terça-feira, 21 de abril de 2009

Lindsay Lohan diz que Britney Spears não faz arte. Só entretenimento

No início desse mês, a atriz e cantora Lindsay Lohan disse em uma entrevista que Britney Spears não faz arte, apenas entretenimento e que Lohan acha isso positivo já que ela não posa de artista. Eu concordo com a declaração de Lohan, já que é fácil de observar que o tipo de música e de atitude que Britney assume nada tem de artístico. É apenas para divertir, distrair, é feito para passar o tempo.

Mas no Brasil, país em que todos se acham com qualidades, onde "não existe pecado debaixo do Equador", essa declaração, atribuída a um simples entertainer brasileiro poderia soar preconceituosa e até ofensiva, já que poucos sabem a diferença entre arte e diversão.

Como nossa mídia divulga muito pouca coisa e geralmente o que interessa a ela, sem checar qualidades e a postura do que é divulgado. Além disso, certas definições conseguem chegar ao alcance do povão, mas sem ser explicadas ou exemplificadas, isso acaba gerando uma grande confusão.

Numa situação em que se fala de arte, o incauto, sem acesso ao que realmente pode ser definido como arte, acaba por tomar como exemplo artístico um entertainer que aparece na mídia, já que a noção de arte dele é equivocada, graças ao descuido (às vezes proposital) da mídia e da (acreditem!) má qualidade da educação, já que má educação gera má cultura.

Era do Entretenimento Puro

Desde os anos 90, a mídia brasileira resolveu priorizar a "cultura" do entretenimento através de várias tendências conhecidas como Popularesco, tipo de "cultura" dos "aculturados", de fácil assimilação e de mal-acabamento que pode ser consumida por pessoas com nível educacional precário. Os principais ritmos do popularesco, que claramente são de características exclusivamente de entretenimento: brega, axé-music, pagode (samba comercial), forró-brega, sertanejo, funk-carioca e qualquer derivados desses gêneros. Além disso temos ritmos não-popularescos que podem ser considerados como apenas entretenimento como músicas infantis comerciais, música romântica, dance music, e rock popular (surgido das cinzas do Mamonas Assassinas, Raimundos e é representado atualmente por bandas tipo CPM 22 e Fresno).

As pessoas confundem as críticas a esses gêneros como ofensa e com o desejo de que esses mesmos sejam extintos. Mas não é verdade. Esses gêneros não representam a cultura verdadeira do Brasil. Mas devem existir, já que com a má qualidade da educação, existe muita (e põe muita nisso) gente que não está preparada para entender o que realmente é arte. Ninguém gosta de se assumir como ignorante, mas a verdadeira humildade é ter a consciência de que não sabemos tudo. As pessoas se irritam com isso porque acham que todo mundo chega "pronto" à idade adulta e alcançou o máximo da inteligência, por acreditar ser uma "pessoa pronta". Isso é um absurdo, se lembrarmos que na sociedade existem inúmeros níveis de intelectualidade, do baixo ao mais elevado.

Características da música de entretenimento

Para saber se uma música é apenas entretenimento é preciso conhecer suas características. As principais:

- Os entertainers costumam não caprichar muito nas letras, optando pelo mais básico possível. Geralmente suas letras falam de vida amorosa ou coisas bastante triviais. Suas letras fogem de discussões intelectualizadas.
- Costumam caprichar muito no visual e menos na qualidade musical.
- Seguem padrões, regras e fórmulas.
- Tem o objetivo, mesmo não declarado de ganhar dinheiro com música e de frequentar paradas de sucesso e formatam seu som propositalmente visando esses objetivos.
- Gostam de expor suas vidas pessoais como se elas fossem importantes para suas carreiras.
- Pessoas de classes pobres e de nível cultural (não confundir com escolaridade) baixo se identificam muito com a música de entretenimento
- A música de entretenimento é feita para tocar em festas e prioriza a dança.

Essa diferença deve ser observada, já que a música artística, tem um valor mais intelectualizado e por isso não se restringe a eventos ou momentos. Mas não confundam qualquer coisa que é considerada "chique" "granfina" com artística. Há entretenimento puro para quem é de classes mais abastadas, já que muitos, sobretudo "homens de negócio", que não querem ficar "pensando o tempo todo". Um exemplo de entretenimento "chique" são músicas do estilo que cantoras como Celine Dion canta. Dá para ver que o que ela canta nada tem de intelectualizado, é romântico puro. É entretenimento.

Conclusão sem confusão

Divertir é bom e é até sadio, mas não substitui a arte. Mesmo quando a arte diverte, ela traz valor intelectual, dedicação, obras bem-acabadas, e artistas honestos e compromissados com sua obra. Os artistas de verdade não têm esse mercenarismo lúdico dos entertainers, que fazem suas obras visando apenas distrair as pessoas e provocar emoções básicas e catarse, sem se preocuparem com a evolução intelectual destas.

O comentário de Lohan, apesar de se referir a um ícone ianque, encaixa bem na nossa realidade, onde o povo quer menos arte e mais diversão. Um povo que acha que poesia e textos inteligentes são "chatos" e que prefere pular a ficar sentado quieto ouvindo uma boa canção. Infelizmente a arte dá tédio aqueles que não estão preparados para absorvê-la. Uma pena.

Por isso a música de entretenimento deve continuar a existir, mas se assumir como tal. Arte é uma palavra sagrada demais para ser utilizado por que quer apenas se divertir.

21/04/2009

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Comentários:

Jessica Martiele disse...

I agree that the masses want to be entertained and not necessarily enjoy art, but I also find that sad. And where Lindsay Lohan is concerned, she, too, is an entertainer...not an artist. Not once have any of her movies been something I could consider art. I think Lindsay was trying to insult Brittney, but unfortunately, the same applies to her. Thanks for your thoughts!
(21 de abril de 2009 07:09)