sábado, 31 de agosto de 2013

Forçando a barra, baixando o nível... Afinal, o que é isso, Miley?

Todos devem se lembrar de terem conhecido a Miley Cyrus, filha do cantor country Billy Ray Cyrus, através do (divertido) seriado e do filme da Hannah Montana. Mas pelo jeito quem quer esquecer mesmo a Hannah Montana é a própria Miley, que ultimamente tem forçado muito a barra para a vulgaridade, pensando com isso estar se libertando da imagem de "infantil".

Quase ninguém gostou da apresentação de Miley no último VMA. nem eu gostei. Apesar de mais linda e com um corpo perfeito, a atitude dela tem causado nojo e repulsa justamente por optar por uma vulgaridade que não combina com ela, que de fato nada tem de sensual. Para mim sensualidade é totalmente diferente de vulgaridade. E ser sensual é bom, é gostoso.

Mas a ex-estrelinha da Disney não está sendo sensual. Pelo contrário: eliminou a sensualidade em nome de uma atitude baixo astral que broxa qualquer homem. Miley demonstra estar sendo vadia, promíscua, sem noção do ridículo e ainda pensa que está sendo sexy com isso. Não houve quem gostasse. Até mesmo os que adoram danças sensuais reprovaram a performance da garota.

Pelo jeito, a ex-Montana está se divertindo com isso, pois age como se o que aconteceu tivesse que ter acontecido. Cyrus está perdendo uma oportunidade grande de se lançar como musa verdadeiramente sensual e em vias de lançar um novo disco, o primeiro fora da Hollywood Records, braço fonográfico da Disney (ela assinou com a Sony Music), manchou muito a sua imagem, espantando para longe antigos e novos fãs, mais interessados em uma musa que use charme e sensualidade com inteligência (como a também ex-Disney Selena Gomez, esta sim sensualizando com equilíbrio e bom gosto, tem feito) e não da forma ridícula e de mau gosto que ultimamente tem aparecido diante dos holofotes.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Papagaio come milho, periquito leva a fama

As pessoas perderam a noção do que é arte. Para a maioria, arte virou sinônimo de entretenimento e "artista" é todo aquele que aparece na televisão. Além disso, a submissão à televisão e a outros meios de comunicação faz com que as pessoas tomem como "mestres da arte" não os artistas que vazem a melhor arte mas os que aparecem mais nos meios de comunicação, com a reputação construída estrategicamente e artificialmente por estes meios.

Antes que digam que é coincidência, hoje é realmente o aniversário de Michael Jackson, tido erroneamente como "gênio" e "mestre" da música, quase como um semideus, uma quase unanimidade que só a falta de conhecimento musical (inclusive dos bastidores da indústria musical) e a falta de senso estético podem justificar.

Sabem aquele ditado famoso, que ilustra o título desta postagem? Significa que uma pessoa é responsabilizada naquilo que outra é que fez de fato. É quando alguém é substituído nos créditos de algum feito realizado por outro, que acaba caindo no esquecimento.

E justamente este é o caso entre Michael Jackson e Peter Gabriel, ambos em evidência nos anos 80, com carreiras iniciadas praticamente na juventude (Gabriel começou quando adolescente) e que disputam a alcunha de "Gênio da musica" defendido cada um por um lado da questão.

Gabriel havia lançado em 1986 o álbum So, que na opinião de quem realmente conhece e entende de música (e não apenas gosta), é o melhor disco lançado na década de 80. Eu concordo com esta conclusão. E só conhecendo mesmo as intenções e a trajetória de Gabriel para concordar com isso.

Gabriel, então com mais de 20 anos de carreira e 4 álbuns de grande qualidade musical, decidiu fazer um álbum mais acessível ao grande público. pelo menos o que ele julgava ser "acessível ao grande público", pois o álbum pode ser considerado um dos que chegaram ao extremo do que a arte pode fazer com o rock, um álbum produzido com esmero e muita informação musical. 

So é um álbum para ser dançado, sim (é a primeira vez que Gabriel aderiu a sons mais "black" como no carro chefe Sledgehammer e em Big Time), mas também ouvido e - o que é extremamente raro nos dias de hoje - pensado, raciocinado, pois suas canções mantém a intelectualidade genial consagrada por Gabriel, um dos maiores intelectuais da música.

Mas Gabriel, pelo menos para o grande público que ele queria atingir, foi esnobado. Mesmo com faixas sacolejantes, So caiu no esquecimento e o fundador do Genesis reduzido a um one-hit wonder como outros quaisquer. Tanto esmero para movimentar os cérebros das massas e nada. Uma pena.

Enquanto isso, um álbum sacolejante, mas nada intelectualizado, com letras falando sobre amenidades, se consagrou com a fama que seria merecida ao álbum de Peter Gabriel, gravado por um cantor dançarino que teve a sorte de ter uma grande equipe lhe apoiando. Gabriel também teve muita gente junto na produção de seu So, mas não dependia deles para ganhar visibilidade, como aconteceu com o jovem garoto de Gary, cidade do estado de Indiana.

Thriller é um álbum feito para dançar. me arrisco a classificá-lo como uma festa portátil, pois a distribuição das faixas é perfeita para ser tocada na ordem durante qualquer festa. Talvez isso é que tenha feito com quer Michael Jackson tivesse melhor aceitação popular: ele, por não ter compromisso intelectual com a arte, soa menos tedioso para as grandes massas.

Jackson teve como trunfos muita gente envolvida. Sem eles, Jackson não seria nada, pois como criador de músicas é mediano e claramente comercial, ganhando e torrando dinheiro até o último dia de sua vida, numa estranha momento de 2009. Mas tendo a assessoria de muitos produtores de renome e tendo clipes dirigidos não por diretores de clipes, mas por cineastas, somada a muita propaganda midiática, cresceu mitologicamente de maneira assustadora, parecendo muito maior do que realmente era, numa falsa imagem infelizmente consagrada até hoje.

Não que Jackson não tivesse seu valor. Mas sua missão estava direcionada a pura diversão, muito longe do estigma de "genialidade" que quase todos querem lhe dar, como se o intelectuial da música fosse ele. Sua música até tem qualidade, dentro do que se espera de uma música comercial. E a missão de divertir foi muito bem executada - a maior qualidade de Jackson foi saber aproveitar isso - se levarmos em conta sua verdadeira trajetória midiática que a mídia expôs até a exaustão. Podemos até que ele foi de fato um gênio nas relações com a mídia. O que nada tem a ver com criação musical e evolução cultural.

Jackson soube muito bem se utilizar de sua imagem, principalmente, nos seus clipes. Foi o fundador da nova fase da música de mercado, cada vez mais visual, onde a imagem se sobrepõe a musica, transformando esta em coadjuvante. Foi o primeiro a encher os palcos de seus shows com muitos dançarinos, algo banal e rotineiro na música atual. As suas coreografias - ele fazia música para dançar, mesmo! - nos clipes dirigidos por cineastas foram cruciais para a construção do mito de "gênio da música", já que a aparência é muito mais percebida do que a essência.

Gabriel também lançou mão de vídeos para promover So. Mas com o diferencial de que ainda a música era a protagonista, se valendo da imagem apenas para ilustrá-la, do contrário que Jackson, mais interessado em se promover através de sua imagem.

Mas o ex-Genesis é "complicado" demais para representar a genialidade musical para a maioria de pessoas de educação mal recebida, de discernimento atrofiado, muito mais interessada nos rebolados e nos escândalos, de Jackson, que até por isso, parece muito mais próximo da grande massa do que qualquer intelectual "distante". Jackson é o legítimo representante do povo, semelhante a qualquer cidadão em qualidades, defeitos e fazendo a música que todos podem cantar no chuveiro, sem ter nenhum talento especial.

Jackson, o bezerro de ouro moderno, o "gênio" que raciocina com os quadris, sendo ovacionado pelas grandes massas como o "gênio incontestável", consagrado artificialmente pela mídia. mesmo com um repertório e atitude típicas de um produto midiático que não tem muito a dizer de realmente relevante.

Peter Gabriel, desprezado como qualquer intelectual costuma ser, segue quieto no seu ramo, discreto como um verdadeiro gênio tem a sensatez de ser. Pois sabe que não precisa da consagração midiática, nem de popularidade ou dinheiro em excesso, para ser gênio de fato: sua riquíssima obra lhe permite essa consagração natural. 

E ainda vivo e atuante, Gabriel continua aproveitando muito bem o merecido sossego, enquanto as atenções populares seguem direcionadas a outro ídolo, que mesmo morto ainda atrai atenções.

O Google ainda quer que você jogue o Pacman

Lembra daquele doodle de muito sucesso em que havia o joguinho do Pacman, famoso videogame dos anos 80 no logo do Google? Você ainda pode jogar!!!

Neste endereço você encontra o doodle do jeito em que foi apresentado e já pronto para ser jogado, bastando para isso apertar o botão "insert coin" e aguardar alguns segundos.

O joguinho é muito legal, bastando para isso comer os pontinhos e fugir dos fantasmas. Não é legal?


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mediocridade aqui, e lá também!

Apesar da cultura estadunidense ainda abrir espaço para quem faz com qualidade e senso estético e intelectual, através da cultura alternativa que, do contrário do Brasil, ainda continua impermeável às influências do deus-mercado, a mediocridade ainda é presente por lá e ainda bem influente. 

Não tão influente quanto a daqui, pois em país com melhor educação, as pessoas são menos enganadas. Aliás, talvez até esse mainstream ianque seja feito justamente para enganar os povos de países menos escolarizados, que acabam pensando que esta é a forma superior de cultura, o que na prática e de fato não é.

Está havendo uma empolgação muito maior do que deveria com a volta da "boy band" (bandO de garotos, não banda - cadê os instrumentos? Dançarino é músico?) N'Sync. Quem tem a cabeça no lugar sabe muito bem que boy bands são fúteis, comerciais e só servem para divertit. Culturalmente são inócuos e inúteis. Ou você esperaria que o mundo mudasse e a cultura evoluísse com letras do tipo "oh, baby, como quero te beijar..." ilustrada por coreografias que mais parecem efeito de sarna?

Quando o Led Zeppelin, banda de MÚSICOS (dois integrantes com formação clássica, acreditem), infinitamente superior ao N'Sync, anunciou que iria se reunir para um - magnífico; eu vi em DVD - show, não houve tanta repercussão assim. Houve até quem não gostasse, chamando de "caça níqueis" ou alegando que eles estavam velhos demais para voltar. Velhos? O que o Led fez em sua longa carreira é que é adequado a homens com maturidade. Assista ao show e depois conversaremos melhor.

E porque tanta alegria pela volta de um grupelho que, independente de se gostar ou não, nada fez de relevante para a cultura mundial? Agora diversão virou "cultura superior"? Basta dar umas reboladas e acultura se evoluí automaticamente? Ficamos menos exigentes culturalmente? Ou agora é legal ser burro durante as audições musicais, mas com o rótulo de "inteligente"?

Sinceramente, é muito barulho por nada. É querer que a cultura se evolua cada vez menos. É, em curtas palavras, se contentar com pouco. Por mais que todos gostem das coreografias das boy bands*, será realmente necessário que essas verdadeiras futilidades sonoras feitas para menininhas em puberdade ficarem berrando, continuem nos enganando eternamente?

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*NOTA: Interessante que quase todos resolveram voltar, New Kids, Take That, Backstreet, todos com os mesmos integrantes, já meio velhos (todos), calvos e barrigudos em sua maioria. Se já é ridículo para garotos de 13 anos agirem como boy bands imagine trintões, quarentões e até cinquentões (parece que o New Kids tem um) fazendo essas dancinhas! A foto que ilustra esta postagem já mostra como ficou estranho ver senhores quase enrugados dançando desse jeito.

E o pior pode estar por vir. Se o Gugu, demitido da televisão, resolver ressuscitar o Dominó, com a mesma formação, todos esclerosados e reumáticos com suas musiquinhas e coreografias ridiculamente infantis? Argh!

sábado, 24 de agosto de 2013

Série Cosmos volta a ser produzida

A National Geographic (NatGeo para os íntimos), através da FOX, anunciou que voltará a produzir novos episódios da série Cosmos, aquela que explica astronomia para o público mais leigo. A produção  estará a cargo de Seth MacFarlane, criador de desenhos como Family Guy e American Dad (do canal FOX) e que apresentou o Oscar, gerando uma certa polêmica. Os roteiros serão da viúva de Carl Sagan, Ann Druyan, que participava da produção da versão original da série.

A apresentação será do físico Neil deGrasse Tyson, famoso por ter virado "meme" para o Facebook.  O fato de Tyson ser muito querido pelos nerds o fez participar de um episódio de Big Bang Theory, protagonizada por personagens que são físicos, onde o nome do futuro apresentador de Cosmos também chega a ser citado em outros episódios. 

A série Cosmos fez muito sucesso nos anos 80 (eu mesmo assisti a alguns episódios) e era apresentado pelo astrônomo Carl Sagan, falecido em 1996, que eu admiro bastante e que fazia parte do processo de produção e criação da série, junto com sua então esposa. Como Tyson, o Facebook tem colocado muitas mensagens usando fotos de Sagan para ser publicadas em feeds de notícias. A nova versão com Tyson está prevista para ir ao ar em 2014, inicialmente com 13 episódios.


sábado, 17 de agosto de 2013

Série Cosmos volta a ser produzida

A National Geographic (NatGeo para os íntimos), através da FOX, anunciou que voltará a produzir novos episódios da série Cosmos, aquela que explica astronomia para o público mais leigo. A produção estará a cargo de Seth MacFarlane, criador de desenhos como Family Guy e American Dad (do canal FOX) e que apresentou o Oscar, gerando uma certa polêmica. Os roteiros serão da viúva de Carl Sagan, Ann Druyan, que participava da produção da versão original da série.

A apresentação será do físico Neil deGrasse Tyson, famoso por ter virado "meme" para o Facebook.  O fato de Tyson ser muito querido pelos nerds o fez participar de um episódio de Big Bang Theory, protagonizada por personagens que são físicos, onde o nome do futuro apresentador de Cosmos também chega a ser citado em outros episódios. 

A série Cosmos fez muito sucesso nos anos 80 (eu mesmo assisti a alguns episódios) e era apresentado pelo astrônomo Carl Sagan, falecido em 1996, que eu admiro bastante e que fazia parte do processo de produção e criação da série, junto com sua então esposa. Como Tyson, o Facebook tem colocado muitas mensagens usando fotos de Sagan para ser publicadas em feeds de notícias. A nova versão com Tyson está prevista para ir ao ar em 2014, inicialmente com 13 episódios.



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Alex Mariano e o lado humano do radialismo rock

OBS: Não falarei muito sobre o já saudoso Alex Mariano, um dos integrantes da equipe da extinta rádio niteroiense Fluminense FM, que considero a melhor rádio do mundo, de todos os tempos. 

Liderada com absoluta maestria e rara competência por Luiz Antônio Mello, que tenho a honra de ter como amigo na minha lista do Facebook, a Fluminense FM era uma rádio como deveria ser, apesar das dificuldades financeiras. 

Seu formato deveria ser copiado por todas as rádios. Seus integrantes, incluindo Alex Mariano, vítima fatal de um assalto na loja em que administrava e trabalhava, eram conhecedores de rádio e de música, utilizando o vasto conhecimento para garantir a grande qualidade de sua programação, resultando no prestígio único que a rádio adquiriu.

Alex Mariano era um dos defensores da fidelidade à proposta da rádio e sua briga como Maurício Valladares, entusiasta da gororoba cultural que influenciou os defensores da decadência cultural que vemos hoje em dia (lavagem de porco cultural é caviar?) foi bastante coerente para evitar que a Fluminense se rendesse aos modismos feitos pelas outras rádios.

Mariano deixa saudades. Não estava envolvido com rádio, mas ainda amava o rock e amava seus amigos. Depois de Samuel Wainer Filho e Carlos Lacombe, a Fluminense FM (esta também falecida), perde mais um de seus guerreiros. A cada dia estamos cada vez mais órfãos.

Sem mais. Alexandre falou tudo no texto que reproduzo abaixo. Aí vocês entenderão a importância de Alex Mariano não só para a Fluminense FM, mas também para a cultura rock.

Alex Mariano e o lado humano do radialismo rock

Alexandre Figueiredo - O Kylocyclo

Na noite de ontem, morreu assassinado num assalto o comerciante Alex Mariano Franco. Ele encerrava o expediente de sua loja Fênix, na Rua Visconde de Sepetiba, no Centro Norte de Niterói, quando foi rendido e depois baleado por assaltantes. O Centro Norte é considerado uma das áreas mais perigosas de Niterói.

Mas ele seria apenas um dos cidadãos covardemente mortos pela violência urbana se não fosse o fato de que, nos anos 80, Alex Mariano tivesse sido um dos integrantes da equipe fundadora da Rádio Fluminense FM. É a terceira morte entre os membros fundadores, depois de Samuel Wainer Filho, morto em acidente de carro em 1984, e Carlos Lacombe, também vítima de assalto, em 2002.

Alex vivia o espírito da época, quando jovens brasileiros ainda sentiam o gosto da Contracultura dos anos 60 que, naquele Brasil sufocado pela ditadura militar, foi tragada aos poucos, só acabando às vésperas do Rock In Rio, em 1984.

Mas o aparente atraso, no entanto, revelava uma criatividade. Afinal, tivemos mentes brilhantes que fizeram o Rock Brasil, o cinema juvenil brasileiro, o radialismo, o teatro e as artes plásticas que marcaram a década de 80. Se os jovens brasileiros ainda eram meio hippies quando até o punk parecia passado na Inglaterra, eles tinham jogo de cintura o bastante para se manterem modernos e atualizados.

E a Fluminense FM mostrava esse espírito, o lado humano do radialismo rock que hoje é apenas um baú de recordações. É pena que hoje o radialismo rock, reduzido a uma piada de dois números consecutivos (89), é mais uma questão de logotipo, de departamento comercial e parcerias promocionais do que um estado de espírito, impossível de ser assumido por locutores imbecilizados de fala tresloucada.

Há trinta anos atrás - e eu, aos 12 anos, começava a "mergulhar" fundo nas audições da Fluminense FM - , Alex Mariano dava seu sangue junto a Luiz Antônio Mello, Mylena Ciribelli, Monika Venerabile, Amaury Santos, Sérgio Vasconcellos, Liliane Yusim, Selma Boiron, Maurício Valladares, o citado Carlos Lacombe, entre outros.

Tempos em que rádios de rock tinham locutores que falavam feito gente, tinham inteligência e não arrogância, e respeitavam o rock antigo e o rock novo. Nada a ver com os tempos boçais de hoje, de uma 89 FM que tanto ignora os Beatles quanto o Beady Eye e acha que tudo que Mark Knopfler fez na vida foi "Sultans of Swing" e o álbum Brother In Arms.

E as rádios de rock eram mais abrangentes. Os vários produtores da Fluminense FM, com um pouco de sua bagagem musical, contribuíram para o vasto repertório que a "Maldita" tocava, e a anos-luz da Internet, havia muito mais liberdade de repertório roqueiro do que hoje, tempos de informação globalizada. Luiz Antônio Mello marcou não só pelo seu grande talento de coordenador, mas também pela cumplicidade de uma equipe que compartilhava com ele esse talento, amor e dedicação à rádio.

É porque, entregue à mesmice empresarial e aos interesses meramente comerciais, o radialismo rock hoje é um hit-parade robotizado e acéfalo montado praticamente pelas gravadoras, já que basta apenas ao programador hoje "distribuir" as músicas previamente lançadas.

Não há mais amor nas "rádios rock", não há mais espontaneidade nem talento nem criatividade. Há até ódio e rancor nas rádios ditas roqueiras hoje. Muita arrogância, muito fascismo, baseado apenas na "virtude" de não tocarem grupos vocais adolescentes e ídolos do "pagode romântico" e "sertanejo". Mas ter defeitos a menos não é o mesmo que ter qualidades a mais.

Alex Mariano entendia de tropicalismo e música brasileira. Mas também apreciava o rock clássico, e como coordenador da Fluminense FM logo após a saída de Luiz Antônio Mello em 1985, ele adotou essa linha. E um episódio ficou célebre envolvendo a briga entre Alex e Maurício Valladares.

Por causa do Rock In Rio, Maurício Valladares, fotógrafo, jornalista e divulgador e amigo de bandas como Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, apresentava o Rock Alive (a princípio, junto com Liliane Yusim), pensava que a Fluminense FM deveria mudar seu rumo para a soul music, funk autêntico e world music.

Era uma época em que a etnografia musical não era corrompida pelo canto da sereia brega-popularesco pois hoje, em nome do "mundialismo cultural", misturam-se alhos com bugalhos enfiando o joio do "funk carioca", tecnobrega, axé-music no trigo da diversidade folclórica terceiro-mundista. Como deixou claro Hermano Vianna, antropólogo que surgiu como discípulo de Valladares.

MauVal, como era conhecido, chegou aos estúdios da Fluminense FM, no mesmo centro de Niterói que viu Alex Mariano morrer na noite passada, e, encontrando ele no seu trabalho, criticou a programação roqueira da emissora. Mariano não gostou das críticas, e afirmou que a linha da Fluminense era aquela, rock'n'roll, e MauVal, irritado, decidiu dar fim ao Rock Alive, que, reformulado, hoje corresponde ao programa Ronca Ronca.

Alex Mariano, através do episódio tardiamente divulgado na Internet, foi injustamente tido como radical e xiita. Mas ele apenas havia sido fiel ao caminho que a Fluminense FM tomou, que, do contrário que se imagina, ainda manteve a programação musical em bons termos até 1990, já que entre 1986 e 1988 a emissora chegou mesmo a divulgar novos nomes do rock alternativo estrangeiro, alguns inéditos até hoje no mercado brasileiro, como Weather Prophets e Rose Of Avalanche.

A imagem de radical vinha em tempos trevosos de 2001, quando a ditadura midiática estava no auge e, no lugar do brilhantismo da Fluminense, o radialismo rock era (muito mal) representado pelo reacionarismo de tinturas extremo-direitistas da Rádio Cidade (que um dia foi uma rádio pop boa), que transformou até Monika Venerabile em caricatura de si mesma (hoje, "castigada", ela apresenta programas popularescos na Nativa FM carioca, franquia de rádio dos mesmos donos da 89 FM).

Foi uma luta para mim, que escrevia textos sobre radialismo rock na Internet, provar que o radialismo rock representado pela 89 e Cidade era fajuto, quando a tendência (equivocada) era de muita gente acreditar que a Fluminense FM de 1986 que ousava tocar Durutti Column na programação normal era "pior" do que a Rádio Cidade de 1996 que tinha medo de tocar até Beck Hansen (sucesso na MTV na época).

Muito da relembrança da Rádio Fluminense FM se deveu nos meus textos da Internet, que apresentavam às gerações recentes caraterísticas que as ditas "rádios rock" hoje não têm, e pude expandir a recordação da emissora niteroiense que Luiz Antônio Mello descreveu no livro A Onda Maldita.

Hoje a Fluminense FM não existe mais, mas até mesmo a 89 FM de 1985-1987 está morta para sempre, e olha que nessa época a 89 estava mais para uma sub-equivalente paulistana da Estácio FM, perdia até para a Fluminense de 1986-1990. É de se lamentar que muitos apoiem a 89 FM e sua fórmula "Jovem Pan com guitarras" esperando, em vão, ouvir Frank Zappa e Violeta de Outono até na hora do almoço, enquanto seus ouvidos sangram ao som de bandas poser, emo e pós-grunge.

Há muito Alex Mariano não estava mais no radialismo rock. Foi sua opção pessoal largar o ramo. Tinha outros projetos. Gostava da cultura de povos primitivos, como os Maias, Incas e Astecas, adorava viajar e gostava muito de ler sobre Economia e transporte aéreo. E, até o lamentável desfecho de ontem, também adorava manter a loja Fênix.

Ver que, no país atolado pela medriocridade galopante (até a boa publicação Carta Capital se vende para um bando de jornalistas culturais que glamourizam a breguice cultural que arrasa com o Brasil) uma pessoa como Alex Mariano morrer da forma que morreu, é desesperador.

E nem tanto por apenas ele ter sido um grande profissional de rádio. Mas como figura humana e um exemplo para os tempos de hoje, movidos pelo mero pragmatismo das conveniências. Amigos, familiares e parceiros sentirão muita falta do convívio diário de Alex Mariano, deixando uma sombra na Fênix que nem se sabe se renascerá das cinzas da violência urbana.

Eu mesmo passava nas minhas andanças pelo centro niteroiense pela Rua Visconde de Sepetiba e não tinha a menor ideia que Alex Mariano trabalhava numa loja de lá. Só soube depois da tragédia. Se soubesse antes, quem sabe eu pudesse conhecê-lo e trocar ideias e conversar sobre vários assuntos na vida. Lamentavelmente, meu quase xará faleceu relativamente cedo, aos 59 anos de idade.

O que resta agora é a polícia identificar e prender os assassinos de Alex Mariano. Depoimentos estão sendo feitos neste sentido por diversas testemunhas. Quanto ao legado do radialismo rock, Alex já faz parte da história. E, sem uma rádio à altura da Fluminense FM, num dial FM que, em todo o Brasil, sofre uma crise catastrófica - até agora não-assumida por colunistas de rádio - , quem curte rock está a anos-luz longe da 89 FM e asseclas e monta sua seleção pessoal por MP3.

São outros tempos. Creio que mais sombrios.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Eles não desistem: turma do Fora do Eixo assina com portal de esquerda para continuar destruindo a cultura brasileira

Uma má notícia foi dada ontem. A revista de esquerda Carta Capital, esquerdista quanto a assuntos políticos e sociais resolver se "endireitar" nos assuntos de cultura e chamou o jornalista Pedro Alexandre Sanches e sua equipe de pupilos da CIA (a Agência Central de Inteligência dos EUA) para escrever uma coluna na revista, dando a ele a continuação de sua "missão" de destruir a cultura brasileira dando força a formas caricatas e burras de cultura feitas por gente sem referencias culturais e muito mais interessados em usar a cultura com,o fonte de renda para se sustentar ou até enriquecer.

Havia falado em outra oportunidade que a CIA está interessada em destruir a cultura brasileira, fortalecendo as suas formas de deturpação, desviando o foco para que manifestações legítimas possam desaparecer discretamente, sem que todos percebam, colocando a música de mercado em seu lugar.

Os EUA, que não tem uma cultura conhecida (lá a música de mercado é absolutamente hegemônica), descobriram que a deturpação cultural é a melhor forma de manipular a população, pois não desperta suspeitas. Criou instituições (como a Fundação Ford), sustenta organizações (como a Open Society, do especulador financeiro George Soros, de orientação direitista) e se instala em universidades brasileiras pagando bolsas, mas impondo temas de pesquisa (de preferência exaltando a estagnação intelectual e moral do povo pobre), procurando de todo o jeito de manobrar os brasileiros intelectualmente para que o Brasil não se desenvolva e assim, não se torne um rival a altura dos estadunidenses. E O Fora do Eixo de Sanchez e seus capangas é o mais atuante nessa missão destruidora da cultura nacional, estimulando formas cada vez mais ridículas, caricatas, alienadas e toscas de "cultura".

Portanto é de estranhar que uma revista de esquerda possa contratar como articulistas de cultura gente tutelada pelos EUA e de filosofia tão capitalista quanto a de Eike Batista, achando que deturpar a cultura brasileira para que o brasileiro se mantenha na crônica ignorância e eterna baixa auto-estima (complexo de vira-lata), é o que irá trazer dignidade a população de nosso país.

Tomara que fracasse essa iniciativa e que Sanches e CIA (e a CIA também!) possam cantar em outra freguesia. E que seja em um ambiente mais de acordo com a visão etnocêntrica enrustidamente preconceituosa ("pobre só deve produzir cultura de má qualidade"), que os capitalistas tanto adoram.