sábado, 25 de maio de 2013

Feliz Dia do Orgulho Nerd!

Hoje é um dia que tem muito a ver com a "tribo" da qual pertenço: os nerds. E o mais legal é que ele caiu justamente no dia que considero o mais nerd da semana: o sábado.

O 25 de maio é estipulado como o Dia do Orgulho Nerd, ou simplesmente - sabe-se lá porque cargas d'água - Dia da Toalha. Na verdade a toalha é um elemento importante na saga Guia do mochileiro das galáxias, considerado uma obra de nerd para nerd. Na mesma data, outra obre apreciada por nerds (mas não feita por nerds) Star Wars, teve a sua primeira exibição, em 25/05/1977. Ou seja não faltam motivos para essa gente desengonçada que quer mostrar seu valor, comemorar.

E eu como nerd legítimo, claro que não ia ficar fora desta, apesar de ainda não ter tido a oportunidade de assistir ao Guia do mochileiro das galáxias. Mas para os nerds, normalmente desprezados pela sociedade, graças a seu jeito e gostos estranhos, comemorar o dia de hoje é uma oportunidade única de se sentir honrado.

Portanto para nerds como eu, desejo um feliz Dia da Toalha. E que dias melhores possam vir para nós, apesar de vivermos em uma sociedade cada vez mais metida a perfeita e exigente demais na hora de oferecer os benefícios que já são tão difíceis de conquistar com muita luta. 

Vida longa e próspera a todos. I'm a nerd and I'm proud of it!

Feliz Dia do Orgulho Nerd!

Hoje é um dia que tem muito a ver com a "tribo" da qual pertenço: os nerds. E o mais legal é que ele caiu justamente no dia que considero o mais nerd da semana: o sábado.

O 25 de maio é estipulado como o Dia do Orgulho Nerd, ou simplesmente - sabe-se lá porque cargas d'água - Dia da Toalha. Na verdade a toalha é um elemento importante na saga Guia do mochileiro das galáxias, considerado uma obra de nerd para nerd. Na mesma data, outra obre apreciada por nerds (mas não feita por nerds) Star Wars, teve a sua primeira exibição, em 25/05/1977. Ou seja não faltam motivos para essa gente desengonçada que quer mostrar seu valor, comemorar.

E eu como nerd legítimo, claro que não ia ficar fora desta, apesar de ainda não ter tido a oportunidade de assistir ao Guia do mochileiro das galáxias. Mas para os nerds, normalmente desprezados pela sociedade, graças a seu jeito e gostos estranhos, comemorar o dia de hoje é uma oportunidade única de se sentir honrado.

Portanto para nerds como eu, desejo um feliz Dia da Toalha. E que dias melhores possam vir para nós, apesar de vivermos em uma sociedade cada vez mais metida a perfeita e exigente demais na hora de oferecer os benefícios que já são tão difíceis de conquistar com muita luta. 

Vida longa e próspera a todos. I'm a nerd and I'm proud of it!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Surfista veterano se emociona com exemplo de jovem surfista cego

OBS: Existem pessoas cujo exemplo nos dá esperança e vontade de viver. O surfe, que é um esporte difícil para muita gente que enxerga, como eu (eu mesmo ia ser um baita fracasso), é onde o brasileiro cego Derek Rabelo teve a oportunidade de mostrar que tem condições de enfrentar o que aparecer pela frente, mesmo sem ter a visão para perceber isto. E justamente com um esporte que já é complicado para quem enxerga bem.

Impossível não se emocionar e não se orgulhar de Rabelo, um corajoso e persistente rapaz que prova a todos nós que quando se tem vocação e prazer, não existe limitações para se conquistar qualquer sonho. Ah, digo isso para mim também, pois eu mesmo não sigo esta dica. Vou dar bronca em mim mesmo: Marcelo, mexa-se e siga o exemplo de Derek Rabelo! Se ele pode seguir o sonho dele, porque não segue o seu!

Sem conseguir surfar de olho fechado, Slater se emociona com surfista cego
CBN - Publicado no blogue Turismo Adaptado

Aos 41 anos e com 11 títulos mundiais no currículo, Kelly Slater dificilmente ainda se surpreende no surfe. E foi um rapaz brasileiro, cego desde o nascimento, que proporcionou a ele uma das experiências mais impressionantes de sua vida. O americano é um dos surfistas que participam do documentário “Além da Visão”, que conta a história de Derek Rabelo, de 20 anos. O filme teve os trailers exibidos nesta semana, durante o Rio Pro, terceira etapa do Circuito Mundial, que segue suspensa pela falta de ondas.

Slater surfou com Derek Rabelo em setembro do ano passado. Botou uma venda nos olhos e…

- Não consegui pegar nenhuma onda… – conta o americano, sobre o dia de gravações em Trestles, na Califórnia, onda que ele conhece como poucos.

Slater não pôde comparecer aos eventos para divulgar o filme de Derek no Rio. Mas alguns  surfistas da elite mundial estiveram por lá. Entre eles, os irmãos gêmeos Damien e CJ Hobgood – CJ foi campeão mundial em 2001. Mick Fanning, Laird Hamilton, Mike Stewart, entre outros, também viraram fãs de Derek nos últimos meses. Inclusive, Derek Ho, havaiano campeão do mundo em 1994. Foi ele quem inspirou o nome do brasileiro.

Derek nasceu sem a visão – glaucoma congênito. Os pais, apaixonados por surfe, o batizaram em homenagem ao campeão mundial. E, aos 17 anos, o menino decidiu aprender a surfar. Hoje, faz parte da equipe de uma empresa de surfwear.

A caminhada de Derek entre os melhores do mundo começou de fato em 2011, quando, levado pelo amigo bodyboarder Magno Passos, surfou Pipeline, a onda mais tradicional e uma das mais temidas do Circuito Mundial.

Foi então que Bruno Lemos e  Luiz Werneck decidiram criar o documentário. Bryan Jennings é o produtor do filme, que deve ser lançado no fim deste ano.

- É inspirador. Tenho muito respeito pelo que ele faz. Ele nunca viu. Só sente a onda. Surfe é uma atividade muito visual. É impressionante o que ele consegue – disse Slater.

Ator de 'Senhor dos anéis' lança disco de heavy metal aos 91 anos

OBS: Um sinal de jovialidade que este senhor, velho conhecido dos nerds, pois atuou em muitas obras curtidas por esta gente desengonçada que quer mostrar seu valor, mostra a todos. Nunca é tarde para ser feliz e Lee mostra que idosos merecem curtir a vida sim, fazendo o que gostam.

Lee talvez seja o mais velho headbanger da face da Terra. Merece entrar para o Guiness.

Ator de 'Senhor dos anéis' lança disco de heavy metal aos 91 anos

Redação do site G1

O ator inglês Christopher Lee, que interpretou o mago Saruman na saga "Senhor dos anéis", vai lançar no dia 27 de maio, data de seu aniversário de 91 anos, o disco de heavy metal "Charlemagne: The omens of death". O álbum definido pelo artista como "100% heavy metal" já tem trechos disponíveis para audição em streaming em sua página oficial (ouça).

"Christopher Lee, o lendário ator de cinema ("Senhor dos anéis", "Star wars", "Drácula", "007 contra o homem com a pistola de ouro") está lançando seu primeiro álbum 100% heavy metal, chamado "Charlemagne: The omens of death", no seu aniversário de 91 anos", diz o texto de divulgação no site do artista. Os arranjos do novo disco foram feitos por Richie Faulkner, guitarrista do Judas Priest.
saiba mais

Outros papeis de destaque de Christopher Lee no cinema, além do mago de "Senhor dos Anéis" e "Hobbit", são Count Dooku em filmes da série de "Guerra nas estrelas" e o vilão Francisco Scaramanga de "007 contra o homem com a pistola de ouro" (1974).

Este é o segundo álbum lançado por Christopher Lee. Em 2010 ele lançou o disco "Charlemagne", definido por ele como "metal sinfônico". Ele também já colaborou com narrações em diversos discos da banda italiana Rhapsody of Fire e chegou a colaborar com o Manowar.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Porta fechada

Ontem recebi uma triste notícia para quem gosta de música de qualidade: Ray Manzarek, o famoso tecladista da banda psicodélica The Doors, faleceu aos 74 anos, por causa de um câncer no fígado.

The Doors, uma das melhores bandas dos anos 60 e que, junto com o Velvet Underground, representou os EUA* numa década dominada pelas bandas britânicas, era uma banda peculiar e de excelente qualidade. 

Seu vocalista, Jim Morrison, que apesar da boa estampa, renegou a função de galã - reagindo até de maneira escandalosa contra isso - era um leitor assíduo de bons livros e influenciado sobretudo pela literatura beat (a dos beatniks como Jack Kerouac) e levava essa influência para as excelentes letras de suas músicas, bastante tensas e reflexivas. Suas letras eram embaladas pelo teclado de Manzarek, fazendo com que a banda tivesse o diferencial de ter um tecladista e não um guitarrista, como principal músico solista.

Manzarek tentou manter o grupo na ativa após a morte de Morrison, sem sucesso, já que o vocalista/letrista não só era bastante carismático como seu canto e suas letras deram ainda mais qualidade a sonoridade do grupo. Manzarek também teve uma carreira solo, com quatro álbuns e escreveu vários livros, um de romances. Em 1987 participou de uma gravação de Bad Bugs and Ballyhoo e autorizou pessoalmente a banda para regravar People Are Strange, do repertório dos Doors, no mesmo ano. Manzarek manteve a sua qualidade como tecladista, mesmo não conseguindo levar a banda ao prestígio dos tempos de Morrison.

Fica aqui o nosso pesar e lamento, acrescentando que o grande tecladista fará falta. Pelo menos fica a sua lição e sua grande experiência através da lendária e eterna banda The Doors.

Fico triste quando morre alguém responsável por uma grande fase da cultura, pois agrava o já crescente desinteresse da juventude por arte de qualidade, já que o público jovem prefere os "artistas" mercenários que predominam na mídia atualmente. Mais uma porta se fechou.

 
 ---------------------------------------------------------------
* NOTA:Lembrando que apesar de americano nato, Jimi Hendrix na verdade representou o rock inglês, pois morava lá, onde desenvolveu sua carreira e integrou o Jimi Hendrix Experience, formada em Londres com mais dois britânicos, Noel Redding e Mitch Mitchell.

terça-feira, 14 de maio de 2013

'Star Wars' será dublado em língua indígena nos EUA

Os produtores e distribuidores decidiram dublar a saga Star Wars em idioma navajo, falado por um dos povos indígenas que ainda existem nos Estados Unidos.

A iniciativa tem por objetivo estimular a própria população da tribo Navajo a preservar o idioma, por meio da sua utilização por membros mais jovens da tribo. Para isso, estão sendo contratados falantes do idioma para dublar a saga. Linguistas foram os responsáveis por verter os diálogos. 

A versão traduzida será exibida no dia 4 de Julho, dia da Independência estadunidense, e depois em setembro, durante um festival sobre a cultura navaja.

Legal a iniciativa de traduzir o filme e sua saga para o idioma indigena, embora não aprove dublagens. Se percebe que lá nos EUA há um respeito maior aos indígenas, começando por sua língua. Nós, os brasileiros, somos uma nação formada basicamente de forasteiros, que se achando donos da terra, maltratamos os nosso indígenas e aniquilamos a cultura deles.

Mas aproveito a ocasião para perguntar se não era melhor também fazer em klingon, idioma de outro "Star", o Trek. Ficaria interessante e criaria uma conexão entre as duas obras, o que já deveria ter sido pensado há muito tempo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A decadência da versão brasileira da revista Playboy e de suas similares

A mais famosa revista dedicada ao público masculino, priorizada por ensaios geralmente bem feitos com mulheres nuas, está dando sinais de franca decadência em sua edição tupiniquim. Embora possa parecer sinal dos tempos, na verdade pode estar sugerindo uma crise.

Há tempos a revista não vem investindo em ensaios interessantes. Não vou analisar aqui o aspecto técnico pois não entendo da parte técnica de fotografia. Deixo isso para outros analisarem. Falarei como antigo leitor da revista, que não compro desde o final dos anos 90. Nem me lembro qual a última edição que comprei, mas a internet me tirou a necessidade de comprá-la. Até porque não quero acumular papel, ainda mais depois de uma experiência muito desagradável com um grande enxame de cupins, em 2010.

Musas de proveta

Será que a qualidade das musas influencia? Sim, pois houve um tempo em que a revista chamava musas de verdade para mostrarem seus belos corpos ao natural. Hoje, além dos programas de edição de imagem que alteram tudo, temos musas criadas apenas para serem símbolos sexuais. 

As chamadas boazudas, as paniquetes, frutas, musas de brasileirão, "modelos" (não confundam com as de grife: as modelos vendem roupas e produtos de beleza, as "modelos" vendem seus corpos) e similares, foram criadas para fazerem o papel exclusivo de símbolos sexuais, sem nada mais a fazer de relevante além disso. É o que eu chamo de símbolos sexuais de proveta, pois criadas para tal, são moldadas como tal. 

Até enjoa, pois elas, além de insossas e artificiais (Silicone? Anabolizantes? Hã?), o fato de serem criadas apenas para servirem de entretenimento sexual masculino, tira a graça da fantasia sexual. O fato de não serem nada além de meros objetos tira a graça. Até porque roupas minúsculas se tornam o "uniforme" dessas musas sem nada a dizer.

Antes não era assim. Tínhamos atrizes, cantoras, esportistas e até jornalistas dispostas a posar nuas. Era legal porque você tinha a oportunidade de ver em uma sessão sensual uma mulher que normalmente não era associada a esse universo. Mulheres já admiradas em outras ocasiões, mas que eram colocadas em um contexto sensualizante.

Isso tem muito a ver com o fato de não pensarmos em sexo o tempo todo. Sexo é algo que se faz por alguns minutos e creio que musas também devem ser valorizadas também em outros momentos. Aí está a graça. Sexy, por exemplo é ver uma jornalista como Fátima Bernardes, mulher realmente linda e gostosa, de bíquini de vez em quando. Por outro lado é chato ver uma Nicole Bahls o tempo todo de biquíni ou roupas indiscretas, já que não consegue se vestir sem se "sensualizar". Isso não.

Revistas sobre saúde física excitam mais

Falei um pouco sobre as musas vazias porque é uma das razões da decadência da versão brasileira da revista, que está ameaçando a não publicar mais nus. Mas vai publicar sessões sensuais leves de musas vazias? Sites como Morango caíram justamente por causa disso.

E as musas de verdade, elas não estão sendo chamadas ou elas exigem caché alto demais? A segunda alternativa faz mais sentido. E mais: creio que as musas de verdade estejam aliviadas por existirem as musas de proveta, pois assim, as mulheres de classe são dispensadas de posar nuas. Coloca-se uma paniquete no lugar de uma atriz que "está ótimo".

Perdi o gosto de ver a revista Playboy, a não ser quando aparece uma musa de verdade, como, para dizer uma sessão mais recente, a Leona Cavalli, talentosa atriz e subestimada como musa, uma mulher lindíssima, inteligente e altamente sedutora que teve a felicidade (Nossa? Dela?) de mostrar a sua perfeição física para a revista Playboy, no ano passado. Mas antes regra, mulheres como Leona virou exceção.

Hoje sinto muito mais excitado com sessões de biquíni de revistas como Boa Forma e Shape, que ainda tem a oportunidade de mostrar mulheres de verdade, mesmo com fotos alteradas digitalmente. Estas revistas ainda servem como ótima vitrine da beleza de belas mulheres, com direito a ensaios com uma discreta sensualidade, mas que agrada na dose certa. A Women's Health inclusive tem se destacado mostrando desconhecidas com impressionante beleza de alto nível , se tornando a "marca registrada" da revista. Uma capa, colocada nesta postagem mostra o que eu quero dizer (clique na foto para vê-la maior).

Com a internet, fotos de nu explicito dispensaram as revistas, já que além de fotos da fase clássica da Playboy e outras similares, temos inúmeras fotos espalhadas com mulheres que dão de 1000 a zero nessas musas de proveta que só sabem balançar o rabo e criar polêmicas.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Há 120 anos, nascia um mestre: Graciliano Ramos

OBS: Tive pouco contato com a obra de Graciliano, mas o suficiente para admirá-lo e considerá-lo um dos maiores escritores do país, um de meus favoritos. Li toda a obra Vidas Secas e participei de uma encenação de uma peça sobre esta obra em uma matéria na escola. Na faculdade, participei de um estudo sobre a obra Memórias no Cárcere, onde cada aluno do grupo analisava uma parte do livro. Tirei uma ótima nota na ocasião. E um prazer enorme de ter feito o trabalho.

E consegui ler inteiramente um dos livros que mais gostei: Em Liberdade, de Silviano Santiago, onde o autor, genialmente, se imagina no lugar de Graciliano na tentativa de fazer uma continuação de Memórias no Cárcere. Como eu consegui ler após o citado trabalho, entendi o conteúdo do livro e amei de imediato. Santiago também é um dos nossos melhores escritores e a coragem de continuar uma obra de Graciliano se imaginando na pele dele, exige um talento ímpar.

Grande Graciliano! Um país que teve Graciliano Ramos como um de seus maiores representantes na literatura é um país privilegiado. Pena que atualmente quase todos prefiram esnobar gente do talento dele. Talvez se Graciliano fosse vivo e jovem e começasse sua carreira hoje, ele não teria espaço, se tornando abandonado no ostracismo, ignorado até mesmo por acadêmicos sustentados pelos órgãos da CIA, hegemonicos em qualquer faculdade da atualidade.

Há 120 anos, nascia um mestre: Graciliano Ramos
 
Milton Ribeiro  - Sul21 

Graciliano Ramos viveu 60 anos e nasceu há 120, precisamente em 27 de outubro de 1892. Durante sua vida, publicou 10 livros. Tal simetria combina bem com o estilo do escritor – seco, elegante, de um regionalismo muito particular, discreto e onde estavam presentes mais a condição social e a psicologia do que as descrições de costumes e o ambiente. A política, aliás, apareceu em sua vida antes do escritor. Graciliano nascera em Alagoas, na cidade de Quebrângulo. Aos dezoito anos de idade, mudou-se para Palmeira dos Índios, onde o pai era comerciante. Em 1928, tornou-se prefeito. Um excelente prefeito. Permaneceu no cargo por dois anos, renunciando em 1930.

Durante sua gestão, tomava atitudes polêmicas como a de soltar os presos para que construíssem estradas. Outra curiosidade é que seu talento para a literatura foi descoberto a partir dos relatórios que escrevia como prefeito. Ao escrever um relatório ao governador Álvaro Paes, chamado “Um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928”, publicado pela Imprensa Oficial de Alagoas em 1929, o escritor se revela mesmo ao abordar assuntos de rotina da administração. Seus relatórios impecáveis, mas também irônicos e apresentados em forma livre, dificilmente seriam lidos sem estranheza e admiração. Após a renúncia, foi nomeado diretor da Imprensa Oficial de Alagoas. (Aqui, temos o relatório enviado pelo prefeito Graciliano ao governador de Alagoas em 1930).

Uma foto rara de Graciliano, provavelmente dos anos 30

E efetivamente foram tais relatórios que pavimentaram o caminho para a literatura. Eles foram levados ao conhecimento do poeta e editor Augusto Schmidt, que aconselhou Graciliano a escrever mais, porém a respeito de outros temas. Em 1933, foi o mesmo Schmidt que publicou seu livro de estreia, Caetés, o qual vinha sendo escrito desde 1925.

Entre 1930 e 1936, viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial e professor. Durante este período, publicou São Bernardo e, na tarde de 3 de março de 1936, após entregar o manuscrito de Angústia a sua datilógrafa, Dona Jeni, foi levado de sua casa, preso. O motivo era a suspeita – jamais formalizada – de que o escritor tivesse conspirado no malsucedido levante comunista de novembro de 1935. Preso em Maceió, Graciliano foi demitido do serviço público e enviado a Recife, onde embarcou com outros 115 presos no navio “Manaus”. O país estava sob a ditadura de Vargas. O escritor esteve preso no Rio de Janeiro — no Pavilhão dos Primários da Casa de Detenção — e depois foi mandado para o presídio de Ilha Grande, onde passou a célebre temporada descrita em Memórias do Cárcere, livro apenas publicado postumamente. Com ajuda de amigos, consegue publicar Angústia, talvez sua melhor obra, em 1936. Foi libertado em janeiro de 1937, após dez meses.

O escritor Marcos Nunes observa, a respeito de Angústia: “Trata-se de um romance excepcional, que consegue ser ao mesmo tempo expressão de sua região e do mundo inteiro. A gente sai em frangalhos da leitura; é uma experiência quase única em literatura, porque o clima pesa em um contínuo massacrante mas, ao contrário do que se possa pensar, aquilo não nos faz rejeitar o romance, mas mergulhar nele como se dele pudéssemos extrair uma catarse de todo nosso sofrimento. A angústia é nuançada até a explosão desesperadora que nada redime enquanto tudo finaliza; a vida acaba, a do leitor continua e nunca mais será a mesma”.

É importante notar que o pessimismo de Graciliano não é produto de atuação ou de uma projeção. Não foi muito fácil ser Graciliano Ramos. As surras durante a infância; o adolescente inteligente a autodidata que lia Balzac e Marx em língua francesa; o aperto financeiro por toda a vida; as dificuldades para adequar-se à burocracia e aos caminhos tortuosos do Partidão; a prisão política em Ilha Grande; a volta à vida civil e ao inferno das dívidas; nada daquilo que era o material ficcional de Graciliano lhe era estranho. Havia autêntica tensão entre o homem, a atmosfera social e sua criação literária, como lembra seu biógrafo Dênis de Moraes, em O Velho Graça.

Após a prisão, o grande estilista Graciliano Ramos foi trabalhar como copidesque no Correio da Manhã. Seu livro seguinte foi Vidas Secas (1938). O livro, o primeiro narrado em terceira pessoa, aborda uma família de nordestinos retirantes às voltas com a seca, a pobreza e a fome. A narrativa não aponta apenas os problemas sociais, mas o efeito emocional que tais condições impõem aos personagens. Graciliano teve enorme cuidado com este livro, fazendo visitas frequentes à gráfica para ter certeza de que a revisão e as ilustrações não interfeririam em seu texto. Outros escreveram livros naturalistas sobre a pobreza do Brasil, mas talvez não da forma como fez Graciliano: sem opiniões do autor, sem discursos, sem indignação, com o mínimo de palavras, como se apenas abrisse uma cortina para a realidade e dissesse: é assim que é; eles se sentem assim.

A polícia de Vargas aparentemente o deixa em paz, mas anota em seus registros que na sede da revista “Diretrizes”, em 1940, o escritor frequentava assiduamente a sede da revista “Diretrizes”, junto de Álvaro Moreira, Joel Silveira, José Lins do Rego e outros “conhecidos comunistas e elementos de esquerda”.

Outro grande livro de Graciliano é o autobiográfico Infância (1945). Filho mais velho de um casal sertanejo de classe média, ele narra sua infância em meio a uma prole numerosa, afastado de manifestações de afeto e brincadeiras. A infância árdua, vivida na virada do século XIX para o XX, no interior de Alagoas, encontra suas maiores alegrias na solidão e na descoberta da literatura. Ao fundo, onipresente, pode ser espreitada a condição econômica, histórica e cultural da família.

O célebre Memórias do Cárcere (1953) é obra póstuma. É uma pena que este clássico tenho sido publicado com Graciliano morto meses antes de um câncer no pulmão. Falta-lhe o último capítulo. Sobra muita, muitíssima grande literatura nas esplêndidas páginas dos dois volumes de Memórias do Cárcere. Quando seu filho Ricardo perguntava sobre o final do livro, Graciliano respondia que faltava pouco, que era tarefa para uma semana. O título? Ora era um, ora era outro, Memórias do Cárcere ou simplesmente Cadeia. E o que pretendia com este último capítulo? Sensações de liberdade. A saída, uns restos de prisão a acompanhá-lo em ruas quase estranhas. Mas Graciliano nunca escreveu este final quase feliz.

Há uma querela a respeito do fato de que o texto de Memórias do Cárcere teria sido alterado por pressões do PCB. O neto de Graciliano, o escritor Ricardo Ramos Filho, desmente com veemência tal versão:

    É importante que esse equívoco seja desfeito de uma vez por todas. Embora o crítico Wilson Martins e minha tia Clara tenham se esforçado para trazer a público essa versão fantasiosa, jamais, embora o Partidão quisesse, o texto original de Memórias do Cárcere foi alterado. Quem aceita essa ideia certamente não conheceu meu pai, ou mesmo minha avó Heloísa. Isso seria inconcebível. Posso lhe garantir que o Memórias do Cárcere conhecido, a menos do último capítulo escrito por Ricardo Ramos, meu pai, foi publicado exatamente como Graciliano o escreveu.

    “Há uma literatura antipática e insincera que só usa expressões corretas, só se ocupa de coisas agradáveis, não se molha em dias de inverno e por isso ignora que há pessoas que não podem comprar capas de borracha. Quando a chuva aparece, essa literatura fica em casa, bem aquecida, com as portas fechadas. E se é obrigada a sair, embrulha-se, enrola o pescoço e levanta os olhos, para não ver a lama dos sapatos”.

    Graciliano Ramos, em Linhas Tortas

Isso é tudo que não era Graciliano Ramos.

------------------------------------------------------
OBS: * Pessoalmente, tomo a liberdade de dedicar esta singela matéria a Ricardo Ramos Filho, neto de Graciliano e a quem tenho como amigo.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O provável fim do Dentista Mascarado

Mal estreou e já querem acabar com o seriado O Dentista Mascarado, dos sempre excelentes Alexandre Machado e Fernanda Young e protagonizado pelo humorista Marcelo Adnet.  A imprensa já faz duras críticas ao seriado, apesar de eu não ter visto nenhum defeito nele. O que eles esperariam do mesmo?

Em tempos de mediocrização, parece que virou moda falar do que é bom. O Zorra Total e seu péssimo humorístico de bordões, não leva nenhuma crítica. O "humor" troglodita de Rafinha Bastos é até elogiado. O Pânico na TV não para de atrair mais gente. Pôxa, porque os piores humorísticos são tão valorizados e quando resolvem pegar no pé escolhem logo um humorístico de qualidade?

O que eles esperariam de O Dentista Mascarado? Mais seriedade? Se acharam bobo demais, fiquem sabendo que o seriado é bobo propositadamente, pois é protagonizado por um dentista palerma e sua graça está justamente nisso! Adnet, excelente humorista que estava pesando a mão no enfadonho Comédia MTV, que estava caminhando para ser uma espécie de "Zorra Total" da MTV, retomou o seu bom caminho no seriado do dentista.

A Globo pegou a mania de acabar com as poucas boas ideias que surgem. Com a adesão das classes populares ao consumismo, parece que vivemos uma onda de desqualificação cultural e midiática, na tentativa de agradar a uma classe que se eleva financeiramente, sem deixar de ser pessimamente escolarizada. E qualquer coisa que reúna o mínimo de inteligência na TV aberta (e em muitos canais da paga também), vai direto para a guilhotina após não dar um índice de audiência satisfatório.

Não sabemos o que irá no lugar. Os outros seriados, bem inferiores ao protagonizado por Adnet continuam firmes e fortes, apesar da silenciosa crise criativa, todos presos a clichês. Pelo jeito a Globo quer seguir se auto-rebaixando para agradar a uma população que vive achando que cérebro só serve para enfeite.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O que está acontecendo com Amanda Bynes?

As últimas aparições de Amanda Bynes tem sido muito estranhas. A garota que encerrou a sua carreira de atriz tem feito a alegria dos paparazzi e dos inimigos de celebridades, agindo como se estivesse a beira da loucura. Será que a aposentadoria da carreira de atriz gerou alguma sequela?

Não adianta usar o argumento de que ela começou a sua carreira na infância. Apesar de ser comum ver atores que começaram quando crianças surtarem ao chegarem a vida adulta, isso tem sido cada vez mais raro. Já existem muitos atores com carreiras desde a infância que estão chegando numa boa à vida adulta e ainda melhores como profissionais e seres humanos respeitáveis e de ideias surpreendentemente amadurecidas. O que aconteceu com Bynes não pode ser justificada pela carreira precoce.

A Amanda Bynes de hoje em nada se parece com a linda e adorável garota, lançada através de um humorístico que levava o seu nome, The Amanda Show e com excelente atuação em outros seriados e filmes e que aprendemos a amar. Bynes hoje vive como uma junkie, é uma péssima motorista, com um longo histórico da batidas de carros e seu comportamento anda muito estranho, com direito a postagens meio loucas em redes sociais.

Ela não é a primeira a surtar desta forma. Britney Spears e Lindsay Lohan, também iniciadas na infância, também surtaram. Spears se recuperou, virou jurada de programa de sucesso, demonstra ser boa mãe e, após terminar um relacionamento, já iniciou outro, sinal de que ainda é bem admirada. Lohan, apesar de estar entrando em nova internação para se recuperar de vícios, dá sinais de recuperação. Lindsay Lohan, uma das melhores atrizes de sua geração, já voltou a participar de filmes e seriados, com direito a elogios a suas interpretações. Será que a solução para Bynes não seria retomar a carreira? Boa atriz ela é.

Não sabemos até onde vai Amanda Bynes. Muita gente já fala que ela não vai durar muito. Não queremos pensar desta maneira. Prefiro acreditar na recuperação de Bynes e que mesmo que não volte a atuar (opção dela), ela possa se recuperar dos surtos e viver uma vida normal, aproveitando a distância dos holofotes para tentar um pouco mais de sossego e privacidade. Pois agindo como nos últimos dias, privacidade é o que ela não terá mesmo.