terça-feira, 30 de julho de 2019

Como seria o Brasil de Bolsonaro (de acordo com suas próprias palavras)

.OBS: Este texto tem um tempo mas mostra como é esta figura abjeta que aos poucos mostra a sua verdadeira face e suas verdadeiras intenções.


Ninguém deu ouvidos ao #elenao, mas deveria. Bolsonaro tem intenções claras de destruir o país e sua humanidade, incluindo adeptos, que ingenuamente continuam a apoia-lo sem medir consequências. Fora, Bolsonaro!

Como seria o Brasil de Bolsonaro (de acordo com suas próprias palavras)

Cynara Menezes - Blog Socialista Morena

Um exercício futurístico sobre o destino que nos reserva se o candidato de extrema-direita for eleito no próximo domingo.

Com a Câmara Federal presidida por um dos filhos do presidente da República e o Senado pelo outro filho, o Brasil virou uma dinastia militar-civil-teocrática desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder. A expressão “estado policial” é a exata tradução do que vivemos: violência, repressão e banhos de sangue se tornaram parte do cotidiano do brasileiro.

Depois que o presidente Jair liberou as armas de fogo para toda a população, os atentados a bala, antes raros no país, tornaram-se frequentes. A exemplo do que acontecia nos Estados Unidos de Donald Trump, que não foi reeleito, pelo menos um massacre por mês é perpetrado. O número de pessoas, muitas delas crianças, atingidas por tiros acidentais dentro de casa se multiplicou em 3000%.

A lista de animais em extinção já tem mais de 100 espécies desde que o ex-militar ocupou o poder e extinguiu o ministério do Meio Ambiente. Com a caça “esportiva” liberada em todo o território nacional, animais da fauna brasileira estão desaparecendo com uma rapidez nunca vista desde a colonização do país pelos portugueses. Os órgãos de meio ambiente nada fazem, até porque uma das primeiras ações de governo de Bolsonaro foi transformá-los em órgãos sem nenhum poder de fiscalização e punição.

A polícia e as Forças Armadas têm mantido os moradores das comunidades carentes acuados, com medo de sair de casa. O toque de recolher foi instituído em todas as regiões pobres das grandes cidades. De acordo com pesquisas clandestinas, já que o governo controla os dados oficiais, o número de jovens negros inocentes mortos em “autos de resistência” subiu 500% desde que Bolsonaro concedeu excludente de ilicitude para os policiais, uma espécie de salvo-conduto para matar. Parte da população, porém, não parece se solidarizar com as mães de família pobres que perderam seus filhos. “Se morreu é porque alguma coisa fez”, defendem os bolsonaristas.

O número de jovens negros inocentes mortos em “autos de resistência” subiu 500% desde que Bolsonaro concedeu excludente de ilicitude para os policiais, uma espécie de salvo-conduto para matar.

Mesmo com os cidadãos armados e a polícia matando “suspeitos”, todos eles negros, a rodo, os índices de criminalidade não param de subir, impulsionados pelo aumento da desigualdade social e da miséria. Expulsos de suas terras, índios e quilombolas engrossam a multidão de brasileiros desabrigados e sem casa para morar, vivendo em barracos na periferia das grandes cidades. Tampouco há quem os defenda, já que os líderes dos sem-terra e dos sem-teto estão presos acusados de “terrorismo” e as ONGs foram proibidas de atuar em território nacional.

Até mesmo as lideranças do agronegócio, velhos aliados de Bolsonaro, têm mostrado insatisfação com os rumos do governo, já que o país perdeu vários mercados após o ex-deputado assumir a presidência. Ao tirar o Brasil do acordo de Paris, Bolsonaro viu as portas da União Europeia se fecharem para nossos produtos. E graças à atitude do presidente de apoiar Israel irrestritamente, os pecuaristas perderam também as exportações para os países islâmicos, principais importadores da carne e do frango brasileiros. A China também reduziu o comércio conosco devido às críticas de Bolsonaro às empresas chinesas.

Ao tirar o Brasil do acordo de Paris, Bolsonaro viu as portas da União Europeia se fecharem para os produtos brasileiros. E graças à atitude do presidente de apoiar Israel irrestritamente, os pecuaristas perderam as exportações para os países islâmicos.

Mas as entidades ruralistas não podem reclamar, porque apoiaram a iniciativa do PSL, partido do presidente, de enfraquecer os sindicatos, acabando com a unicidade sindical. As empregadas domésticas voltaram a ser trabalhadoras de segunda classe, porque Bolsonaro revogou a lei que as igualava aos demais trabalhadores, com direito a carteira assinada, férias remuneradas e 13º salário. Aliás, nenhum trabalhador tem férias e 13º, e tampouco conta com os sindicatos para pressionar o governo: a lei de greve também foi revogada e os protestos nas ruas só podem ocorrer com autorização da polícia. Com o fim do 13º salário, o comércio natalino foi destruído e muitas lojas que apostavam no movimento da época fecharam, aumentando o número de desempregados.

Nas escolas, policiais militares chegam a algemar crianças pequenas que “se comportam mal” como forma de castigo, parte da “repressão democrática” imaginada pelos assessores educacionais do presidente. Nos livros escolares, a ditadura é chamada de “movimento” e aspectos positivos da prática da tortura em seres humanos são apresentados aos alunos. À frente do Ministério da Educação, um general concretiza o que a direita acusava o PT de fazer: doutrina criancinhas.

Professores que não aceitam os novos parâmetros curriculares são perseguidos e demitidos, como aconteceu nos EUA na época do macarthismo, graças à obrigatoriedade da aplicação do “Escola Sem Partido” em toda a educação pública. Estudantes são estimulados a gravar e denunciar docentes que fogem da cartilha. Os alunos também são obrigados a orar antes das aulas, de acordo com a Bíblia protestante. Outras religiões não são aceitas. Nas aulas de ciências, ensina-se o criacionismo.

Nos livros escolares, a ditadura é chamada de “movimento” e aspectos positivos da prática de tortura em seres humanos são apresentados aos alunos. Os alunos são obrigados a orar antes das aulas e ensina-se o criacionismo nas aulas de ciências.

O desmatamento atinge níveis recordes. As previsões são de que a Amazônia, após a permissão da exploração do parque Nacional do Xingu por uma mineradora dos Estados Unidos, seja reduzida a um quarto do tamanho nos próximos dez anos. O presidente também estabeleceu, via decreto, áreas para “desmate legal” de madeira. Com isso, muitas árvores amazônicas também entraram para a lista de espécies em extinção.

LGBTs são caçados nas ruas por “esquadrões bolsonaristas” e obrigados a se vestir de acordo com as “normas de conduta” baixadas pela presidência da República: para manter a “moral e os bons costumes”, a polícia pode enquadrar em “atentado ao pudor” quem se vestir “em desacordo” com o gênero de seu registro civil. Homossexuais não podem manifestar afeto abertamente nas ruas e, ao se assumirem, ficam impedidos de ocupar cargos públicos. Se continuarem no armário, tudo bem. Bolsonaro revogou a lei que dá o direito aos transgêneros de ter um documento de identidade de acordo com seu nome social, marginalizando-os da sociedade.

O presidente também revogou a lei do feminicídio, que tipificou o crime que atinge mulheres por sua condição de gênero. Com isso, este tipo de crime está cada vez mais em ascensão, dando o Brasil o triste recorde de campeão mundial em feminicídios. O fato de o presidente ter defendido que apenas armar as mulheres seria suficiente para diminuir mostrou-se falso, já que os ex-maridos e companheiros também andam armados.

Com a venda da Petrobras para uma estatal norueguesa, os preços do combustível e do gás de cozinha triplicaram em relação ao governo Dilma Rousseff, do PT. O litro da gasolina já custa 10 reais e o botijão sai por até 200 reais em algumas regiões, maior preço de toda a história. O preço do diesel também explodiu, mas os caminhoneiros não podem protestar porque Bolsonaro sancionou um projeto de sua própria autoria que pune com até 4 anos de cadeia quem obstruir estradas.

A Globo e a Folha, perseguidas por Jair Bolsonaro desde o primeiro dia no cargo, estão à beira da falência. Os outros jornais, TVs e revistas que apoiaram abertamente sua campanha mostram apenas os aspectos favoráveis do governo, aprovadas por um “supervisor” da própria empresa de comunicação. “É preciso transmitir otimismo, isso é bom para o país”, justificam os donos da mídia. Os veículos alternativos foram proibidos, acusados de disseminar “fake news”.

O litro da gasolina já custa 10 reais e o botijão sai por até 200 reais. O diesel também explodiu, mas os caminhoneiros não podem protestar porque Bolsonaro sancionou um projeto de sua própria autoria que pune com até 4 anos de cadeia quem obstruir estradas.

A perseguição a pessoas de esquerda é cotidiana, como prometeu o candidato durante a campanha: “ou vão para fora ou vão para a cadeia”. Uma reforma política extinguiu o PT e o PCdoB foi proibido de usar a palavra “comunista” em sua sigla. Um projeto do filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, tornou crime o comunismo no país. Utilizar os símbolos da foice e do martelo já é motivo suficiente para ir para a prisão.

Líderes opositores e cidadãos comuns fazem fila diante das embaixadas de países europeus em busca de asilo, enquanto a propaganda governamental repete o slogan da ditadura, ops, do movimento militar: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Lá fora, o país já é conhecido pela alcunha de “as Filipinas da América do Sul”.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

História dos “hackers” é completamente inconsistente, diz Sérgio Amadeu, especialista em informática

OBS: É risível o caso dos hackers assim como foi o suposto plano "denunciado" pela Veja. A imprensa capitalista está desesperada com os erros de Bolsonaro e com  possibilidade da volta dos progressistas - que atrapalham a ganancia capitalista - ao poder.

Por isso lança mão de mentiras para que as forças progressistas sejam desmoralizadas, fazendo com que cheguem ao poder apenas quem trabalha em prol da ganância dos mais ricos. Mas com isso, a imprensa oficial acaba cometendo graves gafes e destruindo a sua reputação, ainda respeitada por quem ainda não usa internet.

Amadeu ainda alerta sobre a diferença entre hacker e cracker. O senso comum, alheio a parte técnica da informática, classifica o hacker usando o conceito de cracker.

Veja abaixo a explicação de Sérgio Amadeu, especialista em informática e colaborador do site progressista Nocaute (administrado pelo famoso escritor Fernando Morais), sobre o risível caso dos hackers, comprovando a sua impossibilidade.

Sergio Amadeu, sobre Operação Spoofing: "História é completamente inconsistente"
Equipe Rede Brasil Atual

Em participação por vídeo no site Nocaute, o sociólogo Sergio Amadeu, ativista do movimento do software livre, falou a respeito da Operação Spoofing, que prendeu os supostos hackers que teriam invadido o celular o ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro. Ele diferenciou, inicialmente, os conceitos de crackers e de hackers. “Primeiro, a maioria dos hackers participa de comunidades de desenvolvimento de softwares compartilhados. O hacker não necessariamente é um criminoso, é uma pessoa que pode nem ter curso de computação mas tem grande habilidade para lidar com códigos, tem uma vocação, o que faz com que ele tenha paixão por desafios lógicos, por vencer esses desafios. Já o cracker, em geral, é individualista e usa suas habilidades para obter vantagens pessoais. É preciso fazer uma certa diferenciação.”

Amadeu lembra que, no mesmo período em que o ministro Sergio Moro alegou não ter como comprovar a autenticidade das mensagens, já que havia saído do Telegram em 2017, a revista IstoÉ “inventava” uma matéria afirmando “que existia uma conexão com a Rússia, passava por dentro do Telegram, uma coisa absolutamente sensacionalista, pirotécnica, que já abandonaram”, diz.

De lá pra cá, no entanto, a narrativa mudou. “Os hackers russos, altamente sofisticados, não passam de garotos de Araraquara. Agora, curiosamente, falam que não é bem um hacker, mas o que passou a circular é que seria um ataque de spoofing“, aponta. Amadeu explica que existem três tipos de ataque de spoofing, que significa mascarar, se fazer passar por outro: atacando o endereço de e-mail, IP ou DNS.

De acordo com o sociólogo, a explicação da PF sobre a metodologia da invasão é de que os celulares alvo recebiam ligações contínuas, com o aparelho ficando sem condições de receber a ligação e outra pessoa teria instalado o Telegram para se fazer passar pelo usuário original.Uma justificativa questionável.

“A instalação do Telegram em um computador é possível, mas o Telegram vai mandar ao celular registrado um código para validar a solicitação. Quando envia o código, o telefone está ocupado e o hacker conseguiria captar a mensagem na caixa postal”, explica Amadeu sobre a versão corrente na mídia tradicional. “Desculpe, isso é uma falácia. Mesmo com o celular estando ocupado, o Telegram não manda mensagem de voz, mas um SMS, que não compete com a voz. Essa narrativa é muito esquisita”, pontua.

“Essa história é completamente inconsistente e tem como objetivo anular denúncias gravíssimas que o The Intercept fez. Mesmo pegando quem eles queiram pegar, não se anula a denúncia nem a obrigação do jornalista de ter que divulgar aquilo que ele checou como verdadeiro. E as mensagens são verdadeiras”, diz Amadeu, que em seu perfil no Twitter ainda questionou: “Hacker de Araraquara é DJ e não usa proxy. Equivale a um jogador de futebol sem chuteira“.

domingo, 7 de julho de 2019

Perdemos João Gilberto, pai da moderna música brasileira

Após estar muito doente e quase incapacitado, além de estar e condições financeiras ruins, o criador da Bossa Nova, estilo musical que colocou o Brasil no mapa musical mundial, João Gilberto, faleceu ontem, por causa ainda não informada.

Membros de nossa equipe são fãs de João Gilberto. Mas a morte não nos chocou porque sabíamos sua luta pela saúde inalcançada. Infelizmente, ele morreria, cedo ou tarde. Mas não foi apenas ele que morreu. A música brasileira havia morrido antes. 

Há tempos que não aparece o Brasil algum jovem músico capaz de fazer algo que superasse o mediano. João Gilberto representou o auge de produção da música brasileira. Seus primeiros álbuns são verdadeiras obras primas. 

Por isso não consideramos João apenas como o criador da Bossa Nova, mas também o pai da música brasileira moderna. Podemos separar a fase da música brasileira em Antes de João Gilberto e Depois de João Gilberto. Nada seria o mesmo após o lanamento de Chega de Saudade.

Além o destilo único que interferia até mesmo nas músicas em que não compunha (Gilberto compunha pouco, mas criava os arranjos para as música que gravava), o cantor tinha um ouvido apurado, exigindo ambiente e técnica que fossem sonoramente adequados às suas performances. 

Esta e outra qualidades fizeram de João Gilberto um artista único, a ponto de ser mundialmente conhecido e admirado. Bandas e cantores estrangeiros como Style Council, Matt Bianco, Sade, Dream Academy, Prefab Sprout, etc., já gravaram canções claramente influenciadas pelo estilo do cantor baiano, criando uma espécie de modismo de New Bossa na Inglaterra da segunda metade dos anos 80.

Isso só foi um exemplo, por nós aqui sermos da geração que curtiu a música inglesa dos anos 80, mas a influência de Gilberto na música mundial foi muito maior que isso, a ponto do disco com o jazzista Stan Getz ser um dos melhores discos já gravados em todos os tempos no mundo.

Mesmo aposentado e doente, ficamos tristes com a morte de João Gilberto. Mais tristes ainda em saber que um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos se encontrava em situação deplorável no fim da vida. Um verdadeiro sinal de ingratidão dos brasileiros diante de quem melhorou a qualidade de toda a música em nosso país, além de te-la tornado famosa em todo o mundo.

Por isso, fica aqui o nosso abraço eterno aquele que nos ajudou a sermos mais felizes com suas canções. Valeu João Gilberto. E chega de saudade! Você é eterno.

domingo, 30 de junho de 2019

O perigo dos homens medíocres como Jair Bolsonaro

OBS: Tem estrangeiros que entendem melhor o Brasil do que muitos brasileiros. Além do brilhante Glenn Greenald, a espanhola Esther Solano tem escrito textos e feito declarações que ultrapassam o brilhantismo e possuem uma impressionante sensatez que merece indispenaével atenção. Leiam o texto abaixo falando sobre a mediocridade explícita dos personagens que tomaram o poder desde 2016, incluindo os ultra-estimados Sérgio Moro e Jair Bolsonaro.

O perigo dos homens medíocres como Jair Bolsonaro

Esther Solano - Carta Capital

São sujeitos feridos, mas na alma, que é muito pior do que estar ferido no corpo. São uma fraquejada
Nada mais perigoso do que um homem medíocre e triste que odeia a inteligência e a felicidade alheias. Esta é a cara do governo Bolsonaro. Personagens de uma mediocridade tão ostensiva que disfarçá-la é tarefa impossível. Como me disse um dia um aluno, é a burrice ostentação. Juntam-se a essa mediocridade as paixões tristes que o movem.  
Há dois tipos de medíocre: o que é consciente de sua limitação e fica recolhido nela humildemente ou se esforça para crescer e o que, incapaz dessa humildade ou desse crescimento, tenta destruir, exterminar tudo aquilo ou todos aqueles que brilham mais que ele. Não é preciso dizer a qual dos dois tipos pertencem os patéticos personagens bolsonaristas. 

Também há dois tipos de infelizes: os que lutam em construir a própria felicidade e os que detestam a felicidade alheia e se empenham em arruiná-la. Os que lutam por viver seus desejos livremente e os que odeiam quem os vive. Os que amam em toda a plenitude do amor e os que odeiam quem ama. Tampouco desta vez é preciso dizer a qual dos dois tipos pertencem os patéticos personagens bolsonaristas. 

Acrescente-se uma masculinidade complexada, frágil, mas tão autocentrada que não consegue enxergar para além dela mesma. Homens que odeiam outros homens, que odeiam mulheres, talvez porque, no fundo, esses homens odeiem a si mesmos. Durante minhas entrevistas com eleitores de Bolsonaro, várias mulheres me confessaram que tinham medo de seus maridos, porque a agressividade deles tinha aumentado muito depois de começarem a seguir o “mito”. São os cidadãos de bem. Eu, quando vejo um cidadão de bem na rua, mudo de lado ou saio correndo. São aqueles que não enxergam contradição em ir à igreja aos domingos e apedrejar um homossexual ou agredir a própria companheira em casa. Não veem incoerência em citar a Bíblia e aplaudir Bolsonaro, quando ele faz o gesto de arma na Marcha para Jesus. Suspeito que os homens que sentem tanto tesão por armas não são capazes de sentir tesão por mais nada. De qualquer forma, Jesus não estava nessa marcha, estava na Parada LGBT+.

O curioso nesses cidadãos de bem é que eles pensam ter um canal direto com Deus, como num grupo de WhatsApp ou Telegram, que agora está na moda. Queridos, se Deus existe, deve estar desesperado, se perguntando onde errou para que de um barro supostamente inócuo surgissem seres como vocês. “Deu merda”, Ele deve pensar. São sujeitos feridos, mas na alma, que é muito pior do que estar ferido no corpo. São uma fraquejada.

Não por acaso, querem acabar com as universidades públicas. Para quem é tão medíocre, a inteligência alheia deve ser estarrecedora. Não por acaso, quiseram acabar com Lula em um processo arbitrário. Não por acaso, Bolsonaro recusou-se a ir aos debates eleitorais e a enfrentar um professor. Não por acaso, queiram dominar os corpos das mulheres, pois mulheres livres e fortes devem ser assustadoras para eles. Não por acaso, querem proibir as diversas formas de amor e de família. A vida que eles representam é tão cinza que as cores da bandeira LGBT+ devem ser insuportáveis.

Sujeitos pequenos, tacanhos, intelectualmente ínfimos, figuras que em tempos de normalidade democrática e institucional seriam irrisórias e desapareceriam, engolidas na própria irrelevância. Mas em tempos “desdemocráticos”, em tempos obscuros e autoritários, esses anões se fizeram gigantes e vomitaram sobre todos nós sua capacidade de destruição. Esses mesquinhos estão no poder. Encarnam o mito do homem medíocre. O medíocre que se apresenta como herói. Vejam que drama. Esses heróis iriam salvar o Brasil. Bolsonaro é o “mito”. Moro é o “herói”. 

Na manifestação verde-amarela da Avenida Paulista, em 16 de agosto de 2015, perguntei a vários manifestantes sobre o então juiz Sérgio Moro. A retórica heroica-salvacionista-messiânica era impressionante. Emergia a figura do juiz-Deus, o juiz-Messias, que tinha a tarefa de limpar o Brasil da corrupção, exterminar o câncer. “Moro é o nosso salvador. Moro tem uma missão, limpar o Brasil porque o câncer do Brasil são os políticos corruptos. É dever de todos os brasileiros apoiar a Lava Jato. Ele vai passar o Brasil a limpo. Ele é o homem que estávamos aguardando” (palavras de uma mulher branca de 45 anos). Para essa senhora, sentado à direita de Deus não está Jesus, mas o “conje”.

Estamos nas mãos de homens medíocres que nos odeiam e que se acham heróis. Homens que não têm nenhum problema em destruir as instituições e muito menos a democracia, pois a democracia não os representa. Eles despertaram os monstros e a escuridão. É nosso papel trazer a luz de volta.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

A lorota de que o Nazismo seria de esquerda tem intenção de criminalizar as forças progressivas

Com o fim do pensamento único causado pelo surgimento da internet, que favoreceu a liberdade de expressão - bastante limitada na mídia oficial (TVs, rádios, jornais, revistas) - que surgiu para o bem mas também para o mal. 

Todo mundo resolveu brincar de "revisionismo histórico" e a falta de noção do que é real ou não e o desprezo pela análise intelectual favoreceram o surgimento de um monte de lendas e boatos que desafiam a lógica e o bom senso.

As esquerdas, que representam as forças progressistas e que tem lutado com muito dificuldade pelos direitos da maior parte das pessoas, sempre incomodou as elites gananciosas que querem todos os direitos e benefícios exclusivos para si.

Por isso, eles não cansam de difamar as esquerdas colocando os defeitos tipicamente direitistas nas forças progressistas, criando uma inversão de valores que transforma magnatas gananciosos em "benfeitores altruístas", enganando a opinião pública, forçando-as a aderir às forças conservadoras que desejam manter os privilégios das elites.

A idiota tese de que o Nazismo era de esquerda, inventada pelos extremistas de direita brasileiros é um exemplo disso. A ideia é dar características de vilania às forças progressistas, além de isentar os fascistas brasileiros de qualquer cumplicidade com o Nazismo.

O Nazismo, com a finalidade de fortalecer o Capitalismo, praticou um enorme genocídio para diminuir a quantidade de pessoas e garantir a exclusividade de direitos e benefícios apenas para as grandes elites alemãs. Os extremistas brasileiros não querem ficar com a culpa e a jogam para cima das esquerdas, com a finalidade de criminalizá-las e tirar do cotidiano político.

Apesar da enorme semelhança entre o extremismo de direita brasileiro e o fascismo alemão conhecido como Nazismo, os brasileiros sabem que a comparação pega mal e pode punir os fascistas tupiniquins. É como recusar a segurar uma bomba prestes a estourar nas mãos de quem segura.

Inventar que o nazismo era de esquerda é uma excelente forma de criminalizar as forças progressistas e tranquilizar as elites de que a renda e direitos nunca serão repartidos, ficando retidos nas contas bancárias e nas mansões das grandes elites, favorecendo e aumentando a concentração de renda e de poder. Dá para os extremistas de direita se fingirem de democratas e atraírem para si a simpatia da opinião pública, favorecendo a satisfação de seus interesses.

Está mais do que na cara que a extrema direita brasileira é igual aos nazistas. A tentativa de diferenciar as duas ideologias pelo rótulo é na verdade uma oportunidade de se aproveitar da ignorância da maioria das pessoas e jogá-las contra adversários. Se o Nazismo não fosse malvisto, certamente os extremistas brasileiro teriam o maior orgulho de se rotularem neonazistas. Pois no fundo, eles nunca passam disso.

O nazismo é de extrema direita: igualzinho ao que pensam os admiradores e seguidores do "Coiso".

terça-feira, 25 de junho de 2019

Lula, Bolsonaro e os Estereótipos

Estereótipo é uma marca consagrada relacionada a pessoas ou a coisas em que um grupo de características aparentes serve para defini-las de forma superficial e não raramente equivocada. Para muita gente, as aparências é que contam, pois definir as coisas apenas com os olhos ou com o conhecimento de poucas informações não exige esforço e pode-se fazer um diagnóstico rápido, embora com grandes chances de se cometer uma injustiça.

Para muitos, um líder teria a obrigação de possuir u diploma de nível superior, pois ainda acreditamos que a inteligência plena só seria adquirida após um curso universitário, o que não é verdade. A inteligência é na verdade um processo resultante de uma combinação de fatores, como análise, crítica, verificação de informações, etc.. 

Outra coisa a saber: se é difícil entrar em uma faculdade, graças a provas que na verdade examinam não a inteligência, mas a memória - reparem que as pessoas que tiram melhores notas em qualquer tipo de provas são muito boas em memória - é muito fácil sair delas. Basta frequentar assiduamente aulas e assinar o nome em trabalhos de grupo que o caminho para o diploma é francamente facilitado.

A inteligência deve vir da capacidade cognitiva da pessoa e não adquirida por meios burocráticos como em uma aula acadêmica. Bobagem achar que um pedaço de papel chamado "diploma" seria uma forma segura de comprovar a inteligência de uma pessoa. Membros da equipe deste blog conhecem muitas pessoas portadoras de diploma que demonstram uma burrice surpreendente em muitos assuntos, inclusive nas áreas em que se formaram no nível superior.

Quem é o sábio? Quem é o Analfabeto?

Duas figuras da política brasileira são ótimos exemplos do equívoco resultante de nosso cacoete em definir as coisas através de estereótipos: o ex-sindicalista e ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-militar Jair Messias Bolsonaro.

Para quem se baseia em estereótipos, entre as duas figuras políticas citadas, certamente definiriam Bolsonaro como "sábio" e Lula como "analfabeto". Bolsonaro, por ser capitão, é oficial e para ser oficial militar, a graduação superior é mais do que obrigatória. Lula só possui o ensino médio, exigido pela profissão de metalúrgico que exerceu antes de entrar na política.

Mas se despirmos do estereótipo e analisarmos atitude e falas de cada um, vamos inverter o conceito. A entrevista dada por Bolsonaro no Roda Viva (programa de uma rede de TV que deveria ser pública e que foi devidamente sequestrada pelo PSDB) mostrou um troglodita ignorante cujo nível intelectual é inferior ao de um doente mental com cinco anos de idade. O ex-militar já começa a ser chacota mundial e só consegue ser defendido por gente tão ignorante quanto ele.

Do outro lado, ouça os discursos de Lula ou leia seus textos escritos. São de uma sabedoria ímpar. A própria gestão como presidente foi exemplar, sendo objeto de estudo em faculdades do mundo todo. Lula é definido por cientistas políticos como o melhor presidente brasileiro de todo os tempos e não cansa de demonstrar sua verdadeira inteligência quando fala. E quando mais fala, mais sábio se mostra. Impossível ser a mesma pessoa após ouvir Lula falar, pois sempre se aprende com ele.

Ou seja, enquanto um portador de diploma desfila besteiras quando abre a boca, numa exibição de total desprezo pelo mundo real e total falta de análise, o que não possui diploma dá lições de verdadeira sabedoria. Seria muito perigosa uma guerra comandada por Bolsonaro, um irresponsável desastrado sem noção do mundo real que certamente atiraria para todos os lados, matando muitos inocentes por falta de análise objetiva dos fatos.

Resta saber o que Bolsonaro fazia enquanto estava na universidade, pois estudar é o que ele não estava fazendo. Enquanto isso, o sindicalista "bronco" observava tudo ao seu redor e tirava grandes lições dos menores detalhes de tudo o que via. Lula estudou a vida, que é muito mais complexa do que qualquer coisa ensinada nas melhores faculdades. 

Em matéria de sabedoria natural, Lula já é Pós-PHD. Ou mais do que isto. Dando um banho no militar "letrado" Bolsonaro, que deve usar o diploma para se defender do mico em demonstrar total desconhecimento mínimo dos fatos reais. 

domingo, 23 de junho de 2019

O problema da Meritocracia

Muito se tem falado sobre Meritocracia. Para quem não sabe, Meritocracia, em tese, é quando alguém conquista uma posição social por base do esforço e do acúmulo de conhecimento. Até aí, nada demais. O problema é como essa Meritocracia é posta em prática.

Os defensores da Meritocracia acreditam que o sistema meritocrático é justo porque os "vencedores" (sei de razões que me obrigam a colocar aspas nessa palavra) são julgados de maneira objetiva, analisando suas aptidões e seu conhecimento. Mas os mesmos defensores se esquecem de algumas coisinhas. 

- As regras para essas conquistas são elaboradas subjetivamente pela classe dominante, composta por seres humanos tão falhos quanto os que eles pretendem julgar.

- Desconhecemos a trajetória de muitos "vencedores" e muitos deles podem ter "vencido" não pelos seus méritos, mas por satisfação subjetiva dos interesses de quem os julga, já que os "vencedores" fazem tem o privilégio de fazer as regras, que nem sempre são justas, já que há o desejo de não ferir os próprios interesses.

- Todos os seres humanos tem direitos básicos, que não costumam ser respeitados na Meritocracia.

- Competitividade é sinal de atraso, é coisa adequada ao Reino Animal. Se há competição, é porque um benefício não está sendo devidamente distribuído. A prática prova que sociedades mais atrasadas são mais competitivas, mesmo que essa competitividade seja praticada e defendida pela elite dessas sociedades atrasadas (e quem disse que elite não é ignorante?).

- E será que os critérios para a escolha dos vencedores são realmente justos? A grande ênfase dada ao comportamento durante as entrevistas de emprego (cujo entrevistador é um ser humano, com defeitos), em detrimento da observação das capacidades do candidato, tem contribuído muito para a queda na qualidade de produtos e serviços, praticados pro profissionais sem um mínimo de talento ou vocação. 

Esses fatores tem demonstrado que a Meritocracia exige um gigantesco senso de justiça para ser posta em prática. Um senso de justiça que nem os maiores juristas do Brasil possuem de fato. Algo que pode ser visto apenas em sociedades realmente  evoluídas, como a escandinava.

O Brasil está muito longe de por em prática qualquer tipo de melhoria, Políticos, empresários, celebridades, religiosos, esportistas e outros tipos de lideranças, vivem de oferecer promessas vazias respaldadas pelos seus prestígios sociais. Há muito tempo essas promessas tem se mostrado sem resultado. 

O que mostra que continuaremos com uma Meritocracia cada vez mais injusta e ineficiente, onde burros de gravata ditam regras para  que inteligentes obedeçam sem murmurar. 

terça-feira, 11 de junho de 2019

Dez pontos para entender a gravidade da relação entre Moro e Dallagnol

OBS: Talvez seja o maior escândalo já ocorrido no Brasil e revela que a Lava Jato não era uma operação contra a corrupção e sim para impedir que foras progressistas voltassem ao poder. 

Sabe-se que Moro e Dallagnol eram serviçais do capital internacional e sua missão era além de entregar as riquezas nacionais (como o petróleo, tipos de minério, etc., teria que reduzir salários e direitos dos trabalhadores que trabalharia para extrair estas riquezas que iria para as mãos de gananciosos magnatas estrangeiros. 

Esse é o resumo do objetivo dos golpistas que se aproveitaram da operação para proteger, aumentar e garantir a ganância capitalista internacional. Não admitir isso é estar muito mal informado.

Mas graças ao site The Intercept, do brilhante jornalista Glenn Greenwald, considerado por muitos o melhor jornalista do muno na atualidade, todos agora ficarão sabendo das verdadeiras intenções do golpe de 2016, que nada tinha de combate à corrupção e sim a de proteger intersses gananciosos de uma elite mesquinha e preconceituosa.

Dez pontos para entender a gravidade da relação entre Moro e Dallagnol

Dir.: Fernando Frazão - ABR

A troca de mensagens entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, responsável pela Lava Jato, e outros integrantes da operação ratificou suspeitas e críticas de que o ex-magistrado atuava também como investigador, além de julgador dos casos

11 DE JUNHO DE 2019 ÀS 07:16

Por Paulo Donizetti de Souza e Rodrigo Gomes, da RBA - A troca de mensagens entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, responsável pela Lava Jato, e outros integrantes da operação ratificou suspeitas e críticas de que o ex-magistrado atuava também como investigador, além de julgador dos casos. Entre as conversas reveladas pelo site The Intercept Brasil, estão a combinação de ações, cobranças sobre a demora em realizar novas operações, orientações e dicas de como a força-tarefa da Lava Jato deveria proceder.

O Intercept revelou que até o procurador tinha dúvida sobre as acusações de propina da Petrobras horas antes da denúncia do caso do tríplex no Guarujá. E que a equipe de Ministério Público Federal atuou para impedir a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes das eleições por medo de que ajudasse a eleger o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad. Cooperação ilegal, motivações políticas e sustentação de uma acusação frágil revelam os bastidores da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A RBA listou alguns aspectos importantes do que foi revelado até agora para tentar ajudar o leitor a traduzir o "juridiquês".

1. Separação de funções

No Brasil, o sistema de justiça funciona com partes separadas. A Constituição não considera o Ministério Público – estadual ou federal – como parte do Poder Judiciário. O MP representa a sociedade. A ele cabe reunir provas, formular a denúncia e sustentar a acusação – seus integrantes têm, então, procuração constitucional para advogar em nome da sociedade. Aos juízes e desembargadores, cabe julgar com base nas provas e argumentos, de acusação e de defesa.

Moro auxiliou procuradores do Ministério Público Federal (MPF) e até sugeriu a alteração de ordem das fases da Operação Lava Jato. Perguntava o motivo de alguns pedidos do MPF e orientava a melhor forma de encaminhar as petições. Em um mês que não houve novas operações, Moro cobrou Dallagnol se não era "muito tempo sem operação".

2. O que é um juiz imparcial?

O Código de Ética da Magistratura proíbe essa relação entre juiz e procuradores. Em seu artigo 8 diz claramente: "O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes (acusação e defesa), e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito".

Mas, além de opinar sobre as ações do MPF, Moro também chegou a propor uma resposta conjunta quando o PT emitiu notas criticando a atuação da Operação Lava Jato. "O que acha dessas notas malucas do diretório nacional do PT? Deveríamos rebater oficialmente? Ou pela Ajufe (Associação de Juízes Federais)?", questiona o ex-juiz a Dallagnol.

3. Juiz suspeito

O Código de Processo Penal também é muito claro sobre os limites da atuação do juiz. O artigo 254 define que o magistrado deve se declarar suspeito de julgar um processo, entre outros motivos, "se tiver aconselhado qualquer das partes".

Moro não só aconselhou como incentivou e ofereceu pessoas a serem ouvidas pelos procuradores, com o objetivo de garantir o andamento do processo de acordo com seu objetivo.

4. A lei deveria ser para todos

Moro e Dallagnol também discutiram sobre contra quem dirigir investigações ou não. Quando 77 executivos da empreiteira Odebrecht apresentaram seus relatos, estariam implicados mais 150 nomes do mundo político. Embora costumassem dizer publicamente que "a lei é para todos", ambos conversaram sobre quem recairia a aplicar a lei.

Quando recebeu uma lista um pouco mais detalhada sobre os envolvidos, Moro foi categórico em dizer que as investigações deveriam ter foco sobre o Poder Executivo – à época em que o país fora presidido pelo PT. "Opinião: melhor ficar com os 30 por cento iniciais. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e judiciário", escreveu o atual ministro da Justiça quando era juiz.

5. Processo capenga

Para garantir que o processo ficasse em Curitiba, nas mãos de Sergio Moro, Dallagnol fez uma manobra arriscada. Vinculou os supostos benefícios a Lula no caso do triplex de Guarujá ao esquema de corrupção na Petrobras. Para sustentar essa tese, o procurador não se fiou a provas robustas ou testemunhos inquestionáveis, mas a uma reportagem do jornal O Globo sobre o atraso nas obras do Edifício Solaris quando este ainda pertencia à Bancoop.

"A denúncia é baseada em muita prova indireta de autoria, mas não caberia dizer isso na denúncia e na comunicação evitamos esse ponto", avisou o procurador a Moro. Para dar mais força à denúncia, ele estava ciente que era preciso conquistar a induzir a opinião pública. E não o juiz com quem trocava mensagens quase diariamente. E o fez: construiu uma apresentação de slides em powerpoint e colocou Lula como "chefe" de um esquema de corrupção gigantesco, chamando-o de "líder máximo", mesmo sem ter prova alguma, apenas "convicções".

6. Agentes públicos x privacidade

"Ah, mas as conversas foram obtidas por um hacker. Foi um crime. As autoridades têm direito à privacidade", alegam alguns apoiadores do esquema Lava Jato. Ainda que a obtenção das informações tenham sido obra de um hacker, a divulgação não. Como se tratam de informações de interesse público, de ilegalidades cometidas por agentes públicos no exercício da função, os jornalistas do Intercept se consideraram na obrigação de divulgar (avisando que foi só início). E quando se trata de má conduta de servidores públicos não cabe evocar direito à privacidade, com escreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

É provável que Moro, Dallagnol e os demais procuradores da Lava Jato não possam ser punidos com base em uma prova obtida dessa forma. Por outro lado, a contaminação dos processo em que eles atuaram pelo que foi revelado pode levar a anulação de condenações e de processos que ainda estão em andamento.

7. Inflando protestos

As motivações políticas de Moro e Dallagnol ficam evidentes em uma conversa de 13 de março de 2016, quando as manifestações contra o governo da presidenta Dilma Rousseff atingiram o ápice. O ex-juiz diz querer "limpar o Congresso". O diálogo entre eles revela que as ações da Lava Jato buscavam influenciar a opinião pública contra o governo petista.

Dallagnol: E parabéns pelo imenso apoio público hoje. Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal.

Moro: Fiz uma manifestação oficial. Parabéns a todos nós.

8. Aos inimigos, nem a lei

Apesar de reclamar da divulgação de suas conversas, Moro e Dallagnol dialogaram sobre a revelação das conversas grampeadas ilegalmente entre Lula e Dilma, quando ela o indicou para o cargo de ministro da Casa Civil. No cargo, Lula empregaria de sua capacidade política para tentar conter a escalada da crise que derrubaria Dilma naquele mesmo ano. A ação era ilegal: um juiz de primeira instância não pode autorizar grampo telefônico contra a presidência da República e a gravação foi obtida após o prazo limite da decisão que permitiu o grampo nos aparelhos de Lula.

Moro chegou a pedir desculpas públicas, mas nas conversas com Dallagnol se dizia convicto de ter agido conforme seus objetivos. "Não me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim", escreveu o ex-juiz.

9. Operação anti-PT

Os procuradores da Lava Jato atuam de modo "técnico, imparcial e apartidário, buscando a responsabilização de quem quer que tenha praticado crimes no contexto do mega-esquema de corrupção na Petrobras", segundo escreveu Dallagnol nas redes sociais. Mas quando o STF autorizou uma entrevista de Lula ao jornal Folha de S. Paulo, o partidarismo da equipe ficou evidente. Tanto em lamentações quanto em ações para impedir a entrevista. O medo? Que Lula ajudasse Fernando Haddad a vencer a eleição.

Nas trocas de mensagens, os procuradores buscam formas de impedir a entrevista: descumprir a decisão judicial buscando brechas legais, alegar que a decisão valia para todos os condenados na Lava Jato, convidar outros veículos de comunicação à revelia da decisão judicial. Quando o STF acatou pedido do Partido Novo contra a entrevista, os procuradores deixaram qualquer profissionalismo de lado e comemoraram como final de campeonato: "Devemos agradecer à nossa PGR: Partido Novo!!!"

10. Quem investiga procurador e juiz

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) é o órgão encarregado de controlar e fiscalizar a atuação dos órgãos integrantes do Ministério Público nacional e de seus membros. Integrantes do CNMP já pediram que a conduta de Deltan Dallagnol seja investigada.

O conselho é presidido pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e composto por outros 13 membros: quatro provenientes do Ministério Público Federal; três dos MPs estaduais; dois juízes, indicados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ); dois advogados indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); e dois cidadãos de notório saber jurídico, indicados pela Câmara e pelo Senado.

Por sua, vez, condutas consideradas suspeitas por parte de magistrados são investigadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão é presidido pelo presidente do STF, e um ministro do STJ exerce a função de corregedor. Os outros 13 demais integrantes são: um ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST); um desembargador de Tribunal de Justiça (TJ, segunda instância da esfera estadual); um juiz estadual; um juiz do Tribunal Regional Federal (TRF, segunda instância na esfera federal); um juiz federal; um juiz de Tribunal Regional do Trabalho (TRT); um juiz do trabalho; um membro do MPF; um membro de MP estadual; dois advogados (OAB); e dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados por Câmara e Senado.

Muita gente critica o fato de se ter poucas notícias de punição a procuradores ou juízes porque eles são investigados por seus próprios pares. Portanto, o corporativismo acaba fazendo com que denúncias não sejam levadas adiante. Diante da gravidade das infrações cometidas por Sergio Moro e Deltan Dallagnol, entre outros cujos nomes estão por vir em novas reportagens, o meio especializado tem dito que não apenas o caráter desses dois está em cheque. A reputação do CNMP e do CNJ – enquanto instituições da República – também estará.

domingo, 9 de junho de 2019

Mesmo com a possibilidade de inocência, não vamos canonizar o Neymar

Ainda não temos confirmação dos fatos, mas parecem alguns indícios de que o ultra-estimado Neymar não cometeu o tal estupro. Mesmo que o jogador não tenha cometido tal atrocidade, é preciso nos controlar para não canonizá-lo. Embora para a maioria dos brasileiros, há a poderosa tentação de transformá-lo em um santo ou até em um semi-deus sem defeitos.

Os brasileiros te apenas 519 aninhos de idade, diante de um mundo cheio de nações milenares. A população brasileira é imatura e está aprendendo muitos conceitos, principalmente após o golpe de 2016, que revelou a tirania e a ganância por trás de muita gente amável ou no mínimo confiável.

A imaturidade do brasileiro, como acontece com a grande maioria das crianças, é a de priorizar a diversão em relação a assuntos de seriedade. O futebol, como nossa diversão favorita, é para nós a nossa maior prioridade, um orgulho cívico e uma obrigação a nunca ser adiada ou recusada. 

Por isso o empenho e tentar proteger o suposto melhor jogador da suposta melhor seleção do mundo. Tudo deve ser feito para evitar que Neymar possa ir para a cadeia. Neymar na cadeia é derrota da seleção brasileira. A admiração por Neymar é algo que une esquerdistas e direitistas no Brasil (mesmo sendo Neymar um bolsonarista assumido). 

O maior "herói" de uma nação que coloca a vitória no futebol acima mesmo da própria sobrevivência do povo deve ser protegido de todas as formas. Desde a copa de 2010 o povo aprendeu a idolatrar Neymar, que além de tudo é o símbolo de sucesso da mítica meritocracia, embora os esquerdistas se esqueçam com frequência disto.

Aliás o sonho dos esquerdistas é converter Neymar para que ele, com a sua força descomunal destrua as celas de Curitiba e arranque Lula de lá, voando e carregando o ex-presidente nas costas. Símbolo de um patriotismo infantil de um povo que costuma amar mais os EUA e a Europa que o próprio país, Neymar e tratado como uma solução para todos os problemas do país.

Aliás é interessante saber que boa parte dos que defendem Neymar não moveu uma palha para impedir Lula de ser preso injustamente numa confusa acusação sem provas mas com justificativas esfarrapadas, que não conseguem convencer nem o mais burro dos direitistas. Mas Lula, apesar de gostar muito de futebol, não é jogador, é político. Todos sabemos como brasileiros gostam de políticos.

Mesmo que seja inocentado, não canonizemos Neymar. Claro que ele, assim como todo ser humano, deve ser criticado pelos erros que comete e não por falsas acusações. Usar calúnia e difamação para destruir babacas é tão ruim quanto para acabar com a reputação de pessoas sensatas. nem mesmo um chato como Neymar merece ser difamado. Mas não há motivos para canonizá-lo.

Ele pode até não ter estuprado ninguém, mas não vai deixar de ser o playboyzinho que apagou de vez todo seu passado de pobre para se tornar um magnata cafona, um mulherengo feioso metido a galã que só vive cometendo gafes. 

Aí sim, podemos realmente condenar Neymar, por ser esse exemplo ruim para os jovens brasileiros. O exemplo de ser o farrista irresponsável que sempre foi.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Argumentos mais comuns dos defensores do popularesco

Os defensores do popularesco são de um tipinho sem criatividade. Geralmente para defender seus ídolos e seu ponto de vista, usam sempre os mesmos argumentos, que são utilizados várias vezes, deixando evidentes a falta de inteligência, criatividade e senso-crítico. Vamos ver os argumentos mais comuns:

- Acusam os seus algozes de invejosos (inveja de quê? de ganhar dinheiro pagando mico com tosqueira?)

- Se consideram (ou consideram seus ídolos) vítimas de preconceito.

- Dizem que o popularesco é a cultura pura, feita pelo povo para o povo (sabemos que não).

- Tratam como eterno aquilo que é claramente efêmero.

- Confundem entretenimento puro com arte superior.

- Comparam a rejeição que sofrem com a rejeição sofrida pelos ritmos populares autênticos no passado (nada a ver).

- Tentam ignorar a tosqueira de seus ídolos, tratando-os como se seus ídolos fizessem algo que ninguém é capaz de fazer.

- Consideram o sucesso como atestado de qualidade do ídolo.

- Consideram o sucesso do popularesco como manifestação de felicidade, tanto dos ídolos quanto dos fãs.

- Usam intelectuais e artistas autênticos como lobistas de seus interesses.

- Apelam para xingamentos e agressividade quando percebem que seus argumentos não convencem.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

O encontro de assinantes da TV 247 em Porto Alegre

No último sábado, um encontro histórico feito para os assinantes do canal TV 247, braço videográfico do Brasil 247, com palestras de importantes personalidades como os conhecidos jornalistas Juremir Machado, Carlos Latuff e políticos como Paulo Pimenta e Maria do Rosário, entre outros. Além de, óbvio, a impecável equipe da TV 247, comandada por Leonardo Attuch, que estão entre os melhores jornalistas da atualidade.

Aqui estão os links com todo o evento. É longo, demorado, mas indispensável, pois muitas informações importantes foram ditas no evento, que fez história. Aqui estão os links e parabéns ao grande Leonardo Attuch, líder dessa grande iniciativa que revoluciona o jornalismo brasileiro, hoje uma das melhores fontes de notícias da atualidade.













domingo, 19 de maio de 2019

Galãs Feios analisam situação do RJ com humor

Assistam este excelente video dos humoristas progressistas conhecidos como Galãs Feios, analisando com humor a decadência do Rio de Janeiro, o estado que deu o golpe, instaurou o fascismo e mais sofreu com estas duas iniciativas. Vejam do começo ao fim.

 

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Foda-se o Fascismo

OBS: Jello Biafra foi líder de uma das melhores bandas de rock e símbolo maior da cultura pun pelo mundo. Altamente politizado e esquerdista assumido, Jello escreveu esta excelente mensagem abaixo que reproduzimos para vocês lerem. Vale a pena!

Foda-se o Fascismo

Jello Biafra - Scream & Yell

Estou em choque. Estou deprimido. E antes de mais nada, como foi que eles deixaram tudo isso acontecer? Essa é mais uma das razões (e existem muitas) do porque eu não querer mais tocar com esses caras, independente de quantos milhões de dólares sejam oferecidos. A banda acabou em 1986.

Eu adorei a arte do poster e achei a ideia SENSACIONAL. Me sinto honrado sempre que posso usar algo tão maravilhoso (feito com seriedade!) para algum dos meus projetos. Se algum dia eu conseguir uma cópia desse poster, eu quero enquadrá-lo e pendurar na minha sala ou no escritório da Alternative Tentacles.

Mas qual é o grande problema? De todas as grandes artes políticas e anti-fascistas usadas para promover o Dead Kennedys ao longo dos anos, esta é a primeira vez que eu tomo conhecimento desses caras serem contra um poster político. Por que este? E por que agora?

Valentões fascistas realmente ameaçaram a banda e disseram que haveria violência caso os shows acontecessem? Eles ameaçaram o promotor e as casas de show? Ou alguém ficou preocupado com o fato dos apoiadores do Bolsonaro não comprarem camisetas suficiente da banda nos shows?

Em um post de Facebook recém apagado, foi dito que eles não devolveriam o dinheiro dos ingressos aos fãs. Ao invés disso, comunicaram que iriam doar os valores recebidos como adiantamento para a “caridade” ($42.000 DÓLARES AMERICANOS!) O promotor acaba de me dizer que ele recebeu o dinheiro de volta e agora os fãs que compraram os ingressos serão reembolsados! IHAAAA!

Se as ameaças de violência contra fãs inocentes foram realmente verídicas, bem, isso muda as coisas.

Eu tenho certeza que meus antigos companheiros de banda se lembram do terrível episódio de violência que ocorreu quando o verdadeiro Dead Kennedys tocou em Leicester, Inglaterra, em 1982. Os verdadeiros fascistas da Inglaterra [algo como uma Ku Klux Klan do país na época] se juntaram a alguns roadies do The Exploited e atacaram o show. Eu tive de me esquivar deles, no melhor estilo Muhammad Ali, por quase toda nossa apresentação enquanto eles subiam no palco e tentavam me acertar. O Dave do MDC acabou indo para o hospital com a cabeça rachada.

Nós também nunca conseguimos esquecer dos ataques pré-planejados pela polícia em diversos outros shows, onde policiais completamente descontrolados giravam seus cassetetes acertando a todos [incluindo o Peligro] DENTRO das casas de shows. E eu não estou falando somente da Polícia de Los Angeles.

Mas, “…A banda sente que não tem conhecimento suficiente para falar sobre assuntos políticos de outros países.”?? Vocês estão tirando com a minha cara?!?!? Essa banda já esteve no Brasil 2 ou 3 vezes! O que eles tem a dizer então sobre “Holiday in Cambodia”? E sobre “Bleed For Me”, cuja letra eu escrevi para as vítimas das guerras sujas da América Latina? Eles tem ciência sobre as capas dos discos da banda? Alguma vez na vida eles leram minhas letras nos encartes dos discos?

Como é possível que eles não tenham noção do que acontece no resto do mundo? Todos nós estamos conectados atualmente. O East Bay Ray não é uma pessoa burra. Eu imagino, pela forma como o texto foi escrito, que ele mesmo escreveu a declaração anti-poster do Brasil. E eu não sei se ele mostrou o texto para os outros caras da banda antes de postar.

Ray é uma pessoa muito bem educada, sempre se interessou por leitura e é o único membro original do Dead Kennedys que possui formação acadêmica. Me lembro dele como uma pessoa culta, sempre lendo artigos interessantes e aprofundados da revista The New Yorker. A recente edição do dia 1 de Abril trouxe um artigo bastante assustador expondo Bolsonaro e seu movimento. Mas mesmo antes disso, eu tenho 99% de certeza que o Ray sabia muito bem quem é o Bolsonaro – e o que ele representa.

Por que eu sei disso? Porque a maioria dos americanos sabem, até mesmo aqueles que têm metade do cérebro funcionando. Eu não posso falar pelos apoiadores idiotas do Trump.

Sim nós estamos preocupados com o Brasil. Porque nós nos importamos com o Brasil. E porque nós nos preocupamos com o mundo.

Nós tememos pela situação dos brasileiros. Tememos pela Amazônia. Tememos pelas tribos indígenas que poderão ser massacradas. Nós não queremos que mais nenhum inocente morra como aconteceu com a Marielle Franco. Sim, a notícia de seu assassinato chegou até os noticiários americanos.

E, meus caros amigos, nós admiramos e respeitamos muito cada um que tenha a coragem de se posicionar contra o Bolsonaro e seus apoiadores fascistas metidos a valentões.

Minha banda, The Guantanamo School of Medicine, não poderá ir ao Brasil por algum tempo. Estamos gravando no momento e existem assuntos internos que precisam de nossa atenção agora.

Mas saibam que vocês estão em nossos corações.
Vocês não foram esquecidos.
Vocês não estão sozinhos.
FODA-SE O FASCISMO

Jello Biafra

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Jessé Souza: O significado de Bolsonaro no poder

OBS: Jesse Souza, autor do importante livro A Elite do Atraso, é o maior intelectual da atualidade e faz um excelente resumo de nosso cenário atual no texto abaixo, onde observa o que significa a presença de Bolsonaro no comando do país e quais as causas e consequências disto. Merece ser lido com atenção.

O significado de Bolsonaro no poder

Jesse Souza - Blog Oficial do Jessé Souza

A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto financiado e produzido pela elite colonizada e sua imprensa venal, mas, ainda assim, um “protesto”. Uma sociedade empobrecida – cheia de desempregados, de miseráveis e violência endêmica, cujas causas, segundo a elite e a grande imprensa que a mantém, é apenas a “corrupção política” – elege o mais nefasto político que os 500 anos de história brasileira já produziu. Segundo a imprensa comprada, a corrupção é, inclusive, culpa do PT e de Lula manipulando a informação e criando uma guerra entre os pobres. Sem compreender o que acontece, a sociedade como um todo é manipulada e passa a agir contra seus melhores interesses.

A única classe social que entra no jogo sabendo o que quer é a elite de proprietários. Para a elite, o que conta é a captura do orçamento público via “dívida pública” e juros extorsivos, e ter o Estado como seu “banco particular” para encher o próprio bolso. A reforma da previdência é apenas a última máscara desta compulsão à repetição. Mas as outras classes sociais, manipuladas pela elite e sua imprensa, também participaram do esquema, sempre “contra” seus melhores interesses.

A classe média real entrou em peso no jogo, como sempre, contra os pobres para mantê-los servis, humilhados e sem chances de concorrer aos privilégios educacionais de que desfruta. Os pobres entraram no jogo parcialmente, o que se revelou decisivo do ponto de vista eleitoral, pela manipulação de sua fragilidade e pela sua divisão proposital entre pobres decentes e pobres “delinquentes”. Esses dois fatores juntos, a guerra social contra os pobres e entre os pobres, elegeram Bolsonaro e sua claque.

Foi um protesto contra o progresso material e moral da sociedade brasileira desde 1988 e que foi aprofundado a partir de 2002. Estava em curso um processo de aprendizado coletivo raro na história da sociedade brasileira. Como ninguém em sã consciência pode ser contra o progresso material e moral de todos, o pretexto construído, para produzir o atraso e mascará-lo como avanço, foi o pretexto, já velho de cem anos, da suposta luta contra a corrupção. Sérgio Moro incorporou esta farsa canalha como ninguém.

A “corrupção política”, como tenho defendido em todas as oportunidades, é a única legitimação da elite brasileira para manipular a sociedade e tornar o Estado seu banco particular. A captura do Estado pelos proprietários, obviamente, é a verdadeira corrupção que, inclusive, a “esquerda” até hoje, ainda sem contradiscurso e sem narrativa própria, parece não ter compreendido.

Agora, eleição ganha e Bolsonaro no poder, começam as brigas intestinas entre interesses muito contraditórios que haviam se unido conjunturalmente na guerra contra os pobres e seus representantes. Bolsonaro é um representante típico da baixa classe média raivosa, cuja face militarizada é a milícia, que teme a proletarização e, portanto, constrói distinções morais contra os pobres tornados “delinquentes” (supostos bandidos, prostitutas, homossexuais, etc.) e seus representantes, os “comunistas”, para legitimar seu ódio e fabricar uma distância segura em relação a eles.

Toda a sexualidade reprimida e todo o ressentimento de classe sem expressão racional cabem nesse vaso. O seu anticomunismo radical e seu anti-intelectualismo significam a sua ambivalente identificação com o opressor, um mecanismo de defesa e uma fantasia que o livra de ser assimilado à classe dos oprimidos. Olavo de Carvalho é o profeta que deu um sentido e uma orientação a essa turma de desvalidos de espírito.

É claro que Bolsonaro é um mero fantoche ocasional das elites brasileira e americana. Quando ele volta de mãos vazias dos Estados Unidos, depois de dar sem qualquer contrapartida o que os americanos nem sequer tinham pedido, a única explicação é que ele estava lá como sujeito privado e não como presidente de um país. Como sujeito privado, é bem possível que ele estivesse pagando, com dinheiro e recursos públicos, os gastos de campanha até hoje secretos e sem explicação. Mas é óbvio que sua campanha foi feita e muito provavelmente financiada pelos mesmos que fizeram e bancaram a campanha de Trump.

O seu discurso de ódio era o único remédio contra a volta do PT ao poder. E como a elite e sua imprensa querem o saque do povo, e para isso se aliam até ao diabo, ou pior, até a Bolsonaro, sua escolha teve este sentido. O ódio, por sua vez, é produzido pela revolta de quem não entende por que fica mais pobre e a única explicação oferecida pela imprensa venal é o eterno “bode expiatório” da corrupção política. Mas a corrupção política era a forma, até então, como se manipulava a falsa moralidade da classe média real. Como se chega com esse discurso manipulador também nas classes baixas? O voto da elite e da classe média no Brasil não ganha eleição nenhuma. Este é um país de pobres.

A questão interessante passa a ser como e por que setores das classes populares passaram a seguir Bolsonaro e permitiram sua eleição. Para quem Bolsonaro fala quando diz suas maluquices e suas agressões grosseiras? Ele fala, antes de tudo, para a baixa classe média iletrada dos setores mais conservadores do público evangélico. Este público que ganha entre dois e cinco salários mínimos é um pobre remediado que odeia o mais pobre e idealiza o rico. O anticomunismo, por exemplo, tem o efeito de irmanar este pobre remediado com o rico, já que é uma oportunidade de se solidarizar com o inimigo de classe que o explora e não com seu vizinho mais pobre com quem não quer ter nada em comum. Isso o faz pensar que ele, em alguma medida, também é rico – ou em vias de ser –, já que pensa como ele.

O anti-intelectualismo também está em casa na baixa classe média. Isso é importante quando queremos saber a quem Bolsonaro fala quando ataca, por exemplo, as universidades e o conhecimento. A relação da baixa classe média com o conhecimento é ambivalente: ela inveja e odeia o conhecimento que não possui, daí o ódio aos intelectuais, à universidade, à sociologia ou à filosofia. Este é o público verdadeiramente cativo de Bolsonaro e sua pregação. É onde ele está em casa, é de onde ele também vem. Obviamente esta classe é indefesa contra a mentira institucionalizada da elite e de sua imprensa. Ela é vítima tanto do ódio de classe contra ela própria, que cria uma raiva que não se compreende de onde vem, e da manipulação de seu medo de se proletarizar. Quando essas duas coisas se juntam, o pobre remediado passa a ser mais pró-rico que o Dória.

A escolha de Sérgio Moro foi uma ponte para cima com a classe média tradicional que também odeia os pobres, inveja os ricos e se imagina moralmente perfeita porque se escandaliza com a corrupção seletiva dos tolos. Mas, apesar de socialmente conservadora, ela não se identifica com a moralidade rígida nos costumes dos bolsonaristas de raiz, que estão mais perto dos pobres. Paulo Guedes, por sua vez, é o lacaio dos ricos que fica com o quinhão destinado a todos aqueles que sujam as mãos de sangue para aumentar a riqueza dos já poderosos.

Os primeiros meses de Bolsonaro mostram que a convivência desses aliados de ocasião não é fácil. A elite não quer o barulho e a baixaria de Bolsonaro e sua claque, que só prejudicam os negócios. Também a classe média tradicional se envergonha crescentemente do “capitão pateta”. Ao mesmo tempo, sem barulho nem baixaria Bolsonaro não existe. Bolsonaro “é” a baixaria. Sérgio Moro, tão tolo, superficial e narcísico como a classe que representa, é queimado em fogo brando, já que o Estado policial que almeja, para matar pobres e controlar seletivamente a política, em favor dos interesses corporativos do aparelho jurídico-policial do Estado, não interessa de verdade nem à elite nem a seus políticos. Sem a mídia a blindá-lo, Sérgio Moro é um fantoche patético em busca de uma voz.

O resumo da ópera mostra a dificuldade de se dominar uma sociedade marginalizando, ainda que em graus variáveis, cerca de 80% dela. Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT, mas é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível. A idiotice dele e de sua claque no governo é literal no sentido da patologia que o termo define. Eles vivem em um mundo à parte, comandado pelo anti-intelectualismo militante, o qual não envolve apenas uma percepção distorcida do mundo. O idiota é também levado a agir segundo pulsões e afetos que não respeitam o controle da realidade externa. Um idiota de verdade no comando da nação é um preço muito alto até para uma elite e uma classe média sem compromisso com a população nem com a sociedade como um todo.  Esse é o dilema do idiota Jair Bolsonaro no poder.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Fundador da Fluminense FM reconhece que Guns 'n' Roses é ruim

Que sabe, sabe. Quem é entendido e estuda o assunto tem o direito e até a obrigação de criticar quando algo não vai bem em sua especialidade. Muita gente não gosta, mas nunca se pode questionar a opinião de especialistas, já que eles estudaram para isso, vivem a sua especialidade e usam o discernimento para dizer o que pensam.

E nós reles mortais, que praticamente sozinhos criticamos várias vezes o Guns 'n' Roses, essa banda de metal farofa, ruim de doer, mas que é idolatrada e respeitada por quase todos aqueles que pensam estar ouvindo um autêntico rock quando na verdade sempre foi um desfile de estereótipos, conseguimos apoio de peso a minha mais do que confirmada tese de que o Guns 'n' Roses não passa de uma estereotipada farofada frouxa e metida, tese que é resultado de muita observação e discernimento.

Domingo passado, Luís Antônio Mello, o responsável por criar a melhor rádio de música de todos os tempos e do mundo, a Fluminense FM, que era situada na cidade onde eu moro, Niterói, escreveu um texto sobre a barangagem no rock. Neste brilhante texto, Mello cita o G'n'R como exemplo de baranganização no rock, falando curto e grosso sobre a bandinha mais idolatrada pelas miniaturas de machistas brasileiros.

O Guns 'n' Roses, como eu disse, é um mero desfile de estereótipos e não passa disso. Só é considerado como rock de verdade por quem não entende de rock de verdade. Só é tido como banda de qualidade por aqueles que tem medo de ir na fonte, de ouvir as verdadeiras bandas, que felizmente são muitas e mesmo com a maioria extinta, deixaram farto material para ser ouvido.

Essa garotada metida a "machona", ouvindo esse roquinho frouxo do canastrão Axl Rose & sua Patota, precisa ler mais, ouvir mais e prestar atenção nos conselhos de um roqueiro de verdade como Luiz Antônio Mello, grande entendedor de rock e que não aceita qualquer bobagem breganeja como o G'n'R, que se traveste de rock somente para cheirar droga, estuprar prostitutas e fazer vandalismo em hotéis.

O Guns 'n' Roses merecia ser esquecido de uma vez por todas. O rock não precisa deles. Não falta banda boa que honre com dignidade o gênero musical consagrado pela saudosa rádio Fluminense FM.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

A letra política do Depeche Mode

Uma das grandes bandas do alternativo inglês dos anos 80, a Depeche Mode, lançou em 1983, uma música de conteúdo político que, apesar de falar de um fato da época, dá para confrontar com o que acontece distante dos olhos da população, em qualquer lugar do planeta. Aqui vai a tradução da letra e embaixo, o clipe oficial da música.

Everything Counts (Tudo conta)

Letra e Música: Martin L. Gore


O aperto de mão sela o contrato
Do contrato não há retorno
A guinada em uma carreira
Na Coréia, sendo desonesto
O feriado foi cheio de diversões,
O contrato, ainda intacto

As mãos gananciosas agarram tudo o que podem
Tudo para elas afinal de contas
As mãos gananciosas agarram tudo o que podem
Tudo para elas afinal de contas
É um mundo competitivo,
Vale tudo em grandes quantias

O gráfico na parede
Conta a história disso tudo,
Imagine agora
Veja como
As mentiras e a fraude ganharam um pouco mais de poder
Confiança adotada
Com um bronzeado e um sorriso discreto

As mãos gananciosas agarram tudo o que podem...

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Provas de que o Nazismo NÃO é de Esquerda

Os bolsonaristas estão tentando forçar um revisionismo histórico para criminalizar ainda mais as forças progressistas que agem a favor da população. Integrantes do governo começaram a espalhar a falácia que diz que o Nazismo é de esquerda só por causa de seu nome, Nacional Socialismo da Classe Trabalhadora. 

Vamos explicar para estes analfabetos políticos, que querem mudar a história a seu bel prazer, como se fatos históricos fossem dogmas religiosos, que cada um monta de acordo com a sua fé, as provas de que o Nazismo não somente é de direita, como é de extrema-direita. 

Igualzinho aos bolsonaristas, que pelo jeito se recusam a compartilhar a responsabilidade pelos crimes cometidos na Alemanha da década de 30. Acusar o Nazismo de "esquerda" é aumentar ainda mais o caráter criminoso das forças progressistas, acusando os socialistas de culpa pelos crimes cometidos por Hitler, seus assessores e apoiadores.

Partidos costumam colocar nomes em desacordo com a sua ideologia

É mais do que corriqueiro que partidos escolham nomes pomposos que nada tem a ver com a sua filosofia ideológica. Não raramente, nomes são escolhidos para ludibriar eleitores, servindo de isca a atrair forças opostas a serem prejudicadas pelo partido que fala em nome dela.

O PSDB, por exemplo, tem "Social Democracia" no nome, mas a sus linha nada tem a ver com o regime político observado em países como a Holanda e os da Escandinávia. O PSDB é neo-liberal, da linha de Max Weber e defende um Capitalismo excludente, mas menos cruel que a extrema-direita. 

Um dos poucos partidos em que o nome é leal a sua filosofia é o Partido dos Trabalhadores, que sempre esteve do lado da classe trabalhadora, mas foi sabotado pelas forças conservadoras patrocinadas por grandes capitalistas internacionais.

O próprio PSL, partido de Bolsonaro, tem "Social" em seu nome, Vai ver que Bolsonaro e sua esquipe se acha de esquerda também, já que definem a ideologia pelo nome.

O Nazismo combateu comunistas, socialistas e anarquistas

Os judeus não foram as únicas vítimas do Nazismo alemão. Aliás, os únicos a escaparem das sádicas garras nazistas foram os que se consideraram "raça ariana", tipo de caucasianos tidos como "raça pura". Todos os que não se enquadravam nesta classificação eram presos, torturados, quando não mortos. 

O Nazismo não punia apenas por etnia. Punia também por ideologia. Ideologicamente, quem não pensava como os nazistas, era também punido. Ideais de esquerda eram as vítimas favoritas de Hitler & CIA, que condenava o Comunismo, perseguindo seus idealizadores da forma mais cruel possível. Como é que o Nazismo seria de esquerda se odiava a esquerda?

O Nazismo surgiu para salvar o Capitalismo

É fato consumado o de que ideais fascistas surgem para tentar salvar o Capitalismo de fortes crises. A crise de 1929 pariu o Nazismo na Alemanha. O Fascismo sempre foi uma espécie de "guarita" a proteger o Capitalismo.

O Fascismo, conhecido como extrema-direita (e o Nazismo era um tipo de Fascismo) chega para obrigar a população a aceitar na marra a exploração trabalhista que salvaria os burgueses dessas crises, através da redução de salário e de direitos trabalhistas.

O Nazismo alemão era comprometido com o Capitalismo e ajudou a desenvolver várias empresas como a Volkswagen, hoje mundialmente conhecida.

Governo Bolsonaro lembra muito o Nazismo alemão

Idiotice dos bolsonaristas de tentarem se desvincular do Nazismo. Especialistas em História Mundial e em Política Internacional vem imensas semelhanças entre os governos de Hitler e de Bolsonaro. 

A crise de 2008, ainda mais drástica que a de 1929 (até por causa da Globalização que vincula os países economicamente, fazendo com que os danos a um país atinjam os outros), criou as condições para que Bolsonaro surgisse, através do golpe de Temer.

É uma burrice colossal dos bolsonaristas, pois são nítidas explicitamente as semelhanças entre as gestões de Bolsonaro e de Hitler, confirmadas no mundo todo, onde o ex-capitão do exercito brasileiro é tratado como uma versão tupiniquim do famoso líder nazista.

Na verdade, o que Bolsonaro e sua equipe fazem é tirar o corpo fora das acusações de Neonazismo e culpas seus inimigos políticos, os progressistas, da culpabilidade do que aconteceu na Alemanha da década de 1930. Mas o tempo deixará bem claras a s muitas semelhanças entre Bolsonaro e Hitler. Tente colocar um bigodinho quadrado no "Mito" para confirmar o que estamos dizendo.

Ou será que Bolsonaro, como um nazista tupiniquim, se acha também um político de esquerda?