em muitos petistas (não em todos nem mesmo na maioria militante!), as convicções e a vontade de mudar o mundo como razão para se engajar na política. Então, se realmente quisermos acabar com a corrupção, o primeiro passo é voltar a dotar a política de sentido e conteúdo, para que mais gente entre nela desejando mudar o mundo e não ficar rico.

3. O problema da corrupção não é apenas a violação das normas, mas o fato de ela muitas vezes ser as próprias normas. Um bom exemplo disso é o financiamento de campanhas, que está sendo julgado pelo STF: se um candidato faz uma campanha milionária financiada por empreiteiras e empresários do transporte e, já eleito, tem que decidir entre aumentar ou não a passagem de ônibus ou tem de escolher entre os direitos dos moradores e os interesses de uma empresa cujo projeto imobiliário implica em removê-los, qual será mesmo a escolha dele? Se um senador teve sua campanha financiada pelo agronegócio, vai votar a favor de que tipo de Código Florestal?

Sendo assim, esse sistema eleitoral, que leva à formação de mega-coligações para garantir a governabilidade, não pode prescindir da corrupção. Ou vocês acham que o partido do sistema, que já foi aliado de petistas e tucanos, vai votar as leis porque lhe parecem boas se não tiver mais dois ministérios em troca? Tem inúmeras condições estruturais que favorecem ou até impõem a corrupção como combustível necessário para o funcionamento do sistema. Por isso, de nada adianta fazer, da corrupção, um problema apenas moral se não fizermos mudanças estruturais; se não mudarmos as regras do jogo.

4. A corrupção não é o único nem o mais importante problema da política. Vamos supor, por um instante, que fulano, candidato a presidente, governador ou prefeito, é uma pessoa comprovadamente honesta, no sentido mais restrito do termo: jamais usaria do cargo para se beneficiar ou beneficiar amigos e familiares; jamais enriqueceria com dinheiro público; jamais roubaria ou seria cúmplice ou partícipe de um roubo. Contudo, esse mesmo fulano defende uma política econômica que prejudica os trabalhadores; é fundamentalista, racista, homofóbico, tem ideias ultrapassadas sobre as relações humanas; é autoritário, personalista e etc. logo, a honestidade dever ser um dos requisitos para se escolher um político, mas não podemos nos esquecer de que o mais importante é a política que ele faz ou propõe: as ideias, o programa, a visão de mundo, os interesses em jogo.

Colocar a corrupção (vista, como já dissemos, como um problema moral, exclusivamente individual, identificado apenas com um determinado setor político e, ao mesmo tempo, despolitizado no sentido mais amplo) é também uma forma de esconder os verdadeiros debates de que o país precisa, como se todos os nossos problemas se reduzissem a três ou quatro escândalos convenientemente destacados nas manchetes.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Porque ninguém contesta as regras do mercado capitalista?

Vocês já devem ter ouvido falar em vários lugares: o mercado está mais exigente, o mercado está mais rápido, o profissional tem que ser mais dinâmico, agressivo, patati, patatá...

Mas repararam que ninguém contesta as estressantes regras do mercado capitalista? Fica a impressão que os empresários, executivos e investidores são seres perfeitos, que nunca erram, que são bondosos e "tutores" da humanidade. Mas erram sim, e muito. Desejar ser ricos já é um grande erro cometido por eles.

Ninguém percebe que stress é coisa ruim? Que onde nada é tranquilo é porque algo está errado? Que essa obsessão toda por lucros rápidos só aumenta a má distribuição de renda e piora a qualidade de vida?

Porque ninguém diz que os empresários estão errados? Porque confiar cegamente em alguém que não entende qualquer assunto que não inclua a palavra dinheiro? Porque confiar cegamente em seres que fazem tão mal a humanidade perpetuando a má distribuição de renda, manobrando a mídia e criando mecanismos que façam com que os menos favorecidos se sintam "felizes" com as escassas esmolas que recebem?

Vamos repensar as regras de mercado! Chega de lucros estratosféricos.! Chega de exagerar nas exigências na hora de contratar um profissional! Lucrar é bom, mas lucrar às custas do sofrimento alheio é crueldade. Livre iniciativa é crueldade quando se impede a liberdade do outro. Não dá para todo mundo ser livre junto?

Aí depois os capitalistas aparecem dizendo que são democratas, que são equilibrados, que ajudam a humanidade, etc..

Esse stress todo poderá gerar danos irreversíveis à coletividade. Esperem e vocês verão.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Bolsonaro leva o Brasil à beira do abismo

OBS: Pepe Escobar é atualmente um dos melhores jornalistas e analistas de política internacional do mundo. Colaborador de vários jornais estrangeiros, Escobar viaja a todos os cantos do mundo atrás dos fatos e os analisa de forma única, objetiva e verdadeira. 

Mas também faz grades análises do cenário brasileiro, apesar da política internacional ser a sua especialidade. Publicamos aqui a análise precisa do governo Bolsonaro, feita por Pepe Escobar e que merece ser lida e divulgada. Aproveitem para assistir os vídeos com as análises de Pepe no canal TV 247, para conhecer melhor o que acontece pelo mundo e como isso interfere em nosso país.

Bolsonaro leva o Brasil à beira do abismo

Pepe Escobar - Brasil 247 - 5 de Fevereiro de 2019

Enquanto avulta a especulação sobre até quando Jair Bolsonaro resistirá, seu governo de extrema-direita está realizando um trabalho subterrâneo para a tomada de grandes parcelas da floresta virgem amazônica pelos grupos mais empenhados do agronegócio.

Um espectro assombra as elites brasileiras. Ele se chama Lula – o ex-presidente e, nos últimos nove meses, um dos prisioneiros políticos mais notórios do mundo, dada sua enorme popularidade e a controvérsia sobre sua condenação e encarceramento.

O Brasil, que até recentemente era um dos líderes do Sul Global, membro dos BRICS e oitava maior economia do mundo, dança perigosamente sobre o abismo: À performance altamente criticada do presidente Bolsonaro em Davos, vêm acrescentar-se detalhes dramáticos sobre as ligações perigosas entre o clã Bolsonaro e um dos mais notórios sindicatos do crime no Rio, sem mencionar o veto da Arábia Saudita às importações brasileiras de carne, resultado direto da promessa do novo presidente de transferir a Embaixada brasileira para Jerusalém.

Tudo isso volta os holofotes para o autocrata que está à espera; o vice-presidente e general aposentado Hamilton Mourão.

Para os financistas e o poderoso lobby do agronegócio que desempenharam um papel fundamental em sua eleição, Bolsonaro traz embaraços e torna-se dispensável. Mourão já disse que Ernesto Araujo, o novo ministro das Relações Exteriores, - um medíocre diplomata de baixo escalão, subserviente a um dos filhos de Bolsonaro - não foi capaz de formular a complexa política externa brasileira.

Como se não bastasse, o embaixador alemão Georg Witschel, em uma visita a Mourão, fez questão de salientar que não apenas Berlim, mas também as autoridades da União Européia em Bruxelas, ficaram chateadas ao ver o Brasil liderado por alguém com tão pouco respeito pelos direitos humanos, e isso bem no meio das negociações para um Pacto de Livre Comércio entre o Bloco Comercial Sul-Americano Mercosul e a UE.

Em São Paulo - capital financeira da América Latina – propaga-se o rumor de que um "golpe brando" em câmera lenta poderia estar em andamento para remover o novo presidente. Um documentário explosivo está prestes a ser transmitido pela poderosa Rede Globo mostrando, com a ajuda de especialistas americanos, que o “esfaqueamento” sofrido por Bolsonaro em setembro passado, durante sua campanha presidencial, foi, na verdade, um ardil publicitário.

Tudo parece desaguar em um caminho já trilhado: A eterna negociação entre militares e o império midiático da Globo, que, ao lado de Washington, apoiou ferozmente o golpe de 1964, resultando em uma ditadura militar de 21 anos. Isso levou à especulação sobre a possível emergência de Mourão como presidente.

Nessa hipótese, a pacificação das massas em benefício da reconciliação nacional pode até envolver a libertação de Lula para alguma forma de prisão domiciliar. Mas tudo isso ocorre em meio a conversas sobre mais privatização de empresas estatais.

Mas como chegamos a isso?

Expulsar os “comunistas”

O pai do general Mourão foi um ator importante do golpe de 1964 e seu filho, Hamilton Mourão sempre foi um adversário ferrenho dos dois presidentes, Lula e Dilma Roussef. Em 2017, ele disse que chegara o momento de mais um golpe militar. Imediatamente após a vitória de Bolsonaro-Mourão, ele jurou que o Presidente Nicolas Maduro seria derrubado e que o Brasil iria enviar uma força de “paz”. Bolsonaro fora até obrigado a frisar que Brasília não cogitava uma guerra contra Caracas.

As forças armadas brasileiras devem ser analisadas pelo ângulo do “terrorismo nunca mais”. O site Ternuma explica como os "comunistas", após o fim da ditadura militar em 1985, de "criminosos" tornaram-se "heróis" e de "terroristas" viraram "idealistas políticos", sempre saudados pela mídia. A “democracia” brasileira por ser tida como imposta, é desprezada, refém da “falsa política dos direitos humanos” e os sem-teto e os sem-terra são devidamente criminalizados.

Este ódio a todas as vertentes da esquerda combina-se com o lema “O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” - que não por acaso foi reapropriado da Brigada de Paraquedistas do Exército e tornou-se o mantra de campanha de Bolsonaro. Tanto Bolsonaro quanto Mourão são ex-paraquedistas.

Um coronel, Claudio Casali, explicou como o lema - ressurgido nos últimos anos - foi cunhado em 1968 por um grupo de paraquedistas nacionalistas, enquanto a ditadura militar estrangulava a cultura e a mídia.

O lema fez combustão nos quartéis militares, mais uma vez, durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff que, em uma tentativa de apagar o incêndio político, foi forçada a nomear Celso Amorim, o ex-ministro de Relações Exteriores de Lula - recentemente entrevistado pelo Asia Times - como ministro da Defesa.

Antes mesmo da reeleição de Dilma no final de 2014, Bolsonaro visitou a elite da Academia Militar das Agulhas Negras, prometendo “consertar” o Brasil. Toda a cadeia de comando militar apoiou-o entusiasticamente.

Foco na Floresta Amazônica

O que os militares brasileiros realmente pensam está claramente exposto em seu site, estritamente ligado a um poderoso grupo de generais - entre eles Augusto Heleno, Eduardo Villas-Boas, Sergio Etchegoyen e Mourão. O atual comandante das forças terrestres brasileiras é o padrinho de Etchegoyen. Essa elite militar medita sobre a melhor via de promoção do Exército brasileiro sob o governo de Bolsonaro e até mesmo consegue inverter a Teoria da Guerra Híbrida, analisando as formas pelas quais os "comunistas" se aproveitaram de suas técnicas.

O que aconteceu foi que o “golpe” por etapas de 2016/18 no Brasil revelou-se ser a forma mais sofisticada de Guerra Híbrida já implantada pelo poder judiciário-policial-militar e seus aliados financeiros, empresariais e midiáticos, levando ao impeachment da Presidente Dilma por meio de acusações inconsistentes e à prisão de Lula sem evidências concretas de corrupção.

Previsivelmente, o debate intelectual nas academias militares brasileiras reflete o dos Estados Unidos, incluindo a reapropriação da MOUT - Operações Militares em Ambiente Urbano, concebida pela Rand Corporation - e aplicada pelo exército da OTAN do Presidente Macron contra as manifestações dos Gilet Jaunes ou Coletes Amarelos na França.

Podemos estar entrando agora em uma nova e perigosa fase da Guerra Híbrida - como os militares brasileiros a interpretam. Discuti isso extensivamente com um dos principais especialistas brasileiros, o antropólogo de guerra Piero Leirner, professor da Universidade Federal de São Carlos. Leirner me contou como as forças armadas realmente acreditam que devem “militarizar” os fazendeiros para combater uma suposta aliança guerrilheira do Partido dos Trabalhadores com o PCC, sindicato do crime organizado - uma noção absolutamente espúria.

A latitude a partir da qual se deve observar o Brasil é uma região saída diretamente do Coração das Trevas de Joseph Conrad, situada ao redor de São Gabriel da Cachoeira, na margem norte do Rio Negro, o terceiro maior município do Brasil, e o segundo maior no imenso Estado do Amazonas.

Imagine uma imponente torre de vigilância coberta por densas florestas tropicais a não menos de 1.100 km de Manaus, capital do Estado. Não por acaso, a região do Alto Rio Negro está muito próxima das fronteiras colombiana e venezuelana. Há uma Brigada do Exército solitária no local; não é exatamente o que se precisa para uma "invasão" da Venezuela. Além disso, a selva é implacável – somente um desembarque aéreo é viável.

E, no entanto, para os militares, essa fronteira extrema e erma pode ser transformada em um dos Bálcãs brasileiros. Por quê? Porque poderia desembocar em confrontos de terras na floresta estimulando provavelmente conflitos com os indígenas Yanomami.

Em sintonia com as promessas de campanha de Bolsonaro de abrir a Amazônia ao agronegócio - pesadelo dos ambientalistas do mundo inteiro - Leirner diz que as forças armadas parecem estar preparando o terreno para a ocupação dessas florestas virgens por poderosos fazendeiros gaúchos do sul profundo do país. As grandes gestoras de ativos, BlackRock, State Street e Vanguard, são as principais acionistas dos cinco maiores agronegócios já em operação na Amazônia.

Coturnos prontos para agir

Além da Amazônia, os militares brasileiros continuarão projetando poder em sua esfera de influência geopolítica do Atlântico Sul; nos Andes, na África e no Caribe. O general Heleno foi enviado ao Haiti como comandante das forças de paz da ONU. Ele também foi o maior comandante da floresta amazônica.

Os mais graduados generais têm cargos ministeriais importantes no governo Bolsonaro. Segundo Leirner, nada menos que 20% do escalão superior está agora totalmente empregado. Nesta quarta-feira, o general Villas-Boas foi nomeado conselheiro especial de Heleno, o Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, conhecido por sua sigla GSI. O GSI é o braço da inteligência do governo federal. Heleno é o estrategista chefe de Bolsonaro.

Bolsonaro nunca teve vergonha de defender os crimes da ditadura militar, e muito menos de exaltar torturadores notórios no Congresso. Sua popularidade e habilidade em manejar as redes sociais causaram grande impressão dentre os principais generais - que o identificaram como o homem perfeito para trazê-los de volta ao poder.

Eles sabiam que Bolsonaro sofria de várias imperfeições e que estar de volta ao controle total seria apenas uma questão de tempo. No entanto, problemas podem surgir do fato de que, como Leirner enfatiza, Mourão é apenas um técnico e carece do apelo carismático de Bolsonaro.

Embora os militares brasileiros exibam diferentes graus de nacionalismo, todos se aliam em torno de um forte corporativismo. A questão é se eles serão capazes de superar a marca registrada do país, a saber, a alienação e a mentalidade subimperial de uma antiga colônia esclavagista que ainda não atingiu a consciência hegemônica de sua grandeza como parte de um mundo multipolar emergente.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

O ódio humano cresce e ignora limites

Anos atrás, que foi postado no feed de notícias do Facebook de um de nossos membros foi um horror. Por causa de uma foto tirada na Parada Gay, religiosos e ateus praticamente saíram na porrada verbal, cada um defendendo sua opinião particular como se fosse um patrimônio a ser preservado. 

Mas não e só nesse assunto. Tem sido assim nos últimos dois anos em qualquer tipo de conversa, sobretudo quando assunto é política, religião ou entretenimento.

Muitos tentam responsabilizar a internet, outros tentam responsabilizar o cenário político atual. Mas eu dou meu diagnóstico: estamos cada vez menos racionais. Pensamos menos e acreditamos mais. Aprendemos a ser ignorantes porque exige menos esforço e preserva nossos interesses, vários deles supérfluos.

Ao invés de analisarmos as questões, tentando entender se o ponto de vista a nos ser jogado na cara está certo ou não, já julgamos de antemão a sua inviabilidade, pelo simples fato de não ser a "nossa" opinião.

Muitas pessoas acabam transformando suas opiniões em patrimônio. Crescem acreditando em certas ideias e se beneficiam com elas. Este beneficio - geralmente falso, típicos de zonas de conforto -  os faz transformar essas opiniões em patrimônios e quando aparece alguém para invalidá-las, os donos das opiniões as agarram com firmeza, bradando feito leões famintos se recusando em abrir mão delas.

É esta a origem de muitas brigas, em que as pessoas preferem defender as opiniões, gostos, ideias e costumes que lhes dão conforto e alegria do que analisá-las para ver se estão corretas ou não. É a raiz não somente dessas discussões mas de muitos problemas que existem na sociedade. A teimosia em defender absurdos tem sido muito útil para manter privilégios de lideranças e preservar injustiças, além de criar um monte de preconceitos.

E usar a lógica, o raciocínio, parece desagradável para a maioria dos brasileiros, já pouco afeita a intelectualidade e que considera a credulidade, ou melhor, a confiança (que eles chamam de"fé") como sua maior qualidade. Raciocinar, além de exigir esforço, exige abnegação (a saída das zonas de conforto). Para muitos não parece bom se livrar de valores e prazeres aprendidos como sendo "benéficos" durante muitos e muitos anos. Daí que muitos preferem continuar como estão, defendendo o que acreditam.

Não sabemos em que tempo isso vai parar, mas sabemos como: quando as pessoas aprenderem a raciocinar e considerarem a possibilidade de largar alguns pontos de vista que defendem, como crianças a largarem suas chupetas quando chegam a uma determinada idade. E crianças bem birrentas!

Que sabe a origem dessas brigas todas está na teimosia de querer "usar chupetas" por muito mais tempo?